domingo, 31 de maio de 2009

Plataforma de Lançamento do Cyclone 4


Segue abaixo leitor uma nota postada em outubro de 2006 no site Hypescience.com abordando informações sobre a plataforma de lançamento do foguete Cyclone 4.

Duda Falcão

Empresa Ucraniana Termina Fabricação de Plataforma para Alcântara

16/10/2006

Estadão - A empresa ucraniana Dneprotiazhmash está terminando a fabricação da Plataforma de Lançamento de foguetes Ciclone-4 e dos correspondentes equipamentos terrestres para a base de Alcântara, que fica no Maranhão.

O envio das peças e equipamentos estará pronto em meados de 2007, disse neste domingo à imprensa Yuili Dragomiretski, diretor do consórcio aeroespacial ucraniano.

O desenho e os projetos das instalações e equipamentos foram feitos pelo escritório de engenharia Yuzhnoye, e o consórcio Dneprotiazhmash está encarregado da fabricação dos 63 componentes, que pesam 68 toneladas, e dos seis blocos de equipamentos, com 360 toneladas, para o conjunto de lançamento, disse.

Dragomiretski não informou o valor do contrato, cuja parte financeira, lembrou, é mantida em segredo.

A Plataforma de Lançamento Alcântara prevê aproveitar a privilegiada posição do Brasil para utilizar os foguetes Ciclone 4 na colocação de satélites em órbitas circulares baixas e médias e em órbitas provisórias, de onde os aparelhos espaciais serão recolocados em posições geoestacionárias.

Por trás do projeto, está a empresa mista ucraniano-brasileira Alcântara Ciclone Space, da qual ambos os países têm participação de 50%. A empresa foi criada este ano com capital de fundação de US$ 105 milhões.

A parte ucraniana é representada pela Fundação de Propriedades do Estado e a brasileira pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

O Ciclone 4 é a última versão do foguete propulsor Ciclone, amplamente utilizado pela Rússia para colocar em órbita vários satélites de lançamento único.

Em outubro de 2003, o Brasil assinou um acordo de cooperação com a Ucrânia que permitirá à república ex-soviética utilizar a base de Alcântara para os lançamentos do Ciclone 4, e em troca dará assistência técnica ao Brasil para o desenvolvimento de seus próprios propulsores.

A base de Alcântara, a 53 quilômetros de São Luís, no Maranhão, é o centro de lançamento de foguetes mais próximo à linha do equador, razão pela qual os aparelhos que partem do local aproveitam ao máximo a rotação da Terra, o que permite economizar 30% de combustível.


Fonte: Estadão via site Hypescience.com

Comentário: Essa nota foi postada há quase três anos o que me leva a acreditar que a plataforma de lançamento e os correspondentes equipamentos terrestres para a base de Alcântara já estejam prontos. Sendo assim, não serão empecilhos para o previsto lançamento de teste do foguete em dezembro de 2010. No entanto, caberá a parte brasileira resolver os problemas das obras de modernização de Alcântara para poder assim acolher os respectivos equipamentos ucranianos.

Tecnologia Espacial a Serviço da Sociedade


Segue abaixo uma matéria publicada na Revista Espaço Brasileiro, de abril, maio e junho de 2008, abordando uma tecnologia espacial desenvolvida para satélites pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que foi repassada para indústria de fornos de padaria.

Duda Falcão

Tecnologia Vinda do Espaço


Café da manhã: cheirinho de café e pão quentinho na mesa. Para garantir as cenas de todas as manhãs na maioria das mesas brasileiras, milhares de padarias espalhadas no Brasil amanhecem o dia assando milhões de pãezinhos. O que muita gente não sabe é que para facilitar o cozimento dos pães, uma alteração nos fornos de padaria passou por um experimento do Programa Espacial Brasileiro.

A pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Márcia Mantelli, com sua equipe, desenvolveu um aparelho chamado minitubos de calor que, ao ser colocado nos fornos de padaria, ajudou a distribuir de forma uniforme o calor garantindo o cozimento rápido e constante do pãozinho nosso de cada dia. Segundo Mantelli, esse aparelho já foi passado a indústria. “Os minitubos não servem apenas para fornos de padaria mas, principalmente, para equilibrar a temperatura de satélites”, explicou a pesquisadora.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já esta negociando com a UFSC para utilizar esse equipamento nos satélites nacionais.

Esse experimento fez parte do Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB), que incentiva universidades e institutos de pesquisa a desenvolverem experimentos em ambiente de microgravidade (parecida com a encontrada fora da atmosfera).

A gerente do Programa, Marta Humann, explica que qualquer instituição de ensino superior e pesquisa pode participar. Para isso, basta elaborar um projeto em que seja comprovada a necessidade de microgravidade ou de qualificação em vôo suborbital. “Pode ser elaborado um experimento em qualquer área do conhecimento”, disse.

Com o experimento elaborado, o próximo passo é inscrevê-lo em um dos Anúncios de Oportunidade (AO) divulgados pela AEB, um edital que escolhe os projetos participantes do programa. Nesses editais são divulgados uma série de pré-requisitos que os experimentos precisam apresentar, como peso e finalidade.

Casa proposta é avaliada em duas etapas. Na primeira, a Comissão Organizadora - composta pela AEB, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) - avalia a viabilidade de cada projeto. Na segunda etapa, a ABC indica um assessor técnico para cada tema, afim de avaliar o mérito científico, a capacidade da instituição de desenvolver o projeto, a qualificação da equipe e o orçamento.

