sábado, 31 de outubro de 2009

Onde a Ciência Tem Vez


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo do jornalista Julio Ottoboni publicado na edição nº 3 da revista "Opinião" de São José dos Campos (SP) destacando o sucesso na implantação do Parque Tecnológico Riugi Kojima, de São José dos Campos - tido como exemplo pelo governo de São Paulo para seu programa de desenvolvimento de capacitação tecnológica regional.

Duda Falcão

Especial de Capa

Onde a Ciência Tem Vez

Por Júlio Ottoboni

O presidente Lula introduziu o futebol no discurso político, nada mais acertado para fazer-se compreender no país da bola. Se esse é um requisito para a melhor compreensão de seu programa de governo, pode-se também dizer que a Ciência, na mesma figura de linguagem, é o escanteio. Só acontece quando outras tentativas de gol falharam e algum adversário resolveu despachar a pelota para o fim do campo, para um lugar pouco freqüentado e só lembrado quando dali pode sair alguma nova tentativa de estufar as redes do opositor. Na imensidão do campo, o escanteio se restringe a um cantinho, quando o campo é apenas o encontro de duas retas e um ângulo de 90 graus. Dentro do plano de jogo, o escanteio nunca se encontra no desenho tático, é apenas a conseqüência de tentativas frustradas e ações desesperadas. Enfim, o último recurso. Assim é a ciência, desde tempos imemoriais. Nunca foi protagonista, sempre coadjuvante e último recurso para compensar o embate entre muitos chutes, erros e desacertos. A Ciência é o escanteio. Mas vez por outra, surge neste jogo milenar um atacante que sabe aproveitar as possibilidades do ‘corner’. Dotado de avantajado conhecimento no manejo da bola e das regras do jogo, com a faixa de capitão no braço passa a mostrar que a ordem dos valores pode sim alterar o produto e o resultado do jogo. PhD, Livre-Docente da Universidade de São Paulo (USP), e um currículo de títulos e feitos que pouquíssimos possuem fazem do físico-matemático Marco Antonio Raupp o dono bola. Como diretor do Parque Tecnológico Riugi Kojima, de São José dos Campos - tido como exemplo pelo governo de São Paulo para seu programa de desenvolvimento de capacitação tecnológica regional - uma área de escanteio cobiçadíssima por todos. Ali a Ciência tem vez e faz as regras do jogo. “Aqui no parque o grande desafio é ter, dentro de uma estratégia de país, esse projeto sob os paradigmas da nova economia. Esses paradigmas são dois: competitividade e sustentabilidade. A competitividade das indústrias voltada para uma disputa de mercado global e sustentabilidade social, ambiental e política, que está além da econômica e da inovação, essa última intimamente ligada a tecnologia ”, definiu Raupp os pilares de seu trabalho frente a direção do parque tecnológico.

Hemisfério Sul

O parque dirigido por uma Organização Social (OS), que tem a frente o cientista Raupp, é o maior projeto aeroespacial em curso no hemisfério sul do planeta e está entre os mais promissores ambientes para o desenvolvimento de novas empresas e tecnologias para alicerçar o setor. O local agrega universidades, parcerias com grandes instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Departamento da Coordenação Geral de Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), empresas como a Petrobras, Vale e a Embraer, linhas de financiamento estadual e federal, com o apoio da prefeitura de São José dos Campos.

“ O parque é um território neutro de cooperação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia na fase pré competitiva, na absorção de conhecimento que beneficiam toda da cadeia produtiva. Buscamos a competitividade coletiva, da cadeia de produção. Aqui dentro vem parte das grandes empresas, como também das médias e pequenas, que fazem parte deste processo produtivo” , salientou o cientista dirigente. O parque como está articulado e administrado no momento é, sem dúvida, o grande modelo para o crescimento das atividades científicas dentro do setor privado e aumentar significativamente a interação das empresas com a academia. Inclusive, na projeção feita pelo diretor do parque, esse processo abrirá um vasto mercado para pesquisadores graduados, hoje em muito confinados nas universidades e instituições governamentais. Será a retomada dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento dentro das indústrias.

Peso do Histórico

Mas Raupp reconhece sua importância neste processo, principalmente como aglutinador de novas entidades científicas no fortalecimento do parque. Também não é para menos, basta olhar mais de perto o currículo deste cientista reconhecidamente entre os mais atuantes e respeitados do país. Ele é o atual presidente da Sociedade Brasileira para Desenvolvimento da Ciência (SBPC), entretanto seu primeiro passo foi no curso de Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois sua trajetória profissional e acadêmica apresenta seu PhD em Matemática pela Universidade de Chicago e livre-docência pela USP – a titulação máxima que se consegue dentro da academia. O cientista também foi professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB), analista de sistemas do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, pesquisador titular, vice diretor e diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e diretor geral do INPE e professor associado no IME/USP. Em reconhecimento aos serviços prestados, foi agraciado com o título de Comendador pela Ordem do Rio Branco (Ministério das Relações Exteriores) e pela Ordem Nacional do Mérito Cientifico (Ministério da Ciência e Tecnologia).

Seu histórico ainda apresenta cargos como presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e também tesoureiro, vice-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). É membro titular da Academia Internacional de Astronáutica (IAA), membro titular do Conselho Superior da FAPERJ e membro suplente do Conselho Nacional da Ciência e Tecnologia (CCT). “ Estou aqui por causa desta história de cooperação e penetração na área, tem uma preocupação tecnológica com as indústrias. O que eu faço hoje é essa articulação com a USP, Unicamp, Unifesp para não falar em INPE, ITA e em outros”, reconheceu dentro de um sorriso largo o fato de São José dos Campos o ter escolhido para levar a cidade ao seu segundo ciclo aeronáutico e espacial.

O segundo Ciclo Aeroespacial

O sucesso e a inovação metodológica conquistada pelo Parque Tecnológico Riugi Kojima não é obra do acaso caótico, como uma conseqüência dos fatores que envolvem o universo aeroespacial de São José dos Campos. Em funcionamento há 3 anos, o centro é resultante de uma criação conjunta, que reuniu cérebros privilegiados do setor num esforço comum pela transformação qualitativa do pólo aeroespacial local e regional. Assessor de Projetos Estratégicos da prefeitura de São José dos Campos, o também cientista e ex-diretor do INPE e da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Santana, coordena a interface entre o município e o parque. Além de ter tido participação direta na constituição deste novo centro. “O Parque Tecnológico nasceu da convergência de idéias de várias pessoas dos governos municipal e estadual. No início pensava-se em criar o parque tecnológico como um empreendimento imobiliário essencialmente privado, tendo o poder público como fomentador e regulador de sua ocupação. Baseado nesta premissa, em 2005, o governo do estado encomendou ao Centro para Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi) um estudo comparativo de grandes áreas que pudessem sediar o pretenso Parque Tecnológico de São José dos Campos”, relembrou o assessor.

Em 2006, a prefeitura de São José dos Campos adquiriu uma área de 180 mil m2, localizada fora das áreas que eram objetos dos estudos do Cecompi. O propósito específico desta investida foi à constituição do Núcleo do Parque Tecnológico, qualquer que fosse a localização do Parque Tecnológico propriamente dito, que meses mais tarde se formaria nas antigas instalações da fábrica Solectron, as margens da Via Dutra.

Localização Perfeita

O Parque surgiu com instalações prediais de primeira linha, que com algumas modificações e alterações passou a atrair centros de pesquisas e desenvolvimentos ligados a empresas e institutos como Embraer, IPT, Vale do Rio Doce, ITA, Unifesp, Fatec, além de uma incubadora de empresas.

“ Tão exitosa foi a iniciativa que a prefeitura, através de sua empresa de economia mista, Urbam, adquiriu em 2008 uma área de cerca de 900 mil m² no entorno do Núcleo do Parque, passando o conjunto assim a constituir o almejado Parque Tecnológico de São José dos Campos. Esta nova área abrigará laboratórios de desenvolvimento, institutos de pesquisas, universidades e condomínios de empresas”, salientou Santana. Atualmente, o Parque Tecnológico de São José dos Campos engloba uma área definida por lei de 12,5 milhões de m² ao redor do núcleo. Ela conta ainda com áreas particulares e da municipalidade na qual, em iniciativas de parceria com a iniciativa privada, espera-se que venham a se estabelecer entidades com vocação tecnológica em segmentos como aeronáutica, espaço, defesa, energia, meio ambiente, biotecnologia e entre outras áreas do conhecimento técnico-científico. Segundo o assessor, a expectativa é de se criar cerca de 20 mil novos empregos.

“ Somente em uma dessas iniciativas, já em curso, a da Vale Soluções em Energia, VSE, espera-se que em poucos anos estejam lá trabalhando 1800 pessoas, a maior parte pesquisadores com mestrado ou doutorado. Este será, sem dúvida, uma referência internacional na área de energia”, observou o assessor especial da prefeitura.

Empolgação

O atual secretário estadual do desenvolvimento, Geraldo Alckmin, é um entusiasta do conceito de parque tecnológico e dos resultados apresentados pelo núcleo instalado no Vale do Paraíba. “São José dos Campos é um dos maiores pólos aeronáuticos do mundo”, comentou empolgado.