No ano passado foi lançado o terceiro AO, quando houve 28 experimentos inscritos e 13 foram aprovados na primeira etapa. Nesse anúncio, cada projeto aprovado poderá gastar com insumos e pesquisas cerca de R$ 100 mil. “Não é permitida a inclusão de gastos com pessoal”, avisa Humann.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - Num. 4 - abr, mai, jun de 2008 - Pág: 19

Comentário: Essa matéria comprova um dos benefícios que um programa espacial pode trazer ao país que decide por investir em atividades espaciais. Claro que a conquista exemplificada, não alterará muita coisa no dia-a-dia do brasileiro, mas indica que o programa espacial tem muito ainda a fazer e certamente será responsável por conquistas ainda mais benéficas para a sociedade brasileira.

sábado, 30 de maio de 2009

Força Tarefa Espacial - Autoridades


Segue abaixo leitor (para que vocês possam ficar mais informados) uma lista com informações sobre as autoridades que comandam as instituições e órgãos do Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA - MCT


Ministro: Sergio Machado Rezende

Formado em Engenharia Eletrônica (PUC-RJ), recebeu título de mestre (1965) e doutor (1967) pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, por seu trabalho com materiais magnéticos.

Rezende foi professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para onde foi, em 1972, coordenar a implantação dos primeiros grupos de pesquisa na área de Física.

Esse trabalho serviu como base para a criação do curso de Mestrado daquela instituição em 1973, do Departamento de Física em 1974 e do curso de Doutorado em 1975. Foi diretor do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPE e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Física (1985-1987), tendo coordenado estudos que levaram à publicação dos livros A Física no Brasil e A Física na Próxima Década.

Suas atividades públicas fora do meio acadêmico iniciaram-se em 1986, quando assessorou o governo de Miguel Arraes, em Pernambuco, na área de C&T. Em 1989, participou ativamente das articulações que levaram à criação da primeira FAP do Nordeste, a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). No período 1995-1998 foi secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do estado de Pernambuco. Depois de um período como secretário do Patrimônio, Ciência e Cultura da Prefeitura de Olinda (PE), em 2001-2002, Rezende assumiu, em janeiro de 2003, a presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). Em julho de 2005, deixou a Finep para assumir o cargo de ministro da Ciência e Tecnologia


MINISTÉRIO DA DEFESA - MD


Ministro: Nelson Jobim

Formação Acadêmica:

Curso de Graduação: Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS (1964 a 1968).

Exercício da Advocacia:

De 1969 a 1994.

Funções Públicas:

- Deputado Federal pelo PMDB do RS (1987 - 1991)
- Deputado Federal pelo PMDB do RS (1991-1995).

Atividades Parlamentares:

- Líder do PMDB na Assembléia Nacional Constituinte, em 1988.
- Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em 1989.
- Relator da Revisão Constitucional (1993 e 1994).

Poder Executivo:

- Ministro de Estado da Justiça do Governo Fernando Henrique Cardoso (1995- 1997).

Poder Judiciário:

- Ministro do Supremo Tribunal Federal, nomeado em 07 de abril de 1997
- Ministro Efetivo do Tribunal Superior Eleitoral.
- Vice-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, 06 de março de 2001.
- Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, 11 de junho de 2001.
- Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal, posse em 05 de junho de 2003.
- Presidente do Supremo Tribunal Federal, posse em 03 de junho de 2004.
- Presidente do Conselho Nacional de Justiça, posse em 14 de junho de 2005.

Atividades Acadêmicas Exercidas:

- Professor Adjunto do Departamento de Direito da Universidade Federal de Santa Maria, RS, lecionando Direito Processual Civil, Introdução ao Direito e Filosofia do Direito. (1973 – 1987).
- Vice-Presidente do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção do Rio Grande do Sul na gestão (1984 – 1986)
- Ex-Professor Adjunto da Fundação Universidade de Brasília (UnB), a partir de 1º de abril de 1987.
- Membro do Instituto de Direito do Trabalho do Mercosul, a partir de agosto de 2001.
- Membro do Conselho Consultivo Internacional do Fórum das Américas, a partir de 21 de novembro de 2001.
- Membro da Academia Internacional de Direito e Economia. 1997.


AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA - AEB


Presidente: Carlos Ganem

Brasileiro, Economista, Advogado e Administrador de Empresas, com MBA pela COPPEAD/UFRJ, tem exercido funções executivas em empresas públicas e privadas, sendo servidor da FINEP, desde dez. 1982.

Os últimos 25 anos podem ser assim resumidos:

- Superintendente de Articulação Institucional – ARTI/FINEP. maio. 2003 até mar 2008.
- Chefe de Departamento da Região Nordeste – DENOR, da Área de Inovação para o Desenvolvimento Regional - ADRE/FINEP. mar. 2001/ mai. 2003;
- Chefe do Departamento de Agentes e Parceiros Operacionais – AGEN / FINEP. ago.1999/ mar.2001;
- Profissional Sênior da Área de Marketing e Representação da FINEP. mar.1995/ago.1999;
- Assessor Especial da Presidência da EMBRATEL, durante a Gestão Renato Archer. ago.1993/ fev.1995;
- Profissional Sênior da Área de Planejamento da FINEP. mar.1990/ ago.1993;
- Assessor Especial da Presidência da DATAPREV, durante a gestão Evandro B. Milet. nov.1988/ fev.1990;
- Chefe do Departamento de Infra-Estrutura, Energia e Engenharia- DIE / FINEP. mar. 1986/ nov.1988;
- Técnico Sênior da Área Operacional da FINEP, tendo atuado em diferentes Segmentos e Programas da Empresa. mar.1982/ mar.1986.

Outras Atividades

- Tem experiência como consultor e já trabalhou para as Agências Internacionais BID, UNIDO, FAO E PNUD, em diferentes oportunidades e em diferentes países da América Latina, Caribe e África, na formulação de estratégias, diagnósticos e relatórios, alguns dos quais publicados;
- Professor visitante de “Gestão e Análise de Projetos”, da EIAP / FGV- Rio;
- Professor convidado da Fund.Centro Estudos do Com.Exterior – FUNCEX Rio;
- Gestor de empresas privadas, nos Setores Comércio, Indústria e Serviços, tendo sido titular de firmas, interventor e saneador de empresas em dificuldades;
- Especialista em Exportação de Serviços de Engenharia, tendo atuado como “Profissional Sênior” da Gerência de Serviços de engenharia da INTERBRÁS – PETROBRÁS Comércio Internacional;
- Dirigente do CEBRAE, ao tempo da Sociedade Civil, constituída em 1972, como Centro Brasileiro de Assistência Gerencial à Pequena e Média empresa, sendo seu 1º empregado e redator dos seus Estatutos;
- Assessor para Assuntos Financeiros da Diretoria Econômico-Financeira da Cia Telefônica Brasileira – CTB, antecessora da TELERJ e da atual TELEMAR;
- Técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, atual BNDES, na Área de Operações Especiais, onde entrou como Estagiário.