“Aqui está a primeira e única Fatec situada dentro de um parque tecnológico, esse núcleo é um modelo de excelência e todo mundo quer ter um igual. É um ‘case’ de sinergia e mediação da universidade e indústria”, observou. Nos próximos anos o aporte de recursos é imensurável, a tendência é que seja ainda maior que os mais de R$ 500 milhões já investidos entre prefeitura, governo do Estado de São Paulo, Petrobras, Vale, Finep, Embraer, Bndes, IPT, Fapesp entre tantos outros parceiros.

Somente a Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo fez recentemente um novo anúncio para ampliação do Centro de Design e Manufatura do Arranjo Produtivo Local (APL) de São José dos Campos (SP). Além disso, dois protocolos de intenções foram assinados para incentivar o desenvolvimento na área aeroespacial.

O centro terá o aporte de R$ 761 mil para aprimorar os serviços de prototipos e design de modelos aeroespaciais. O investimento será feito em parceria com o Cecompi. Segundo Alckmin, do total dos investimentos, R$ 420 mil serão provenientes do governo do estado e R$ 341 mil da entidade do cone leste.

A Secretaria do Desenvolvimento assinou também um protocolo de intenções para a criação do Pólo de Capacitação Aeronáutica de São Paulo, que vai atuar na formação de mão de obra especializada em tecnologias aeroespaciais, em parceria com o Centro Paula Souza, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), prefeitura de São José dos Campos e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB).

Outro protocolo envolve a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade – Investe São Paulo e a Embraer. Ele objetiva atrair empresas aeroespaciais para a região, com a elaboração de medidas que favoreçam a instalação de fornecedores de componentes, partes, peças e serviços presentes na cadeia produtiva de aviões.


Júlio Ottoboni é jornalista diplomado e pós-graduado em jornalismo científico, e cobre a área de ciência e tecnologia espacial há mais de duas décadas.


Fonte: Revista "Opinião" de São José dos Campos - Ano I - Edição nº 3 - 2009

Comentário: Quando um governo realmente acerta tem de ser parabenizado pelo seu feito e não é diferente nesse caso com o governo paulista e a prefeitura de São José dos Campos. No entanto, como o artigo do jornalista Júlio Ottoboni deixa claro, a participação do físico-matemático Marco Antonio Raupp foi decisiva para a implantação do Parque Tecnológico Riugi Kojima. E não poderia ser diferente, o Marco Antônio Raupp é uma dessas pessoas (como o Ozires Silva) que eu chamo de “Gente que Faz”, e junto com o mesmo são grandes nomes para assumirem a mal dirigida e cambaleante Agencia Espacial Brasileira (AEB). Pela experiência de ambos, pela fácil circulação de ambos entre o poder público e a iniciativa privada, pela objetividade que ambos demonstram ter de sobra e principalmente por lutarem a décadas pelo crescimento do setor aeroespacial brasileiro. Infelizmente, não acredito que o Ozires Silva aceitasse o cargo (mesmo sendo um grande desafio e ele gosta de desafios), por diversos motivos, mas principalmente pela sua idade avançada (já que assumir um cargo como esse com os políticos que temos não é nada fácil e certamente muito estressante) e também por ser um apaixonado pela engenharia aeronáutica. Já o Raupp, que também é conhecido por gostar de desafios e já ter experiência de ter sido diretor do INPE seria um bom nome para assumir no lugar do atrapalhado e ineficiente Carlos Ganem, antes que o mesmo resolva criar um projeto de um novo sítio de lançamento ao lado da base Comandante Ferraz na Antártica ou no pico da Neblina.

As Constribuiçõs dos Parques Tecnológicos para o Setor


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo do companheiro jornalista André Mileski publicado na edição nº 3 da revista "Opinião" de São José dos Campos (SP) destacando as contribuições que serão geradas para o Setor Aeroespacial com a criação dos Parques Tecnológicos.

Duda Falcão

Parques Tecnológicos, Contribuições para o Setor Aeroespacial

André Mileski

São José dos Campos é uma das cidades do estado de São Paulo que contam com um parque tecnológico, iniciativa surgida em 2006 com a publicação pelo governo estadual do Decreto n° 50.504, de fevereiro de 2006, criando o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, e atualizado recentemente pelo Decreto n° 54.196, de abril de 2009.

A idéia conceitual dos parques é possibilitar o agrupamento, num mesmo ambiente com a necessária infraestrutura, de universidades, faculdades, centros de pesquisa e desenvolvimento, incubadoras e empresas de base tecnológica.

É na região do Vale do Paraíba, com maior destaque para São José dos Campos que está localizado, na prática, o único pólo aeroespacial brasileiro, iniciado na década de cinqüenta com a instalação do na época chamado Centro Técnico Aeroespacial - CTA (atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, do Comando da Aeronáutica), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, e de indústrias como a Embraer, hoje a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo.

Em países como a China e Índia, os parques tecnológicos se mostraram importantes mecanismos para a aproximação de universidades e centros de pesquisa com as empresas privadas, contribuindo para a transferência de conhecimento e o desenvolvimento conjunto de tecnologias, formação de recursos humanos, entre outros benefícios.

Um estudo preparado pela Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil - AIAB mostra que enquanto a exportação de 1 quilo de commodities contribui com 35 dólares, o valor agregado em 1 quilo de um avião chega ao número de mil dólares, ou 50 mil dólares no caso de 1 quilo de satélite.

Estes números mostram a importância do setor não apenas do ponto de vista científico e tecnológico, mas também para a geração de receitas com exportações e conseqüente criação de empregos para mão-de-obra altamente qualificada, fundamentando a tese de que os governos devem adotar políticas visando à evolução e desenvolvimento do setor. E os parques tecnológicos são instrumento dessa política, em nível estadual.

O Brasil passa por um grande momento em termos de modernização de suas capacidades em defesa, área intimamente bastante ligada à tecnologia aeroespacial. Em 2008, o governo federal lançou a Estratégia Nacional de Defesa - END, que, grosso modo, tem por objetivo modernizar a estrutura nacional de defesa. Com base nesta estratégia, que tem diretrizes que consideram inclusive o desenvolvimento do setor industrial nesta área, vários negócios que envolverão a indústria nacional foram anunciados ou estão em curso, como a compra de helicópteros, submarinos e aeronaves de combate.

Com a END e os negócios originados sob o seu guarda-chuva, o setor aeroespacial brasileiro terá considerável crescimento e evolução nos próximos anos, e São José dos Campos, por ser o pólo aeroespacial nacional será uma das regiões mais beneficiadas, devendo o parque tecnológico da cidade contribuir sobremaneira com a capacitação de profissionais, criação de novas empresas, absorção e desenvolvimento de novas tecnologias, entre outros.


André M. Mileski é advogado em São Paulo, especialista em assuntos científicos e tecnológicos no segmento aeroespacial, colaborador da revista Tecnologia & Defesa, e membro do Conselho Deliberativo da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB).


Fonte: Revista "Opinião" de São José dos Campos - Ano I - Edição nº 3 - 2009

Comentário: Muito bom artigo do companheiro jornalista André Mileski que aborda um tema que certamente será uma das molas mestra do desenvolvimento do setor aeroespacial no Brasil. É verdade que esse crescimento em parte poderá ser prejudicado pelas gestões políticas desastrosas que normalmente temos de conviver. No entanto, eu acredito que o crescimento desse setor será inevitável e trará grandes benefícios ao país.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

ITA Abre Inscrições para o V EVFITA


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (29/10) no site do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) informando que já estão abertas as inscrições para o “V Encontro de Verão de Física” do instituto (V EVFITA) que se realizará entre os dias 8 e 11 de fevereiro de 2010.

Duda Falcão

Estão Abertas as Inscrições para o V Encontro de Verão de Física do ITA

29/10/2009 10:04 - Entre os dias 8 e 11 de fevereiro de 2010 será realizada a quinta edição do Encontro de Verão de Física do ITA (V EVFITA). Este evento reúne estudantes de graduação e de pós-graduação em Física e Engenharia de diversas instituições do País com alunos e professores do Departamento de Física do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), estimulando, assim, o intercâmbio científico.

A palestra de abertura, com o tema “Física e Inovação”, será ministrada pelo Reitor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Adalberto Fazzio. Dando continuidade à programação, serão apresentados seminários avançados relacionados às pesquisas desenvolvidas no Departamento de Física do ITA; os estudantes de iniciação científica e de pós-graduação apresentarão seus trabalhos na forma de painéis; visando contribuir para a formação destes alunos, serão ministrados três minicursos abordando tópicos de Física em nível de graduação. Estão programadas visitas a laboratórios do ITA, do Instituto de Estudos Avançados (DCTA/IEAv) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (MCT/Inpe) e à Embraer.

Os interessados em participar do V EVFITA têm até o dia 7 de dezembro de 2009 para efetuar a inscrição.


Para outras informações acesse http://evfita.ita.br/

Regina França - Assessoria de Imprensa

Banner do Evento


Fonte: Site do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)

Comentário: Outro importante evento de interesse do PEB (como por exemplo o minicurso "Sistemas Dinâmicos Aplicados a Missões Espaciais" que será ministrado pela Profa. Dra. Maísa de Oliveira Terra do ITA e o seminário avançado "Simulação em Túnel de Plasma do Ambiente de Reentrada Atmosférica" que será apresentado pelo Prof. Dr. Homero Santiago Maciel também do ITA) que estará se realizando no início do próximo ano. Espero que o mesmo seja proveitoso e venha contribuir para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil.

Trajetória dos Foguetes Brasileiros na Europa


Olá leitor!