COMANDO DA AERONÁUTICA - COMAER


Comandante: Tenente - Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito

Promoções:

- Aspirante - 20 DEZ 1965
- 2° Tenente - 10 JUL 1966
- 1° Tenente - 23 OUT 1968
- Capitão - 31 MAR 1971
- Major - 30 ABR 1975
- Tenente-Coronel - 31 AGO 1981
- Coronel - 31 AGO 1988
- Brigadeiro-do-Ar - 31 MAR 1995
- Major-Brigadeiro-do-Ar - 31 JUL 1999
- Tenente-Brigadeiro-do-Ar - 31 MAR 2003

Cursos Acadêmicos:

- Curso de Formação de Oficiais Aviadores
- Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais
- Curso Superior de Comando e Estado-Maior
- Curso de Preparação de Instrutor da ECEMAR
- Curso de Política e Estratégia Aeroespacial da ECEMAR

Cursos Operacionais:

- Curso Operacional de Piloto de Caça
- Curso de Piloto Operacional em Transporte Aéreo

Principais Cargos:

- Todas as funções inerentes à unidade aérea de caça no 1°/14° Grupo de Aviação, em Canoas
- Chefe de Operações e Comandante do Segundo Esquadrão do Grupo de Transporte Especial
- Chefe de Operações do 3°/10° Grupo de Aviação, em Santa Maria
- Assessor Técnico e Instrutor de Vôo Junto à Força Aérea Paraguaia, em Assunção
- Instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica
- Comandante do 1°/14° Grupo de Aviação
- Comandante da Base Aérea de Canoas
- Adido Aeronáutico junto à Embaixada do Brasil na Inglaterra e acreditado junto aos Governos da Suécia e da Noruega
- Chefe do Estado-Maior do Comando-Geral do Ar
- Comandante do Comando Aéreo de Treinamento
- Comandante do Segundo Comando Aéreo Regional
- Comandante do Quinto Comando Aéreo Regional
- Comandante-Geral de Apoio
- Comandante-Geral de Operações Aéreas
- Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica

Experiência de Vôo:

- Possui mais de 6.000 horas de vôo

Aeronaves Voadas:

- TF-33, F-80, T-37, VU-93, C-91, C-95, AT-26, F-5 (TIGER II) e F-103 (MIRAGE III)

Condecorações:

- Ordem do Mérito Aeronáutico, grau de "Grã-Cruz" - 10 OUT 2003
- Ordem do Mérito Judiciário Militar – grau “Grã-Cruz” - 31 MAR 2002
- Ordem do Mérito Rio Branco – grau “Grã-Cruz” - 24 ABR 2007
- Ordem do Mérito Ministério Público Militar – grau “Grã-Cruz”- 17 MAIO 2007
- Ordem do Mérito Cartográfico – grau “Grã-Cruz”
- Ordem do Mérito do Paraguai – grau “Grã Cruz”
- Medalha Mérito Aeronáutico – grau “Grã-Cruz” – Força Aérea Boliviana - 12 OUT 2007
- Ordem do Mérito da Defesa, grau de "Grã-Cruz"
- Ordem do Mérito Naval, grau de "Grande Oficial" - 26 MAIO 2003
- Ordem do Mérito Militar, grau de "Grande Oficial" - 31 MAR 2006
- Ordem do Mérito Forças Armadas - grau de "Comendador" - 09 JUL 1996
- Medalha Militar de Ouro com Passador de Platina - 10 AGO 2000
- Medalha Mérito Santos-Dumont - 17 JUL 1973
- Medalha Mérito Tamandaré - 16 DEZ 1991
- Medalha do Pacificador - 22 JUN 1978
- Ordem da Cultura de Curitiba/PR - grau “Comendador” - OUT 2008
- Medalha Mérito Farroupilha - concedida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
- Medalha Mérito Negrinho do Pastoreiro - concedida Pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul
- Medalha da Inconfidência - Grande Medalha - concedida pelo Governo do Estado de Minas Gerais
- Medalha Alferes Joaquim José da Silva Xavier "Tiradentes" - concedida pela Polícia Militar do Distrito Federal
- Medalha de Defesa Civil do Governo do Estado do Rio Grande do Sul
- Medalha da Aeronáutica da Força Aérea Paraguaia
- Medalha da Vitória - 25 MAIO 2005
- Medalha do Mérito Policial Luiz Gonzaga – PM do Rio Grande do Norte
- Medalha Pernambucana do Mérito Bombeiro Militar - 04 SET 2001
- Medalha Santos-Dumont do Estado de Minas Gerais
- Medalha Tiradentes da PM do Distrito Federal - 17 MAIO 2006- Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais - 05 OUT 1967
- Medalha do Mérito da Aviação de Segurança Pública – Rio de Janeiro - 25 JUN 2007
- Medalha Tiradentes da Polícia Civil – Estado do Rio Grande do Sul - 03 DEZ 2007
- Medalha Mérito Cultural da Magistratura do Brasil - OUT 2008
- Piloto “Honoris Causa” da Força Aérea Paraguaia - 27 OUT 1981
- Título Honorário de Cidadão Parnamirinense – Câmara Municipal de Parnamirim – RN
- Título Honorário de Cidadão Natalense – Câmara Municipal do Rio Grande do Norte
- Título Honorário de Cidadão Catarinense – Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina
- Título Honorário de Cidadão Brasilense – Câmara Legislativa do Distrito Federal
- Título Honorário de Cidadão Guaratinguetaense - Câmara Municipal de Guaratinguetá - SP