Como já informei aqui no blog (veja a nota Dois VSB-30 Serão Lançados da Suécia em Novembro) o foguete VSB-30 brasileiro e o também foguete VS-40 (veja aqui a nota Confirmado, VS-40 será Lançado em Março de 2010) estariam programados para participar de operações de lançamentos do “Programa Europeu de Microgravidade (PEM)” e do “Programa Europeu de Reentrada Atmosférica” que são coordenados pela DLR alemã. Pois então, além dos vôos já divulgados a Agencia Espacial Sueca acaba de divulgar a previsão de mais três operações de lançamentos com o foguete VSB-30. São elas:

Operação Texus 48 (Nov. 2010)
Operação Texus 49 (Nov. 2010)
Operação Maser 12 (Mar. 2011)

Consolida-se assim o mercado na Europa para o foguete brasileiro VSB-30 e abre-se uma oportunidade de mercado para o VS-40, foguete este que eu tenho uma grande admiração pela sua versatilidade e pela sua capacidade de carga. Infelizmente até hoje o mesmo não teve a atenção que merecia por parte do PEB, já que é uma plataforma muito boa para ser usada pela comunidade científica brasileira em vôos suborbitais tecnológicos e em ambiente de microgravidade. No entanto, para que o VS-40 se consolide na Europa terá que ser bem sucedido na sua missão da lançar o experimento Shefex-II na sua trajetória correta e assim chamar a atenção de outras equipes européias envolvidas com outros projetos, já que o VS-40 não será usado pelo experimento Shefex-III. Para tanto, a DLR já está em negociações com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para o desenvolvimento de um foguete maior e mais poderoso que o VS-40. Eu creio que esse foguete seria o tão esperado e divulgado pelos PNAEs da vida, VS-43. Apesar disso, o VS-40 já tem confirmado pelo menos esse vôo na Europa, o vôo da SARA Suborbital em 2010 e um possível vôo ainda por ser definido (estava definido, mas agora não se sabe se o mesmo será usado ou se será usado o VSB-30) que seria a missão com a espaçonave 14-X do IEAv em 2012, o que em minha opinião é muito pouco para uma plataforma tão versátil.

Duda Falcão


Fonte: Site da Agência Espacial Sueca (SSC)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ITA Capacita Profissionais para o Setor Espacial


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) destacando a capacitação para o setor espacial que esta atualmente em curso no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

Duda Falcão

Capacitação para o Setor Espacial

Assessoria de Imprensa / ITA

Há pouco mais de cinco décadas, alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), atento ao inicio das atividades espaciais no mundo, estavam preparados para receber os sinais do primeiro satélite americano, o Explorer, Mas, antes disso, os soviéticos lançavam o Sputnik. Diante desta surpresa, os iteanos conseguiram adaptar a estação que tinham e captar os sinais do primeiro satélite artificial em órbita da Terra e, assim, acompanharam de perto a largada para a corrida espacial.

Desde então, docentes, pesquisadores e alunos do ITA tem interagido com a área espacial, seja na formação de profissionais que passaram a atuar em projetos diretamente relacionados ao desenvolvimento de foguetes e satélites, seja na participação em grupos de gestão do Programa Espacial.

Num esforço conjunto ITA/DCTA, vale ressaltar a decisiva contribuição quanto à escolha da localização e implantação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, cujos primeiros pesquisadores se formaram no ITA. Assim com o engenheiro aeronáutico Marcos Cesar Pontes - Primeiro astronauta brasileiro a bordo da Estação Espacial Internacional – formado pelo ITA em 1993.

Como um forte componente de capacitação de recursos humanos, teve inicio em 2005, no ITA, sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB), o ITASAT - um projeto de desenvolvimento e construção de um microssatélite universitário. A missão desse satélite será coletar dados ambientais e, também, servir como plataforma de testes para validação espacial de novo equipamentos.

Laboratório de Plasma

O programa surgiu com o intuito de estimular a participação direta da academia no setor espacial, a fim de estimular o desenvolvimento de tecnologia espacial pelas universidades, além de despertar talentos e incentivar a formação de profissionais para o setor espacial.

A Incorporação da tecnologia de ponta gerada pelo projeto pode promover a inovação nas empresas, contribuir para a criação de produtos derivados com maior valor agregado e permitir maior inserção dessas empresas no mercado internacional.

Especializações

Na área de pós-graduação são oferecidos pelo ITA dois cursos de Mestrado Profissionalizante em Engenharia Aeroespacial. Um deles em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) e o Moscow Aviation Institute (MAI), da Rússia, tem como objetivo capacitar engenheiros para a área de desenvolvimento de motores-foguetes a propelente líquido no Brasil. O outro é fruto de um convênio entre o ITA, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e tecnológico do Maranhão (FAPEMA).

Aula de Aerodinâmica

Esse curso visa capacitar recursos humanos para o Instituto de Tecnologia Espacial do Maranhão (ITEMA), que atua integrado ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Numa metodologia inovadora ao final do curso é apresentado um projeto único: a construção de um protótipo de foguete, alcançado a partir da consolidação de projetos distintos desenvolvidos pelos alunos de cada uma das quatro áreas propostas - Combustão e Propulsão, Controle e Guiagem, Ciências Geoambientais e Ciências e Engenharia de Materiais.

Atualmente o desafio é implantar no ITA um curso de graduação em Engenharia Espacial que contribuirá para capacitar recursos humanos e atender à demanda nacional nesta área. Um grupo de estudos, formados por representantes do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Agência Espacial Brasileira (AEB), avalia as condições e os critérios necessários para viabilizar esta iniciativa.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pag. 27

Comentário: Isso é tudo muito bom, mas o PEB foi iniciado nos anos 60. Porque que só de seis ou sete anos para cá se pensou nisso? Esses cursos e inclusive esse novo de graduação em engenharia espacial deveriam ter sido implantados no máximo ainda na década de 80 e não agora.

Operação FogTrein II


Descrição da Campanha

Data do início da campanha: 13/10/2009
Operação: FogTrein II
Foguete: Foguete de Treinamento Básico (FTB)
Numero do vôo do foguete: 3
Data de lançamento: 20/10/2009
Horário: 17h16
Local: Centro de Lançamento de Barreira do Inferno-RN
Apogeu do vôo: 32 km
Tempo de vôo: 4 s
Objetivo: Desenvolver e certificar foguetes instrumentados para treinamento do CLBI e do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), visando o aprimoramento e a manutenção da capacidade operacional dos Centros de Lançamentos para o cumprimento das atividades previstas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) - 3o vôo de qualificação do foguete.
Resultado: Sucesso Total

Experimentos Embarcados:

- Não Houve

Operação: FogTrein II
Foguete: Foguete de Treinamento Básico (FTB)
Numero do vôo do foguete: 4
Data de lançamento: 21/10/2009
Horário: 17h30
Local: Centro de Lançamento da Barreira do Inferno-RN
Apogeu do vôo: 32 Km
Tempo de vôo: 4 s
Objetivo: Desenvolver e certificar foguetes instrumentados para treinamento do CLBI e do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), visando o aprimoramento e a manutenção da capacidade operacional dos Centros de Lançamentos para o cumprimento das atividades previstas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) - 4o vôo de qualificação do foguete
Resultado: Sucesso Total

Experimentos Embarcados:

- Não Houve

Instituições Envolvidas:

AEB - Agência Espacial Brasileira
DCTA - Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeroespacial
IAE – Instituto de Aeronáutica e Espaço
CLBI - Centro de Lançamento da Barreira do Inferno - Natal-RN
CLA - Centro de Lançamento de Alcântara - Alcântara-MA
IFI - Instituto de Fomento e Coordenação Industrial
AVIBRÁS - Avibrás Indústria Aeroespacial S/A


Operação FogTrein II é Realizada com Sucesso


Foi realizado com sucesso o lançamento do terceiro Foguete de Treinamento Básico (FTB) no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN). A operação, denominada FogTrein II, ocorreu exatamente às 17h16min desta terça-feira (20/10). O foguete alcançou a altura máxima com 32.000 m, atingindo a velocidade de 4.200 km/h em quatro segundos. Fabricado pela empresa brasileira AVIBRÁS e com tecnologia quase completamente nacional, o FTB - após completar sua trajetória - caiu em alto-mar a 16 quilômetros da costa. O objetivo da operação FogTrein II é lançar e rastrear dois FTBs, além de treinar os recursos humanos, operacionais e equipamentos do CLBI e do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Um segundo lançamento - também no CLBI - está previsto para as 17h desta quarta-feira (21/10). A operação FogTrein II conta com a participação de engenheiros da AVIBRÁS, da Agência Espacial Brasileira (AEB), do CLBI e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI).


Primeiro Lançamento do Foguete FTB
Operação FogTrein II



Reportagem do Programa 60 Minutos
TV Ponta Negra - 21/10/2009

Foto do Primeiro Foguete FTB Sendo Levado para Plataforma de Lançamento

Foto da Plataforma de Lançamento

Foto do Controle da Missão se Preparando para o Primeiro Lançamento

Foto de Lançamento do Primeiro Foguete FTB - 20/10/2009


Segundo FTB Também é Lançado com Sucesso


Foi lançado com sucesso, às 17h30min da quarta-feira (21/10), do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), o quarto Foguete de Treinamento Básico – FTB. Com esse acontecimento, a Operação FogTrein II encerrou as atividades práticas e alcançou seu objetivo principal: lançar e rastrear dois FTBs, com vistas no treinamento de recursos humanos do próprio CLBI e também do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), bem como manter a capacidade operacional dos meios técnicos e logísticos do CLBI e obter dados para a qualificação e certificação dos foguetes de treinamento.

Outra Foto da Plataforma de Lançamento

Foto do Controle da Missão se Preparando para o Segundo Lançamento

Foto do Lançamento do Segundo foguete FTB - 21/10/2009


Fonte: Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeroespacial - DCTA

AEB Realiza para 60 Estudantes a V Jornada Espacial


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (28/10) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (INPE), destacando a participação de 60 alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares de 22 estados e do Distrito Federal na V Jornada Espacial que é realizada pelo programa "AEB Escola" da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Duda Falcão

Estudantes Participam da V Jornada Espacial

28-10-2009

De 1º a 6 de novembro, em São José dos Campos (SP), 60 alunos do ensino médio, de escolas públicas e particulares de 22 estados e do Distrito Federal, participam da V Jornada Espacial. Selecionados através da Olimpíada de Astronomia e Astronáutica (OBA), estes alunos, acompanhados de seus professores, visitarão o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

A Jornada Espacial é uma das ações do programa AEB Escola, da Agência Espacial Brasileira. Com objetivo principal de revelar novos talentos para a carreira científica, o evento permite aos estudantes de todo o Brasil o contato direto com pesquisadores das áreas de Astronomia e Astronáutica. A Jornada é também uma oportunidade para os alunos demonstrarem seus conhecimentos e habilidades nas várias atividades promovidas durante o evento. São minicursos, palestras e oficinas voltados para a área espacial.

Os temas abordados, nesta edição, serão o contexto histórico da Corrida Espacial e seus benefícios para humanidade; a Astronomia Espacial; os satélites, plataformas espaciais e a tecnologia do GPS; a robótica; o Veículo Lançador de Satélites (VLS); as Ciências Espaciais no Ano Internacional da Astronomia; Meteorologia e Ciências Ambientais; análise e interpretação de imagens de satélites, e o Programa Espacial Brasileiro.

Este ano mais de 864 mil alunos de 10 mil escolas de todo o país participaram da Olimpíada de Astronomia e Astronáutica, ocorrida em maio. A OBA é organizada pela AEB e pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e tem como objetivo popularizar o ensino de Astronáutica e de Astronomia junto a professores e estudantes brasileiros. As escolas cadastradas recebem todos os anos material didático sobre os temas que serão abordados na prova. Apesar de ser uma olimpíada, a OBA deseja estimular o aprendizado e não a competição.

A programação completa da V Jornada Espacial está disponível na página http://www.aeb.gov.br/jornada/index.htm


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Comentário: Esse é um dos poucos programas que funcionam adequadamente dento do Programa Espacial Brasileiro. O AEB Escola é uma grande iniciativa e eu diria até visionária e nesse ponto a AEB merece todos os parabéns pela criação desse programa. Espero que o AEB Escola e os eventos como a OBA e a Jornada Espacial sejam ampliados, para que possam atingir um maior número de jovens em todos os cantos do país.

Sonho de Muitos, Realização de Poucos


Olá leitor!

Convido você a ver abaixo o vídeo do lançamento do primeiro protótipo do foguete Ares-1 da NASA (Agência Espacial Americana) que foi lançado com sucesso nesta quarta-feira (28/10) e que deverá substituir futuramente os ônibus espaciais.

Esse lançamento ocorreu exatamente as 13h30 (pelo horário de Brasília) a partir da plataforma 39B, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

A ignição dos motores foi seguida do violento estrondo provocado pelo poderoso foguete de 1300 toneladas de empuxo, acompanhado de uma grande labareda que lembrava o lançamento dos foguetes Saturno 5 (que saudades que tenho desse monstro), que levaram o Homem à Lua nas décadas de 1960 e 1970. Com 107 metros de altura e 800 toneladas de peso, o foguete rapidamente ganhou altura e em poucos segundos sua velocidade já ultrapassava a barreira do som.

Fazendo uma comparação com o desenvolvimento do VLS-1, o projeto do mesmo foi iniciado por volta de 1984 e até hoje não funcionou, o Ares-1 é um foguete que foi desenvolvido em um período de aproximadamente quatro anos, desde o anuncio de apoio ao “Programa Constellation” feito pelo então presidente George Bush, até esse vôo teste de ontem.

Será um sonho impossível acreditar que um dia o Brasil ainda poderá chegar lá?

Vídeo do Primeiro Vôo Teste do Foguete Ares-1 - 28/10/2009

Sai no DOU o Aviso de Licitação do Motor L75 do IAE


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (28/10) no blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski informado que segundo informações obtidas por um leitor do seu blog chamado “Pedro” foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial da União (DOU) um aviso de licitação relacionado com o motor L75 de propulsão líquida que esta atualmente em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Duda Falcão

Propulsor de 75 kN do IAE/DCTA

28-10-2009

Pedro, leitor do blog postou comentário com o aviso de licitação reproduzido abaixo, publicado na edição de hoje (28) do Diário Oficial da União. O aviso chama interessados a prestar serviços técnico-especializados para apoio às atividades de desenvolvimento de motor-foguete de propulsão líquida com 75 kN de empuxo. Agradecimentos a Pedro pelo envio do extrato.

Na última edição da revista Espaço Brasileiro (vejam a postagem "Nova Edição da Revista Espaço Brasileiro"), editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), há uma matéria sobre o motor líquido de 75 kN.

"GRUPAMENTO DE INFRA-ESTRUTURA E APOIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

AVISOS DE LICITAÇÃO
CONCORRÊNCIA Nº 20/2009

Objeto: Serviços técnico-especializado para apoio às atividades de desenvolvimento tecnológico de um motor-foguete a propelente líquido com 75 kN de empuxo sob a responsabilidade do Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE.
Total de Itens Licitados: 00001.
Edital: 28/10/2009 de 08h30 às 11h30 e de 13h às 16h30.
Endereço: Praça Marechal Eduardo Gomes ( Subdivisão de Licitação do GIA-SJ Vila das Acácias - SAO JOSE DOS CAMPOS - SP.
Entrega das Propostas: 30/11/2009 às 14h00.
Endereço: Praça Marechal Eduardo Gomes ( Subdivisão de Licitação do GIA-SJ Vila das Acácias - SAO JOSE DOS CAMPOS - SP.
Informações Gerais: O Edital estará disponível no site eletronico www.comprasnet.gov.br e a retirada do Projeto Básico em mídia pelos interessados será efetuada no GIA-SJ (Subdivisão de Licitações) mediante a comprovação da indenização de R$30,00 (trinta reais), que deverá ser recolhida através da Guia de Recolhimento da União GRU no site https://consulta.tesouro.fazenda.gov,br/gru/gru_simples.asp UG 120016, Gestão 0001, Código de Recolhimento 22048-5, Campo de Referencia 02003.

(SIDEC - 27/10/2009) 120016-00001-2009NE901128"


Fonte: Blog Panorama Espacial - André Mileski

Comentário: Como sou um apaixonado por foguetes considero essa a grande notícia do ano para o Programa Espacial Brasileiro. Principalmente por ter descoberto que o leitor do Mileski (Pedro) completa sua informação dizendo: “Outra informação é que os testes dos modelos de desenvolvimento estão previstos para aproximadamente um ano e dois meses (420 dias) após a assinatura do contrato”. Leitor, isso significa que no prazo máximo de dois anos o Brasil terá a sua disposição um motor de propulsão líquida que poderá finalmente concretizar os nossos sonhos. Como o lançamento do primeiro vôo teste (primeiro e segundo estágios ativos) do VLS-1 ficou para 2011, caso haja agilidade, presteza, determinação, recursos e vontade política, o VLS-1B poderia ser desenvolvido paralelamente estando pronto para lançamento por volta de 2013. É sonho? Pode ser se tratando de Brasil. Vamos aguardar.

Compras para o Amazônia-1 São Esperadas para Breve


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (28/10) no blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski informado que segundo informações obtidas pelo mesmo dão conta que nas próximas semanas são aguardadas às publicações, no Diário Oficial da União, dos avisos de aberturas de licitação para a compra de componentes do satélite Amazônia-1.

Duda Falcão

Amazônia-1: Novas Licitações São Aguardadas

28-10-2009

Segundo informações obtidas pelo blog, são aguardadas para as próximas semanas as publicações, no Diário Oficial da União, de avisos de aberturas de licitação para a compra de componentes do satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), e atualmente em construção pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e indústrias locais.

O INPE deve abrir licitação para a compra de três componentes, que somados devem superar o valor de R$ 20 milhões: (i) Transmissor em banda S (comunicação do satélite com o solo); (ii) Gravador de Dados Digital (Digital Data Recorder - DDR), espécie de disco rígido para o armazenamento de dados e posterior transmissão para o solo; e (iii) sensor de estrelas ("star tracker"), equipamento usado para se determinar a atitude (orientação) do satélite em relação às estrelas.

No final do ano passado, o INPE também adquiriu alguns subsistemas e carga útil para o Amazônia-1 (vejam aqui), como o sistema de controle de atitude e controle de órbita (ACDH, sigla em inglês), comprado da empresa argentina INVAP, e a câmera AWFI, a ser construída pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP).