COMANDO-GERAL DE TECNOLOGIA AEROESPACIAL - CTA


Comandante: Major - Brigadeiro-do-Ar Ronaldo Salamone Nunes

Promoções:

- Aspirante - 16 DEZ 1974
- 2° Tenente - 31 AGO 1975
- 1° Tenente - 31 AGO 1977
- Capitão - 31 AGO 1980
- Major - 31 AGO 1984
- Tenente-Coronel - 25 DEZ 1991
- Coronel - 25 DEZ 1996
- Brigadeiro-do-Ar - 31 MAR 2003
- Major-Brigadeiro-do-Ar - 31 MAR 2006

Cursos Acadêmicos:

- Curso de Formação de Oficiais Aviadores;
- Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAP);
- Curso de Estado-Maior e Curso Superior de Comando (ECEMAR);
- Curso de Preparação de Instrutor da ECEMAR;
- Curso de Política e Estratégia Aeroespaciais;
- Curso de Gestão Administrativa da Fundação Getúlio Vargas; e- Mestre em Ciências Aeronáuticas pela Universidade da Força Aérea.

Cursos Operacionais:

- Curso de Tática Aérea;
- Curso de Piloto de Caça;
- Curso de Líder de Esquadrilha e de Esquadrão de Caça; e- Curso de Chefe Controlador de Defesa Aérea.

Principais Cargos:

- Oficial de Segurança de Vôo;
- Instrutor de Vôo na Missão Técnica Aeronáutica do Brasil em Assunção - Paraguai;
- Comandante do Esquadrão de Comando da Base Aérea de Fortaleza;
- Comandante do Grupo de Serviços da Base Aérea de Canoas;
- Comandante do 4º/1º Grupo de Comunicações e Controle da Base Aérea de Santa Maria;
- Chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de Manaus;
- Membro da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate AM-X;
- Chefe da Representação Militar Aeronáutica Brasil-Itália;
- Gerente do Programa AM-X;
- Chefe da Terceira Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica;
- Chefe do Sub-departamento de Desenvolvimento e Programas do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento;
- Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate; e Diretor do Centro Técnico Aeroespacial.

Experiência de Vôo:

- Possui mais de 3.500 horas de vôo.

Condecorações:

- Ordem do Mérito da Defesa, grau de "Comendador";
- Ordem do Mérito Aeronáutico, grau de "Grande-Oficial";
- Ordem do Mérito Naval, grau de "Comendador";
- Ordem do Mérito Militar, grau de "Comendador";
- Ordem do Mérito Forças Armadas, grau de "Comendador";
- Ordem do Mérito Judiciário Militar;
- Medalha Mérito Santos-Dumont;
- Medalha Mérito Tamandaré;
- Medalha Militar de Ouro;
- Medalha da Vitória;
- Medalha do Pacificador;
- Medalha de Honra da Inconfidência;
- Ordem do Mérito Militar da Força Aérea Paraguaia;

Cargo Atual:

- Comandante-Geral Interino do CTA - CTA

Assumiu o CTA em 06 de fevereiro de 2009


INSTITUTO DE AERONÁUTICA E ESPAÇO - IAE


Diretor: Coronel - Engenheiro Francisco Carlos Melo Pantoja

Foi declarado Primeiro Tenente, em 20 de dezembro de 1979, e promovido ao atual posto em 30 de abril de 2005.

Possui todos os cursos de carreira, entre eles o Estágio de Atualização em Política e Estratégia Aeroespaciais pela ECEMAR, Engenharia Eletrônica pela Universidade Federal do Pará, Engenharia de Armamento Aéreo pelo ITA e de Master of Science em Engenharia Eletrônica pela Naval Postgraduate School nos Estados Unidos da América.

Dentre os principais cargos exercidos, estão os de Chefe da Subdivisão de Coordenação e Tecnologia do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, Chefe da Subdivisão de Apoio Técnico da Divisão de Sistemas Bélicos do IAE, Chefe da Divisão de Integração e Ensaios do IAE, Instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica e Chefe da Divisão de Ensino e Pesquisa da Subdiretoria de Empreendimentos do CTA.

O Coronel Pantoja recebeu as seguintes condecorações: Medalha Militar de Prata, Medalha Mérito Santos-Dumont e Ordem do Mérito Aeronáutico, grau de "Cavaleiro".


INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS - INPE


Diretor: Gilberto Câmara

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), Gilberto Câmara está no INPE desde 1980. Fez mestrado e doutorado em Computação no INPE. Como coordenador geral de Observação da Terra, esteve envolvido no desenvolvimento de importantes softwares de sensoriamento remoto e processamento de imagens de satélites, como o SPRING, e das metodologias dos projetos DETER e PRODES, usados na detecção e monitoramento do desmatamento da Amazônia.

Nesse período, também foi responsável pelo estabelecimento de uma política de acesso livre aos dados do INPE sobre desmatamento e às imagens do satélite CBERS. Esta política resultou na distribuição de 200 mil imagens do CBERS entre maio/2004 e maio/2006.

Na área acadêmica, o diretor do INPE publicou quatro livros e produziu mais de 120 artigos, além de ser orientador de diversos trabalhos de mestrado e doutorado. Professor em quatro cursos de pós-graduação nos programas de Sensoriamento Remoto e Computação Aplicada do INPE, Câmara é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (produtividade em pesquisa), além de consultor de instituições renomadas na área de ciência e tecnologia.


ALCÂNTARA CYCLONE SPACE - ACS


Diretor Geral Brasil: Roberto Amaral

Cargo Político:

Ex- Ministro da Ciência e Tecnologia















INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS - IEAv


Diretor: Coronel - Eng Marco Antonio Sala Minucci


Fonte: Sites do MCT, MD, AEB, FAB, CTA, IAE, INPE, ACS e IEAv

Comentário: Pois é leitor, essa é a atual galera da Força Tarefa Espacial do Programa Espacial Brasileiro.

Torre Móvel de Integração


Uma vez mais com a ajuda do Pedro (ao qual agradeço mais uma vez), leitor assíduo do blog “Panorama Espacial” do amigo André Mileski, fique sabendo sobre uma matéria postada no site globo.com (imirante.com) abordando informações sobre a TMI - Torre Móvel de Integração do Projeto VLS. Segundo a matéria que tem como assunto principal a Operação Maracati 1 (veja a matéria na integra pelo Link: http://imirante.globo.com/noticias/pagina200640.shtml) a torre começará a ser construída a partir do próximo mês de junho, com uma outra concepção de segurança e um investimento de R$ 40 milhões. Também está programado, ainda para este ano, o início da modernização das salas de controle do CLA, que deverá custar aproximadamente R$ 22 milhões. Em breve postarei maiores informações sobre a concepção e construção dessa torre, importante passo para a realização do projeto do Veículo Lançador de Satélites - VLS e até do Programa Cruzeiro do Sul de lançadores de satélites.

Duda Falcão

Comentário: Pensei que essa torre já estivesse em construção, já que o ultimo documento relativo a ela, havia sido assinado no inicio desse ano. Não me recordo quando, mas deve ter sido em janeiro ou fevereiro. Bom, caso realmente a construção da torre se inicie em junho (como a matéria sugere), sinceramente não acredito que o primeiro vôo tecnológico do VLS (VLS-1 XVT 01) venha ocorrer em dezembro de 2010 como está programado. Quem sabe se o CTA/AEB não me surpreende dessa vez? Torço por isso. Vamos aguardar.

Modernização do CLA e do CLBI


Segue abaixo leitor informações sobre os melhoramentos que foram e ainda serão feitos pela empresa Omnisys no CLA - Centro de Lançamento de Alcântara e no CLBI - Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal-RN, visando a modernização desses centros de lançamento para as futuras missões do Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão


Descrição

O Brasil possui dois centros de lançamento de foguetes, um localizado em Natal – RN (Centro de Lançamento da Barreira do Inferno) e outro localizado em Alcântara – MA (Centro de Lançamento de Alcântara).

Esses centros possuem diversos sensores (radares de trajetografia, estações de telemedidas, etc) destinados a acompanhar, supervisionar e controlar a trajetória dos foguetes de forma a assegurar o sucesso das missões de lançamento.

A Omnisys realizou e vem realizando diversos projetos destinados a modernizar os atuais sensores. Também vem desenvolvendo uma nova Estação de Telemetrias para atuar como um sistema redundante.

1 - MODERNIZAÇÃO DA ATUAL ESTAÇÃO DE TELEMEDIDAS DE ALCÂNTARA :

Os serviços de modernização da estação de telemedidas do Centro de Lançamento de Alcântara compreenderam:

Sistema de posicionamento da Antena de Telemedidas banda S (10 metros):

Para esse sistema a Omnisys realizou o projeto, desenvolvimento e instalação de um novo comando do sistema de posicionamento da antena banda S (10 metros) para substituir o antigo sistema que se encontrava obsoleto.

Fonte de Alimentação do Comando da Antena de Telemedidas banda S:

Esta atividade compreendeu o retrofit das partes mecânicas, realinhamento e modernização dos circuitos elétricos, redimensionamento e substituição dos transformadores e relés, projeto e implementação de alarmes e indicadores para supervisão, controle e análise do comportamento da fonte.

Fonte Primária da Antena de Telemedidas:

Projeto, desenvolvimento, fabricação e instalação de novos pré-amplificadores (LNA) banda S e fabricação do conjunto de dipolos cruzados para a fonte primária da antena.

Revitalização dos circuitos de alta freqüência da estação de Telemedidas em banda P:

Esta atividade compreendeu os serviços de desinstalação da antena e dos circuitos de alta freqüência, revisão, manutenção e ajuste desses circuitos, levantamento do diagrama da antena e culminou com a re-instalação e operacionalização do sistema.

2 - NOVA ESTAÇÃO DE TELEMEDIDAS DE ALCÂNTARA :

Desenvolvimento de uma estação de Telemedidas em banda S:

Essa atividade compreende o projeto, desenvolvimento, a fabricação e a instalação de uma Estação de Telemedidas em banda S, que além de permitir que a redundância necessária a esse tipo de aplicação seja alcançada, também aumentará significativamente a segurança das operações do Centro, principalmente no acompanhamento do foguete quando o mesmo se encontrar na rampa e nos primeiros instantes do lançamento.

3 - RADARES DE TRAJETOGRAFIA BEARN, ATLAS E ADOUR :

Os serviços realizados pela Omnisys nos radares de trajetografia dos Centros de Lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno compreenderam:

Realinhamento dos radares:

Realinhamento elétrico e mecânico dos radares incluindo o reparo dos módulos e cartões em pane, a substituição dos itens mecânicos danificados, os ajustes e testes de verificação de desempenho. Também foi feito o projeto, desenvolvimento e instalação de um novo oscilador local a estado sólido (VCO) em substituição da válvula osciladora carcinotron.

Guias de onda:

Atividade desenvolvida para os radares do Centro de Lançamento de Alcântara, englobou a desmontagem de todos os trechos de guias-de-onda, a verificação e recuperação dos banhos de prata, a troca dos os anéis condutores, substituição dos anéis de vedação, verificação e reparo ou substituição das flanges, montagem e testes operacionais do radar.

Sistemas de visualização e consoles operacionais:

Modernização dos sistemas de visualização e da consoles operacionais dos radares do Centro de Lançamento de Alcântara, com a automatização dos controles dos radares, atuação dos comandos de modo digital e por software. Dotação do sistema com arquivos de log para o registro das ocorrências de falhas do sistema e de operação do radar, além da implementação de um sistema de tempo universal.