Fonte: Blog Panorama Espacial - André Mileski

Comentário: Grande notícia para o PEB dada pelo companheiro jornalista Mileski em seu Blog. Pelo menos na área de satélites as coisas estão andando um pouco mais rápido que na área de foguetes. Com essas compras a carga útil do satélite Amazônia-1 estará finalizada. No entanto, a finalização PMM é um passo importante e decisivo não só para o satélite Amazônia-1, mas também para os satélites MAPSAR, Lattes-1 e o GPM-Br, pois a PMM será o modulo de serviço de todos esses satélites.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

IEAv Promove Workshop Sobre Radiações Ionizantes


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (28/10) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando o II Workshop sobre Efeitos das Radiações Ionizantes em Componentes Eletrônicos e Fotônicos de Uso Aeroespacial, que será promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv) entre os dias 28 e 30 de outubro no auditório do Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP).

Duda Falcão


Notícias

IEAv Promove Workshop Sobre Radiações Ionizantes

Coordenação de Comunicação Social/AEB
28-10-2009

O Instituto de Estudos Avançados (IEAv), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), promove, entre os dias 28 e 30 de outubro, o II Workshop sobre Efeitos das Radiações Ionizantes em Componentes Eletrônicos e Fotônicos de Uso Aeroespacial. A atividade ocorrerá no auditório do Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP).

Serão realizados minicursos, ministrados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do IEAv, além de palestras com representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) e Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI).

O evento tem como objetivo ampliar as discussões já iniciadas, para identificar necessidades específicas da iniciativa privada, instituições de pesquisa e agências governamentais envolvidas com o Programa Espacial Brasileiro, com a finalidade de criar novos projetos voltados para atender demandas de curto prazo. Visa também discutir a importância de uma rede de pesquisa para o desenvolvimento de componentes resistentes à radiação.

O IEAv é responsável por gerenciar o projeto de pesquisa denominado PEICE - Estudo dos Efeitos da Radiação Ionizante em Componentes Eletrônicos e Fotônicos, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), voltado ao desenvolvimento de uma plataforma para o estudo dos efeitos da radiação ionizante em diversos tipos de componentes e dispositivos de aplicação aeroespacial. O IEAv estuda os problemas causados pela ação contínua e cumulativa das radiações, como a radiação solar, em materiais e equipamentos eletrônicos utilizados nas atividades aeroespaciais para, assim, criar medidas corretivas.

Mais informações: www.ieav.cta.br/peice/index.php


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Importante evento da área aeroespacial que será realizado em sua segunda edição pelo IEAv e que já foi abordado aqui no blog (veja a nota IEAv - II Workshop sobre Efeitos das Radiações Ionizantes).

Projeto do Motor da Edge Of Space é Finalmente Aprovado


Olá leitor!

Recebi agora a pouco um e-mail do coordenador do grupo paulista “Edge Of Space”, o engenheiro aeronáutico José Miraglia, informando que após uma espera de quase um ano e meio, foi finalmente aprovado pela FAPESP o projeto do motor que possibilitará o desenvolvimento do lançador de nanosatélites (Cubesat) "PI", do foguete suborbital "Edge" (já abordados aqui no blog) e de um importante projeto do PEB governamental que está em andamento, mas que não tenho no momento a autorização de divulgar.

Parabenizo ao engenheiro Miraglia e a toda sua equipe da “Edge Of Space” pela conquista e fico na torcida pelo sucesso do projeto que segundo o mesmo agora poderá seguir com o seu desenvolvimento.

Abaixo segue um vídeo preliminar para divulgação enviado pelo engenheiro Miraglia mostrando através de uma animação o lançamento do futuro foguete “PI”.

AVANTE EDGE OF SPACE

Duda Falcão


Foguete Lançador de Nanosatélite “PI” da Edge Of Space

Cooperação Espacial Brasil-EUA


Olá leitor!

Segundo informação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o ministro Sergio Rezende, recebeu nesta terça-feira (27) a assessora especial para Ciência e Tecnologia dos Estados Unidos, Nina Federoff, o conselheiro Richard Driscoll e o secretário Jeremy Long da Embaixada Americana em Brasília, para discutirem novos projetos de pesquisa entre os dois países em diversas áreas, incluindo ai o setor espacial.

Em 1984, Brasil e EUA assinaram o "Acordo de Cooperação Bilateral em Ciência e Tecnologia". Desde então, novas pesquisas são incrementadas ao acordo e entre elas estaria agora o interesse americano de incluir pesquisas nas áreas espaciais e ambientais.

Na reunião, o ministro Rezende e a assessora Nina Federoff discutiram sobre a integração das comunidades científicas dos países e também sobre a importância de criar mecanismos de financiamento comuns ao Brasil e ao Estados Unidos para essas pesquisas científicas.

Nos dias próximos dias 19 e 20 de novembro, Rezende voltará a se reunir com os representantes dos Estados Unidos para tratar sobre esse assunto. O encontro será em Washigton.

Duda Falcão


Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)

Comentário: Essa sim é uma oferta de cooperação de uma nação que realmente pode acrescentar benefícios para o Programa Espacial Brasileiro. Para tanto, será necessário se negociar com competência, estabelecendo primeiro quais as áreas de interesse de ambas as nações e ai sim estabelecer acordos que sejam benéficos para ambos os países. Os americanos sabem o que fazem, portanto será necessário negociar com sabedoria e competência, já que os mesmos estarão interessados em defender os interesses de seu povo e não do povo brasileiro.

Presidente da AEB é Entrevistado Pela Espaço Brasileiro


Olá leitor!

Segue abaixo uma entrevista na íntegra do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) onde o mesmo faz um relato do atual estágio do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Duda Falcão

Foto: Edson Haruki
Carlos Ganem, Presidente da AEB

Raíssa Lopes - CCS / AEB

Em março de 2008, o economista e administrador de empresas Carlos Ganem deixou a Superintendência de Articulação Institucional da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), cargo que exerceu por aproximadamente cinco anos, para enfrentar um novo desafio: assumir a presidência da Agência Espacial Brasileira (AEB). Desde então, a experiência em funções executivas na área pública e privada tem sido um dos diferenciais em sua gestão que, em setembro, completa um ano e seis meses.

Em entrevista especial concedida à revista Espaço Brasileiro, Ganem avalia o Programa Espacial Brasileiro. “Poucos países possuem um Programa Espacial completo e o Brasil é um deles”, diz o presidente da AEB. Carlos Ganem acredita que esse é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento de uma nação e em seu posicionamento no cenário mundial. Desde que assumiu o cargo, Ganem já recebeu 14 missões técnico-científicas de países que visitaram o Brasil. “Com alguns, assinamos protocolos e acordos de cooperação bastante específicos. Com outros, estamos discutindo soluções pontuais de produtos, processos e serviços”, conta.

Hoje, o desenvolvimento de satélites é essencial para a soberania nacional, e privilegiado pelo Brasil. “Desenvolver um [satélite] geoestacionário brasileiro representa autonomia para as comunicações militares e estratégicas e para a capacidade de imageamento meteorológico nacionais”, diz Ganem. “Podemos citar a capacidade nacional de desenvolvimento de câmeras ópticas. Em paralelo, a AEB anseia por um satélite de monitoramento e segurança de suas fronteiras e, sobretudo, das regiões inóspitas onde existem dificuldades de termos base”, completa o presidente da AEB. Em entrevista à Espaço Brasileiro, Ganem fala, ainda, sobre os projetos existentes em Alcântara – o VLS e o Cyclone-4, a busca de tecnologia espacial em outros países e os programas da AEB voltados para os estudantes brasileiros, o AEB Escola, o Uniespaço e o Microgravidade.

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista, em que Ganem fala sobre a importância da consolidação do Programa Espacial e dos avanços, em âmbito mundial, da área aeroespacial.

O Brasil é um dos sete países do mundo com programa espacial completo, ou seja, sítios de lançamento, foguetes, ou veículos lançadores de cargas úteis e satélites. Qual é a avaliação que o senhor faz do Programa Espacial Brasileiro?

O Programa Espacial Brasileiro tem por vocação atender às grandes demandas nacionais em termos de imagens e informações geradas a partir de satélites artificiais. Nesse contexto, o programa abrange o desenvolvimento e o domínio de uma gama de tecnologias – voltadas a foguetes lançadores, centros de lançamento, satélites e sistemas de solo para controle e processamento de informações – e infraestrutura laboratorial e industrial para execução. As aplicações do espaço, como a observação da Terra, a meteorologia e as comunicações tem guiado a política espacial, traduzida em temos de projetos como os Satélites de Coleta de Dados (SCD) ou os Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS), ambos em pleno funcionamento. Por outro lado, a capacidade de acesso autônomo ao espaço, fator de fortalecimento da soberania nacional, é perseguida com os projetos do Veículo Lançador de Satélites (VLS) e da empresa binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS). Esta empresa, aliás, concretiza o antigo anseio de exploração comercial da nossa vantagem competitiva representada pela região de Alcântara, no Maranhão, privilegiada quando se trata de lançamentos equatoriais. Além disso, ela abre a perspectiva de uma ótica econômica para o Programa Espacial, na qual inovação tecnológica e oportunidades de negócio convergem para a geração de produtos de alto valor agregado que, esperamos, venham a dominar a nossa balança comercial. Acreditamos que o Programa Espacial, portador de futuro por excelência, está contribuindo decisivamente para a construção do caminho que levará o Brasil ao patamar de nação desenvolvida e ator relevante no cenário internacional.

Como estão os dois projetos existentes em Alcântara - o VLS e o Cyclone-4 ?

Estamos aperfeiçoando, juntamente com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), os mecanismos pelos quais os testes de bancadas e suprimentos por parte da indústria nacional dêem ao novo VLS uma configuração verdadeiramente importante. Além disso, buscamos garantir a possibilidade de ver o foguete lançado com todo sucesso, já no primeiro vôo de teste - somente com o primeiro e segundo estágios ativos - previsto para 2011. Do lado do Cyclone-4 estamos falando de uma família de foguetes muito bem-sucedida do ponto de vista de lançamentos. São 220 lançamentos de foguetes da família Cyclone ao redor do mundo, sem falhas. A novidade é que um novo sistema de certificação esta sendo desenvolvido para a área espacial, para garantir que nossos produtos possam ser previamente avaliados, checados, testados, inclusive quanto à segurança, e avaliados por um organismo de certificação independente.

Uma parte importante para o programa espacial é o desenvolvimento de satélites. Até pouco tempo atrás controle de atitudes na plataforma multimissão (PMM) era um problema. Há alguma solução nesse sentido?

O Brasil esta, hoje, encontrando uma oportunidade extraordinária para desenvolver o segmento dos satélites. Após oito anos, estamos dando a solução ao problema, que era o “calcanhar de Aquiles” na plataforma multimissão, no que diz respeito ao controle de atitude. Por conta do bem-sucedido programa de cooperação com a Comissão Nacional de Atividades Espaciais da Argentina (CONAE), a INVAP, empresa argentina produtora com larga experiência no programa nuclear e espacial, foi contratada para auxiliar no desenvolvimento do subsistema de controle de atitude da plataforma multimissão.

Buscar tecnologia fora do país é a melhor solução?

Buscar lá fora pode representar, aos olhe de uma primeira leitura, uma alternativa pouco brasileira. No entanto, diante de um cenário de sucessivos atrasos desse projeto, mais importante do que adiá-lo é torná-lo factível. E muitas vezes você precisa de alguém que tenha vencido essa etapa e superado a dificuldade do ACDH [sigla em Inglês de Controle de Atitude e Supervisão de Bordo] e que possa dar conta de resolver o problema da plataforma multimissão brasileira e de seus quatro primeiros satélites – Amazônia-1, MAPSAR, Lattes e GPM-Br.

Os satélites geoestacionários são importantes principalmente no que diz respeito a comunicação e observação de lugares fixos da terra. Existem planos para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento desses satélites pelo governo brasileiro?

O desenvolvimento de um geoestacionário brasileiro representa uma autonomia para as comunicações militares e estratégicas e para a capacidade de imageamento meteorológico nacionais. Por isso, juntamente com o Ministério do Planejamento, a AEB está conduzindo uma série de estudos que confirmem a viabilidade de se estabelecer uma Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

Quais projetos com outros países o senhor destaca?

Há um projeto para o desenvolvimento de um satélite de observação da Terra baseado em radar de abertura sintética. Estamos desenvolvendo, no âmbito da plataforma multimissão, um projeto com a Alemanha do chamado MAPSAR. A grande vantagem da tecnologia de radar é a possibilidade de observação sob qualquer condição meteorológica, ou seja, seremos capazes de observar através das nuvens. Hoje, com satélites que levam câmeras ópticas, como o CBERS, o monitoramento da Amazônia, por exemplo, é imensamente prejudicado pela cobertura de nuvens, especialmente nos meses de verão.

Há também o Sabia-Mar, um satélite de observação dedicado a questões relativas à água, seja continental, seja do mar, objeto de interesse com o governo argentino. As duas chancelarias, argentina e brasileira, tem como meta desenvolver, no âmbito das aplicações, uma satélite de aplicações marítimas capaz de vigiar ambos os litorais.

Qual a importância dos contatos que a AEB tem feito com outros países? Como eles privilegiam o país?

Em 18 meses de gestão tivemos a possibilidade de recebermos 14 missões técnico-científicas de diferentes países que nos visitaram. Com alguns, assinamos protocolos e acordos de cooperação bastante específicos. Com outros, estamos discutindo soluções pontuais de produtos, processos e serviços, que possam dar ênfase a uma futura margem de cooperação, tendo como objeto e foco, sempre, a solução de gargalos apresentados pela indústria nacional na solução de problemas.

Estamos discutindo com países que detêm tecnologia para, inclusive, produzir no Brasil e exportar produtos que sequer fazíamos para o nosso consumo. Isso é um fato auspiciosíssimo. A Rússia, por exemplo, estuda com o Brasil acordos para equipamentos de geoposicionamento. O mercado de geoposicionamento, até hoje, é dominado pelo GPS, sistema americano de posicionamento. O Glonass, que durante certo tempo sofreu atrasos e descontinuidades na sua atualização e finalização está agora em franca expansão. O Brasil, nesse contexto, poderá ser um parceiro da Rússia na divulgação desse sistema, e, mesmo, abrigar estações de referência para melhorar sua precisão na nossa região.

O monitoramento de áreas terrestres é um ponto importante para que um país consiga soberania. A única forma de observarmos grandes áreas é por meio de satélites. O Brasil, juntamente com a China, já lançou três satélites de imageamento - o CBERS – e lançará outro, em breve. Há algum projeto para a construção de satélites de monitoramento com tecnologia essencialmente brasileira?

Em primeiro lugar, podemos citar a capacidade nacional de desenvolvimento de câmeras ópticas, com as que estão sendo concluídas para os satélites Amazônia e CBERS 3 e 4, pela empresa Opto, de São Paulo (SP). Devemos, ainda, considerar a conclusão da Plataforma Multimissão, que, com as câmeras, comporão satélites de observação inteiramente nacionais.

Em paralelo, a AEB anseia por um satélite de monitoramento e vigilância de suas fronteiras e, sobretudo, das regiões inóspitas onde existem dificuldades de termos base militares. Esse satélite, o Sentinela, ainda em fase de concepção, seria resultante de tecnologia desenvolvida por empresas da região de São José dos Campos (SP). Ele tem uma característica extremamente funcional, é pequeno, leve e pode dar conta de resolver problemas imediatos no que concerne à segurança e ao monitoramento do nosso território.

A Agência Espacial Brasileira acredita e apóia os estudantes brasileiros?

A AEB já possui três programas voltados aos estudantes. O AEB Escola destina-se ao público do ensino fundamental e médio e, em especial, à formação continuada de professores, de forma que eles possam incluir a temática espacial nas matérias do currículo escolar, como matemática, física e geografia. Para o público universitário há dois programas: o UNIESPAÇO e Microgravidade.Publicamos editais periódicos para apoiar projetos de grupos de pesquisa dentro de temas de interesse do programa espacial. Os grupos submetem seus projetos a uma banca de seleção e os aprovados recebem suporte para a realização.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pags. 5, 6 e 7

Comentário: Apesar de ter um conceito diferente do senhor Carlos Ganem do que significa um programa espacial completo, já que em minha opinião diferentemente da dele, o Brasil infelizmente não faz parte ainda desse chamado “Clube Espacial”, já que para participarmos desse fechado clube teríamos de ter o domínio da fabricação de satélites e artefatos espaciais, lançá-los em órbita por um foguete próprio e de seu próprio sítio de lançamento, coisa que ainda em parte não foi feito pelo país, conseqüentemente, não temos ainda um programa espacial completo. Quanto a entrevista do presidente da AEB a mesma não acrescenta muita coisa. No entanto, é esclarecedora em dois pontos que gostaria de destacar em meu comentário. O primeiro é com relação ao VLS, ou seja, agora é oficial, não teremos mais em 2010 o primeiro vôo teste do foguete com o primeiro e segundo estágios ativos como estava programado, ficou para 2011. E o segundo ponto é sim uma notícia nova e que vem a público pela primeira vez até onde eu tenha conhecimento. Trata-se do projeto do satélite “Sentinela”, citado pelo presidente da AEB como sendo um satélite de monitoramento e vigilância de fronteiras. Interessante projeto que parece que será desenvolvido por empresas brasileiras e que nos próximos dias estarei buscando na net maiores informações sobre o mesmo para postá-las aqui no blog.

Nova Revisão do PNAE


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) destacando a revisão do “Programa Nacional de Atividades Espaciais” ora em curso.

Duda Falcão

Revisão Contribuirá para o
Desenvolvimento Geopolítico

Programa Nacional de Atividades Espaciais
passará pela sua quarta revisão.
Trabalhos começaram em junho deste ano
e devem se encerrar em fevereiro de 2010

Raíssa Lopes - CCS / AEB

Desde 8 de dezembro de 1994, o Brasil tem uma Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). A política estabelece objetivos e diretrizes a serem materializados nos programas e projetos nacionais relativos à área espacial por meio do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). O objetivo desse programa é capacitar o país para desenvolver e utilizar as tecnologias espaciais na solução de problemas nacionais e em benefício da sociedade brasileira, de modo a propiciar um aumento tangível na qualidade de vida da população. A próxima revisão do Programa será dividida em duas fases. A primeira faz uma retrospectiva e avalia os principais resultados e deficiências do Programa Espacial Brasileiro. Em seguida, haverá a formulação de uma visão de longo prazo e uma política, que buscarão inserir o Programa, de maneira concreta, na estratégia de desenvolvimento social, econômico, geopolítico e tecnológico do país. Para isso, serão envolvidos setores como a sociedade, indústria, academia e quaisquer segmentos interessados no assunto.

“Queremos partir para uma discussão muito maior, que identifique as demandas nacionais em termos de informações e serviços fornecidos por sistemas espaciais e, sobretudo, o papel do Programa e da Agência Espacial Brasileira (AEB) frente aos desafios a serem enfrentados, como por exemplo, as mudanças climáticas e o fortalecimento da soberania do país no cenário geopolítico atual”, ressalta o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Himilcon de Castro Carvalho.