Moduladores dos transmissores dos radares:

Projeto, desenvolvimento, fabricação e instalação de um modulador de pulsos a estado sólido para os transmissores dos radares Atlas, Adour e Bearn em substituição a antiga válvula moduladora thyratron. Essa solução permite que o radar opere com dois pulsos de, no mínimo, 0,8 µs e com um intervalo entre eles de aproximadamente 10µs. Além disso, foram incorporados novos e modernos circuitos de alta tensão, circuitos de limitação de carga e transformadores de pulso

Módulo de Telemetria e Codificação:

Projeto, desenvolvimento, fabricação e instalação de um novo Módulo de Telemetria e Codificação para o radar Bearn, do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, dotado de uma interface física de comunicação padronizada responsável pela comunicação com o computador externo. Esse módulo tem como funções principais a codificação dos vídeos log e lin para o tratamento de vídeo, rastreio em distância do alvo nos modos radar e repondeur de 256 km a 4.096 km, rastreio nas passagens das zonas cegas, levantamento de ambigüidade em distância, busca automática em distância dentro de uma janela designada, geração dos sinais de sincronismo, geração do código de interrogação em modo “repondeur” e geração de pulsos de teste.

4 - MONITORAMENTO DO ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO DOS CENTROS :

Sistemas de monitoramento de espectros eletromagnéticos:

Projeto, desenvolvimento, fabricação, instalação e operação assistida de um Sistema de Monitoramento de Espectro Eletromagnéticos para o Centro de Lançamento de Alcântara. Com faixa de operação entre 0,4 MHz e 18 GHz, o sistema permitirá com que o ambiente elétrico do Centro de Lançamento seja monitorado constantemente, possibilitando aos operadores e clientes do Centro o acesso ás principais informações relativas às emissões eletromagnéticas existentes naquela região.


Fonte: Site da empresa Omnisys

Comentário: Faz tempo que venho buscando na net essas informações e graças ao leitor Pedro (ao qual eu agradeço), assíduo participante do blog Panorama Espacial do amigo André Mileski, estou tendo acesso as mesmas. Sendo assim, posto aqui no blog para que o leitor possa também conhecer o que vem sendo feito pela FAB para melhorar e modernizar os seus centros de lançamento.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Lançado Novo Foguete de Alcântara


29/05/2009 16:33:07

Após dois simulados, que fazem parte de uma série de testes, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) lançou, com sucesso, na tarde de hoje, sexta-feira, 29 de maio, o foguete Orion.

O lançamento desse foguete é resultado de uma parceria entre Brasil e Alemanha. Teve como finalidade o treinamento de recursos humanos e a verificação dos meios operacionais do CLA, além do intercâmbio com o Centro Espacial Alemão (DLR) nos campos tecnológicos e científicos. As parcerias com países que possuem tecnologia de ponta na área aeroespacial trazem para o Brasil oportunidade ímpar de capacitar recursos humanos.

O Orion é um foguete de treinamento, desenvolvido pelo Centro Espacial Alemão (DLR), mono-estágio, não-guiado, estabilizado por empenas e lançado a partir de trilho. Consiste de um propulsor denominado Improved Orion, pesando 419 kg. O propulsor IO é carregado com propelente sólido (combustível sólido), com uma fase de decolagem de cinco segundos, e uma fase tipo cruzeiro com 21 segundos, totalizando 26 segundos de fase propulsada, o que permite alcançar uma altura máxima (apogeu) entre 95 km e 115 km. O Orion não levará carga útil científica. Apenas instrumentos para acompanhamento das Estações de Telemedidas, preparando assim os equipamentos para os próximos lançamentos.

Além do efetivo do CLA, este evento – batizado de Operação Maracati I - conta com a participação de técnicos estrangeiros (alemães e suecos), com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), com o envolvimento do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), apoio do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) e ainda mobiliza outras organizações da Força Aérea Brasileira como os Esquadrões de Patrulha e de Evacuação Aeromédica. O nome Maracati I é uma alusão a uma Comunidade Quilombola localizada no Litoral Ocidental Maranhense.

Fonte: Site da Agencia Espacial Brasileira - AEB

Comentário: Esse vôo foi de um foguete de treinamento e pelo que consta nas notas publicadas aqui no blog nesses últimos dias, não será o único esse ano. Estão previsto mais dois vôos de treinamento e o vôo do foguete VSB-30 com novos experimentos da comunidade científica brasileira.

Sistema Dinâmico de Vôo - SDV


Segue abaixo na íntegra a matéria publicada na revista Espaço Brasileiro de Junho, Julho e Agosto de 2007 abordando o desenvolvimento pelo Brasil do Sistema Dinâmico de Vôo (SDV) que tem como objetivo a utilização do mesmo no projeto do VLS.

Duda Falcão

No Caminho Certo

Andréia Araújo

O Brasil dá mais um Passo para a
Autonomia na Produção de Foguetes

Muitos dos insumos usados na produção nacional, tanto de foguetes como satélites, precisam ser importados. A grande questão é que trazer essas peças de um outro país é um processo bastante complicado, uma vez que programas espaciais são estratégicos para as nações que os detêm. Há uma série de burocracias e acordos de salvaguardas que oneram os custos e atrasam a produção de projetos importantes para o País.


Por isso, os institutos de pesquisa brasileiros trabalham para desenvolver essas tecnologias. Uma dessas peças fundamentais para a construção de foguetes está em fase final de desenvolvimento: o Sistema Dinâmico de Vôo (SDV). Os responsáveis por esse projeto são o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), mesmo centro que desenvolveu a base de todos os foguetes brasileiros, e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ambos subordinados ao Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), localizados em São José dos Campos(SP).

Essa peça contém dois giroscópios e são as responsáveis por guiar os foguetes nas fases críticas do vôo. “Com o desenvolvimento do SDV, conseguimos resolver um gargalo na produção nacional de foguetes”, comemorou o coordenador do projeto, Major Josiel Urbaninho Arruda.