Projetos

A partir dessa análise, que abrange um horizonte de 20 anos, a carteira de projetos do PNAE será revisada, de modo que os satélites, foguetes e infra-estrutura de centros de lançamento e laboratórios sejam alinhados com a nova visão estratégica. “Podemos ter boas surpresas com propostas de novos projetos, de substituição ou adaptação de alguns projetos para que cumpram melhor a sua função ou, mesmo, reestruturações organizacionais, que permitam melhor gestão das atividades espaciais e maior inclusão do setor privado e da sociedade”, completa.

Participarão, de maneira muito intensa, da organização de revisão do Programa os dois organismos executores do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), coordenado pela AEB: O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), subordinado ao Comando da Aeronáutica, do Ministério da Defesa, e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O resultado dessa revisão será submetido, em 2010, ao Conselho Superior da AEB, instância deliberativa da Política Espacial Brasileira, composta por representantes de vários ministérios, indústria e academia, que orientará e acompanhará todos os trabalhos.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pag. 8

Comentário: Para, para, para tudo. PNDAE? A senhora deve está de brincadeira dona Raíssa, ou simplesmente seguindo ordens, o que é mais provável. Esse PNDAE que a senhora se refere nunca foi aplicado para começo de conversa, pois para que isso acontecesse seria necessária a devida operacionalização do documento citado pela senhora conhecido como PNAE. Acontece que o PNAE dona Raíssa, que agora a AEB quer revisar pela quarta vez em 12 anos, deveria ser para um período decenal e pelo seu histórico isso jamais foi respeitado. Os objetivos alcançados pelos PNAEs anteriores são risíveis (motivo de chacota) se comparamos com as vitórias alcançadas por outros países nesse mesmo período de 12 anos, que pela quantidade de PNAEs deveria ser de 30 anos. As maiores vitórias do PEB alcançadas até hoje dona Raíssa, são frutos da antiga MECB. Desde o primeiro PNAE, existem objetivos claros, no entanto, nunca, em momento algum existiu a vontade política de realizá-los e nem o foco necessário para torná-los uma realidade, já que pelo histórico do mesmo, o tempo de vida de cada documento que deveriam ser decenal, nunca ultrapassou os cinco anos. Tome como exemplo o atual PNAE que foi estabelecido para o período de 2005 a 2014. Então, vamos deixar de brincadeira, pois um Programa Espacial é algo muito sério, que envolve muitos recursos de ordem financeira e humana e riscos da mesma forma tão grandes quanto. Quando essas variáveis não são adequadamente levadas em conta pelos gestores do Programa Espacial de uma nação dona Raíssa, podem ocorrer acidentes, como o que ocorreu em 2003 no projeto do VLS, vitimando, ceifando a vida de 21 técnicos brasileiros e causando o maior desastre até hoje com perdas de vidas humanas em toda história da astronáutica. Portanto dona Raíssa, o que precisa realmente ser feito é deixar de papo furado, de politicagem, de jogo de cena e meter a mão na massa. O PNAE atualmente em vigor atende perfeitamente os objetivos do programa se o mesmo for levado com seriedade e competência. E é isto que falta dona Raíssa, ou seja, levar a sério o Programa Espacial Brasileiro. Do jeito que está dona Raíssa, os documentos citados pela senhora valem menos do que um rolo de papel higiênico. Sinceramente dona Raíssa, torço para que em 2020 não estejamos na décima versão do PNAE, discutindo a décima primeira versão desse documento. Leitor, não se surpreenda se nos próximos meses você venha a ler em algum jornal brasileiro a seguinte manchete: "Governo cancela projeto do VLS e planeja novo acordo com a Ucrânia". Vamos aguardar

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Importância do Uso de Foguetes de Treinamento no PEB


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) destacando a importância para o PEB do desenvolvimento de foguetes de treinamento.

Duda Falcão

A Importância do
Foguete de Treinamento

Ten. Cel. Av.
Ricardo Rodrigues Rangel


Há mais de dois mil anos, o homem busca desenvolver novas habilidades para saber como lidar com situações difíceis e complexas. A tônica básica encontrada nestas filosofias, principalmente nas culturas milenares, esta focada no conhecimento completo de toda a situação, incluindo uma análise profunda das diversas possibilidades em função das variáveis encontradas no problema. Em outras palavras, é ser capaz de planejar o difícil enquanto ainda é fácil, é entender o conjunto, enquanto existem apenas alguns pedaços, é conseguir planejar caminhos considerando todas as alternativas que podem se tornar realidade.

No esporte, facilmente observamos este esforço no treinamento dos atletas que se preparam para as Olimpíadas. As características naturais e genéticas destes esportistas não são suficientes para garantir um bom resultado. Apenas os que conseguem planejar e executar um programa completo, levando em conta todos os detalhes do corpo, do esporte e da estratégia, tem condições de alcançar os lugares mais altos do pódio.

Nas atividades espaciais brasileiras, o contexto não é diferente. Há necessidade de prepararmos as equipes envolvidas nas operações de lançamento e de as mantermos em condições de alta performance para que estejam prontas e capazes de participarem, com proficiência, dos atos que estão por se descortinar nos próximos anos no cenário espacial (não podemos ficar desatentos à proximidade dos lançamentos do VLS e do Cyclone).

A forma mais eficiente encontrada para capacitarmos as equipes dos Centros de Lançamentos Brasileiros foi a criação de um projeto específico para o desenvolvimento de foguetes instrumentados de treinamento, com custos inferiores aos atuais veículos suborbitais, tendo como uma de suas premissas básicas a compatibilização dos que estão sendo produzidos com as características técnicas e meios operacionais dos centros, incluindo lançamento a partir dos lançadores de porte médio, telemetria na banda S, transponder na banda C, terminação de vôo, disponibilidade de carga útil para experimentos do interesse do Programa Nacional de Atividades Espaciais – PNAE e possibilidade de incorporação futura de GPS e slante range.

Após o levantamento das capacidades técnicas das empresas brasileiras, em especial das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, o desenvolvimento dos foguetes de treinamento foi iniciado em dezembro de 2008 e se encontra em produção junto à empresa AVIBRÁS, com suporte financeiro do Comando da Aeronáutica (COMAER) e da Agência Espacial Brasileira (AEB), e ainda da gerência do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

O projeto esta sendo desenvolvido de acordo com as normas brasileiras e internacionais de forma a viabilizar a qualificação e a certificação dos veículos, por meio do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), órgão de certificação reconhecido internacionalmente. Os foguetes de treinamento terão propulsores sólidos e cargas úteis instrumentadas, sendo de três tipos distintos:

- Foguete de Treinamento Básico (FTB) - Foguete para treinamento operacional do Centro de Lançamento, de forma isolada, sem participação da estação remota para monitoramento redundante do veículo, instrumentado com telemetria na banda S e apogeu superior a 30 km.

- Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) - Foguete para treinamento operacional do Centro de Lançamento, de forma isolada, sem participação da estação remota para monitoramento redundante do veículo, instrumentado com telemetria na banda S, transponder na banda C, terminação de vôo, e apogeu superior a 60 km.

- Foguete de Treinamento Avançado (FTA) - Foguete para treinamento operacional dos dois Centros de Lançamento, de forma conjunta, sendo um responsável pelo lançamento e o outro pelo monitoramento remoto do veículo e da carga útil (Estação Aval), instrumentado com telemetria na banda S, transponder na banda C, terminação de vôo, e apogeu superior a 160 km.

Os veículos estão sendo projetados para permitirem o lançamento em condições inóspitas, tais como alta salinidade, vento de superfície e balísticos de até 10 m/s e chuva moderada de até 10 mm/h.

Em termos de ensaios, os veículos, desde o básico até o avançado, disponibilizarão de 5 kg a 30 kg de carga útil, com rede elétrica e transmissão por telemetria para os equipamentos de solo, para experimentos de interesse do meio acadêmico e científico.

A fabricação dos foguetes FTB e FTI já se encontra em andamento, com os primeiros lançamentos previstos para agosto de 2009 e abril de 2010, respectivamente. O desenvolvimento dos foguetes FTA acontecerá a partir de janeiro de 2012, com o lançamento previsto para 2013.

A partir das primeiras campanhas de lançamento, cada Centro receberá anualmente cinco FTB e dois FTI, totalizando sete foguetes instrumentados, que permitirão às equipes o treinamento dos procedimentos de montagem, integração, preparação, coordenação, segurança operacional, lançamento e rastreio, incluindo radares e telemetria.

Os treinamentos regulares facultarão aos Centros manterem a operacionalidade para lançamentos suborbitais e orbitais de interesse nacional, com níveis mais altos de segurança e de eficiência, além de viabilizarem avaliações constantes dos meios técnicos, identificação de novos procedimentos e atualização dos equipamentos.

Certamente, novas pesquisas surgirão nas áreas de motores, eletrônica, computação aplicada, radares, telemetria, dinâmica, segurança de vôo e outras de interesse da sociedade. É importante lembrar que cada pequena experiência faz parte de uma caminhada maior que possibilita tornar realidade diversas facilidades que temos hoje em dia, tais como TV por satélite, telefones celulares, posicionamento por GPS e avanços nas áreas de medicina e biologia.

Não há duvidas de que o Programa Espacial Nacional depende de vários fatores, dentre eles a política, a economia, a ciência, a tecnologia e a indústria. Entretanto, apenas o estudo completo de todas as variáveis proporcionará reais condições ao Brasil de alcançar o domínio do espaço.

Ten. Cel. Av. D. Sc. Ricardo Rodrigues Rangel

O Ten. Cel. Rangel é Doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e atualmente exerce o cargo de Chefe da Divisão de Operações do CLBI
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Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pag. 18

Comentário: Nada como um especialista da área para lhe explicar melhor algo que lhe parece não tão convincente. Como o leitor sabe, sempre demonstrei em meus comentários a minha insatisfação e não compreensão da necessidade de se realizar tantas operações de lançamentos com foguetes de treinamento como o Improved Orion americano e os recém lançados FTB. Principalmente por causa da tão conhecida dificuldade de recursos do PEB e pelo fato de achar que as equipes tanto do CLA quanto do CLBI já estarem suficientemente treinadas devido à notória experiência de ambas. No entanto, após ler atentamente esse artigo escrito pelo Tenente Coronel Aviador Ricardo Rangel, sou obrigado a me render as suas colocações e até parabenizar a Aeronáutica e a AEB pela visão estratégica e inteligente neste episódio. Já que as colocações feitas pelo Ten. Cel. Av. Rangel em seu artigo são convincentes em todos os pontos, principalmente no que diz respeito ao uso desses foguetes para experiências científicas e tecnológicas de interesse da comunidade científica brasileira. Criando assim outras plataformas de acesso a altas camadas da atmosfera e do espaço de forma mais barata e num período bem menor de preparação que os foguetes de sondagens atualmente em uso. Ou seja, além do treinamento das equipes e testes dos equipamentos dos Centros, estarão sendo realizados experimentos científicos e tecnológicos de interesse da sociedade brasileira justificando assim a meu ver o seu investimento.

O Centro de Lançamento de Alcântara se Moderniza


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) destacando a modernização da infra-estrutura do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) que está atualmente em curso.

Duda Falcão

CLA
Em Busca da Modernização

Seção de Comunicação Social / CLA

Foto: Ricardo Labastier
Casa Mata e Setor de Lançamento

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) realiza missões de lançamentos para treinar equipes e testar novos sistemas operacionais.

Modernizar os sistemas operacionais e preparar novas condições de infra-estrutura para receber empreendimentos de grande importância para o Programa Espacial Brasileiro. Assim pode ser definida a fase atual do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão – considerada a melhor localização do mundo para operações de lançamentos. A modernização, iniciada em meados de 2007, substituiu alguns equipamentos nos sistemas de radares e telemetria com o objetivo de aperfeiçoar o monitoramento dos foguetes.

Ainda com relação a essa nova fase, o CLA ainda estará realizando até o mês de novembro campanhas de lançamentos de três foguetes, classificados nos níveis básicos, intermediário e avançado. O cronograma de atividades do centro prevê o lançamento de um foguete de médio porte que integra o Programa de Microgravidade. Outro grande desafio do CLA, que já está em andamento, é a reconstrução da Torre Móvel de Integração (TMI), utilizada para lançamentos de grande porte, como é o caso do Veículo Lançador de Satélites (VLS).

As obras físicas da Torre ou da Plataforma de Lançamento, como é mais conhecida, já foram iniciadas e estão sendo executadas pelo consórcio Jaraguá / Lavitta, vencedor da licitação. Com consultoria de técnicos russos, a TMI é uma nova versão do modelo destruído durante o lançamento do VLS em 2003. A plataforma esta orçada em R$ 37 milhões, com destaque para as atualizações no reforço nos equipamentos de segurança e sistemas elétricos. A plataforma terá 30 metros de altura, dimensões adequadas para o lançamento do VLS e de foguetes de maior porte.

As operações espaciais, com fins de treinar equipes e checar os sistemas operacionais, são pontos-chaves na preparação do CLA para suprir as necessidades de empreendimentos importantes para o país. Além dos sistemas operacionais, o Centro esta passando por uma reforma na infra-estrutura para atender as necessidades da empresa Alcântara Cyclone Space.

Foto: Ricardo Labastier
Área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pag. 20

Comentário: Importantes obras de infra-estrutura e modernização de equipamentos do CLA, cruciais que são para a operacionalidade do Programa Espacial Brasileiro. No entanto, a matéria está desatualizada quanto ao local das próximas campanhas de lançamentos, que já não serão mais realizadas do CLA, sendo todas transferidas para o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno em Natal, até uma segunda ordem. Essa mudança foi necessária justamente devido às obras da Torre Móvel de Integração (TMI) que está atualmente em curso no CLA. Interessante também notar a informação passada pela matéria que nos leva a entender de que a TMI não está sendo construída para o uso exclusivo do VLS-1 e que também será usada para foguetes de maior porte. Isso significa que felizmente não teremos de passar tão cedo por outra novela como da TMI em construção (capitulo final marcado para algum mês do segundo semestre de 2010), caso os projetos dos foguetes VLM, VLS-1B e VLS-1C venham a sair do papel.

Brasil e Ucrânia Fortalecem Relações


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Jul., Ago e Set. de 2009) sobre a reunião de uma delegação ucraniano-brasileira com a ministra-chefe da Casa-Civil, Dilma Rousseff, para defender a inclusão do projeto do Cyclone-4 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC ).

Duda Falcão

Brasil e Ucrânia Fortalecem Relações

André Barreto / ACS

O diretor-geral da Agência Nacional Espacial da Ucrânia (NSAU), Oleksandr Zinchenko, e o embaixador da Ucrânia no Brasil Volodymyr Lakomov, fazem questão de reafirmar o comprometimento entre Brasil e Ucrânia sempre que citam a Binacional Alcântara Cyclone Space. Em visita recente ao Brasil, o diretor esteve reunido com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim e com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, juntamente com a sua delegação e com os diretores-gerais da Binacional, Roberto Amaral (Brasil) e Oleksandr Serdyuk (Ucrânia) e com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem.

A ministra da Casa Civil recebeu a delegação ucraniano-brasileira para tratar da inclusão do projeto Cyclone-4 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ela prometeu advogar em favor do projeto considerando-o como prioridade para o governo federal. A inclusão no PAC servirá, entre outras coisas, para acelerar o processo de licença ambiental da área onde o lançamento será feito. A intenção da ACS é iniciar as obras de terraplanagem até o final deste ano e realizar o primeiro lançamento, chamado de “vôo de qualificação”, no segundo semestre de 2010. O primeiro lançamento comercial está previsto para 2011.

Roberto Amaral destacou que a inclusão no PAC é fundamental para o cumprimento das datas estabelecidas no cronograma do projeto. “A ministra prometeu advogar pessoalmente junto ao presidente Lula. Incluir [nosso projeto] no PAC mostra que o projeto é prioritário para o país”, disse. Até o final de 2009, o presidente da Ucrânia, Victor Yuschenko, deve vir ao Brasil para encontra-se com o presidente Lula.

Com os ministros da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e da Defesa, Nelson Jobim, falaram sobre o fortalecimento da cooperação entre os dois países. Oleksandr Zinchenko saiu satisfeito com o resultado dos encontros e convidou o ministro para visitar a Ucrânia nos próximos meses. “Foi uma visita sem precedentes no entendimento das ações. Começamos a ter uma cooperação internacional em um nível compatível com o projeto. Saio desses encontros com o sentimento de que todos tem o real entendimento sobre a necessidade do programa”, avaliou. O ministro Sergio Rezende agradeceu o convite e disse pretender visitar o país quando o Cyclone-4 estiver próximo de ser concluído.

Zinchenko informou ainda que, ao retornar para a Ucrânia, vai elaborar um plano de trabalho a ser apresentado às autoridades brasileiras. A intenção é encaminhar uma proposta para avaliação. “Devemos manter um relacionamento mais próximo e não podemos perder a chance de ampliar o programa. As visitas me deram o mais importante, que foi a certeza absoluta de que estamos no caminho certo”, disse.

Para o embaixador Volodymyr Lakomov, a Alcântara Cyclone Space é imprescindível para as relações bilaterais entre os dois países. “O Cyclone-4 é a locomotiva das relações bilaterais entre Brasil e Ucrânia”, disse. Lakomov diz que a proximidade entre os dois países cresce a cada dia em vários setores, como o cultural, o esportivo e o econômico.

Ministra-chefe da Casa-Civil, Dilma Rousseff, recebeu a
delegação ucraniana: projeto Cyclone-4 pode ir para o PAC


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 06 - Ano 2 - Jul., Ago. e Set. de 2009 - Pag. 23

Comentário: Encontro político onde de um lado estavam os ucranianos muito preocupados em solucionar os entraves de um acordo que eles não entendem o motivo de tanto atraso e do outro lado os políticos brasileiros acostumados em seu dia-a-dia a muito jogo de cena, muita politicagem, holofotes e pouca ação. Desde essa reunião (por volta do final de abril e inicio de maio) praticamente nada foi resolvido, se resumindo ao lançamento do edital e a divulgação das empresas pré-qualificadas (veja aqui a nota ACS Divulga Empresas Pré-Qualificadas para Obras) para 1ª Etapa da Concorrência para as obras do sítio de lançamento do Cyclone-4. No entanto, nada disso adianta, pois com PAC ou sem PAC o mais importante que são as licenças ambientais ainda não foram liberadas pelo IBAMA e sem elas, não tem obra certa. Uma vergonha.