“Com o SDV
Resolvemos
um gargalo
do setor”

Dados Técnicos

O Sistema Dinâmico de Vôo (SDV) é composto de dois sensores de rotação (giroscópios à fibra óptica), instalados com alinhamento segundo o eixo longitudinal (eixo de rolagem) do foguete. Cada um dos giroscópios foi desenvolvido para monitorar uma fase específica do vôo: um para medir as altas rotações que ocorrem durante a subida do foguete, e outro para medir a rotação residual durante a fase de vôo em ambiente de microgravidade.


Durante o vôo do foguete de sondagem VSB-30 (veja a matéria sobre esse vôo clicando aqui: Operação Cumã II), realizado em julho desse ano no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi testado pela primeira vez o comportamento dos giroscópios do SDV na presença de acelerações lineares e angulares, somadas a vibrações. Segundo major Josiel, as primeiras análises dos dados da telemetria revelam o funcionamento do SDV e a pré-qualificação do experimento. “Esperamos receber os dados da telemetria do CLBI (Centro de Lançamento da Barreira do Inferno) e do giroscópio importado para compararmos os resultados”, informou.


De acordo com o major, devem ser realizados ainda outros testes em foguetes VSB-30 e os primeiros ensaios em aviões. O objetivo, segundo ele, é construir um equipamento que será usado no Veículo Lançador de Satélites (VLS). Dentro de um ano e maio devem ser concluídos os estudos.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - Número 3 Jun, Jul e Ago de 2007 - Págs: 22 e 23

Comentário: Essa matéria tem quase dois anos e como teremos mais um vôo esse ano do foguete VSB-30, acredito que a qualificação final do SDV seja feita nesse vôo. Será uma grande vitória para o projeto do VLS e do Programa Espacial Brasileiro como um todo.

Satélite Geoestacionário - SGB


Segue abaixo uma matéria publicada no site Convergência Digital em janeiro desse ano abordando o interesse do Governo brasileiro em seguir com o projeto do SGB - Satélite Geoestacionário.

Duda Falcão

Governo Brasileiro Quer Satélite Geoestacionário

Da redação
Convergência Digital
23/01/2009


Os ministérios do Planejamento (MPOG) e da Ciência e Tecnologia (MCT) assinaram termo de cooperação para contratar os estudos de modelagem do Satélite Geoestacionário Brasileiro, sob a forma de Parceria Público-Privada (PPPs).

No Planejamento, os trabalhos ficarão a cargo da Assessoria Econômica, órgão responsável pelo desenvolvimento das PPPs no governo federal. No MCT, o projeto será desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT).

O objetivo do satélite é o fornecimento de serviços de telecomunicações de governo, comunicações militares seguras e de informações sobre meteorologia e controle de tráfego aéreo. De acordo com o projeto o satélite deverá ser desenvolvido com alto índice de participação da indústria nacional.

Os estudos para o desenvolvimento do projeto de parceria envolvem, além de uma análise do marco regulatório do setor, a apresentação de soluções para eventuais ajustes que necessitem ser feitos no Brasil. Outro item importante nos estudos de modelagem da PPP consiste nas alternativas de financiamento que garantam a atratividade e a viabilidade do projeto num horizonte de quinze anos.

De acordo com a Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento os estudos serão viabilizados com recursos do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Cada uma das partes desembolsará 50% dos recursos necessários. A modelagem de um projeto envolve a parte técnica (estudos de demanda, engenharia, ambientais, etc.), a parte econômico-financeira (o financiamento do projeto, considerando os seus custos, juros, prazo, tarifas a serem cobradas, impostos, modelo de negócio, etc) e a parte jurídica (edital e contratos).


Fonte: Site Convergência Digital

Comentário: Essa é uma grande notícia para o Programa Espacial Brasileiro. Só espero que esse projeto não fique só nas intenções, pois ele é realmente de extrema importância, inclusive para segurança do país. Já que, devido as nossas novas condições políticas, econômicas, tecnológicas, e pelo fato das descobertas do pré sal e da potencialidade da Amazônia Azul, as atenções da comunidade internacional estão todas voltadas para o Brasil. É como minha avó costumava dizer: “O seguro morreu de velho”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Novo Lançamento de Foguete em Alcântara


Segue abaixo a matéria publicada hoje no jornal “O Estado de São Paulo” referente à nova operação de lançamento de foguete de sondagem em andamento no Centro de Lançamento de Alcântara - Operação Maracati I, já abordada aqui no blog.

Duda Falcão

Após Dois Anos, Alcântara Volta a Ter Lançamento de Foguete

Operação Maracati 1 pretende Preparar Instalações e Equipe Técnica para Novas Campanhas

Wilson Lima e Gabriel Manzano Filho
Jornal “O Estado de São Paulo”
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009


Após cerca de dois anos, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) volta a lançar foguete. A previsão é que seja amanhã. O equipamento será de médio porte, na operação batizada de Maracati 1, uma parceria entre Brasil e Alemanha.

Segundo o diretor do CLA, coronel Nilo de Andrade, essa missão visa a treinar pessoal e preparar técnica e logisticamente o CLA. "O objetivo é meramente técnico e esse foguete não levará carga útil", explicou. Andrade também afirmou que o CLA tem passado por reformulações desde 2007, principalmente nos seus sistemas operacionais, e isso demanda mais lançamentos experimentais.

Apesar disso, ele não relacionou a Maracati 1 a qualquer preparação para um possível primeiro lançamento de foguetes da Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional brasileira e ucraniana montada para realizar experimentos a partir da Base de Alcântara.

O foguete Orion tem motor monoestágio americano e aproximadamente 5 metros de extensão. Considerado um modelo de baixo custo, chega a uma altura máxima de 110 quilômetros. Nesta missão, alguns testes relacionados a meios operacionais de controle e rastreamento de equipamentos devem ser feitos. Não é a primeira vez que o Orion será lançado no Brasil. No fim do ano passado, o Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI) também fez campanha semelhante.

Para 2009 estão previstas mais três operações de lançamento do CLA: em julho, setembro e novembro. Destas, só uma será com carga útil. Em setembro, o VSB-30 deve decolar com novos experimentos.

A última vez que o CLA realizou uma missão com VSB-30 foi em julho de 2007, durante a operação Cumã 2. Na ocasião, o voo durou aproximadamente 19 minutos, atingindo um apogeu de 242 km. O VSB-30 estabeleceu um ambiente de microgravidade por 6,2 minutos e levava nove experimentos relacionados ao Programa de Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em 2007, era o quarto voo do VSB-30 - o segundo no Brasil. A missão foi considerada um sucesso pela AEB, mas parte dos experimentos não foi recuperada durante o resgate do foguete. Conforme a AEB, oscilações no sinal de telemetria dificultaram a operação de resgate da carga útil.

REUNIÃO CANCELADA

Foi cancelado ontem pela Casa Civil, meia hora antes de seu início, o encontro entre a ministra Dilma Rousseff e vários ministérios para definir os próximos passos do projeto de lançamentos de foguetes do Consórcio Brasil-Ucrânia em Alcântara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve participar da discussão - em um dia ainda não definido, na primeira metade de junho. No encontro, o diretor brasileiro do consórcio Alcantara Cyclone System, Roberto Amaral, apresentará os planos de trabalho da empresa, que pretende lançar pelo menos seis foguetes em 2011.


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 28/05/2009

Comentário: Segundo o comentário do companheiro André Mileski em seu blog Panorama Espacial sobre essa matéria do jornal Estado de São Paulo “as notícias que têm surgido sobre a Operação Maracati I indicam que esta missão sem carga útil (e outras duas ainda esse ano, segundo a mesma matéria) servirão para, além de treinamento do pessoal do CLA, também realizar testes dos sistemas de rastreio e telemetria do centro espacial. A falha parcial da Operação Cumã II, realizada em julho 2007, teria ocorrido em razão da separação prematura do módulo de carga útil, conforme foi amplamente divulgado pela imprensa nos dias seguintes à falha. Na época, ele escreveu uma pequena reportagem informando que o módulo de recuperação das cargas úteis era de responsabilidade da DLR-MORABA, da Alemanha. Alguns dias depois da reportagem ter sido divulgada, Mileski recebeu um e-mail de um engenheiro da DLR afirmando que a matéria dele prejudicava a cooperação espacial entre o Brasil e a Alemanha. Mileski afirma que em sua mensagem, salvo qualquer engano (já fazem quase dois anos) o engenheiro alemão explicou que teriam ocorrido problemas relacionados ao segmento solo da telemetria. Mileski respondeu a mensagem explicando que a sua reportagem estava baseada em informações oficiais, que não era o seu objetivo prejudicar a cooperação espacial com a Alemanha, e também se colocando a disposição para divulgar a posição alemã sobre o ocorrido”. Até hoje Mileski não recebeu qualquer resposta. Agora me parece claro depois dessas explicações o porquê do uso desse foguete já em seu segundo vôo. Será que as relações com os alemães já não são boas como antes? Não posso deixar de lembrar o aparente desinteresse dos alemães em continuar com o projeto MAPSAR, não sei. Vamos aguardar. Quanto a reunião interministerial (abordada aqui no blog) que estava marcada para acontecer ontem, sinceramente espero que esse adiamento visando a participação do Presidente Lula, venha acrescentar algo a mais de positivo.

Projeto SIA - Sistemas Inerciais


Segue abaixo a nota publicada no blog Panorama Espacial do companheiro André Mileski informado a liberação de recursos por parte da FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos para o desenvolvimento de "Acelerômetros de Alto Desempenho".

Duda Falcão

FINEP Libera Recursos para Sistemas Inerciais

No último dia 23, a diretoria da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) aprovou um aporte não-reembolsável de mais de R$ 5 milhões para o projeto “Acelerômetros de Alto Desempenho”, da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Comando da Aeronáutica.

De acordo com a nota divulgada pela FINEP, "o projeto do Comando da Aeronáutica, por exemplo, prevê o desenvolvimento de pesquisas em acelerômetros em estruturas semicondutoras micro e nanofabricadas, possibilitando o seu emprego em aviões e foguetes lançadores de satélites."

O desenvolvimento de acelerômetros se insere no projeto Sistemas de Navegação Inercial para Aplicação Aeroespacial (SIA), que tem como executores o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O projeto é de responsabilidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), e é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) por meio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP).

O objetivo do SIA é ter até 2010 capacidade de fabricar sistemas inerciais para uso em veículos lançadores e satélites, componentes considerados sensíveis, e por essa razão de difícil aquisição no mercado mundial. Os sistemas inerciais do VLS-1, por exemplo, foram adquiridos da Rússia em meados da década de noventa, sob objeções do governo dos EUA. Para saber mais, leia "Sistemas inerciais: o calcanhar-de-aquiles do VLS"


Fonte: Blog Panorama Espacial

Comentário: Bom, muito bom mesmo. Notícias como essa alimenta a nossa esperança de que alguma dia chegaremos a auto-suficiência nas atividades espaciais. Grande notícia e parabéns a FINEP e os órgão envolvidos no desenvolvimento desse importante projeto para o Programa Espacial Brasileiro. Para maiores informações leitor veja também a matéria "Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial" postada aqui no blog.

Missão Centenário


Agora leitor falarei sobre o maior momento e a maior missão até os dias de hoje do Programa Espacial Brasileiro. Trata-se da inesquecível e histórica Missão Centenário que levou em 2006 o primeiro brasileiro ao espaço e a Estação Espacial Internacional (ISS).

Duda Falcão

MISSÃO CENTENÁRIO

Descrição da Campanha


Missão: Centenário
Numero do vôo do Astronauta: 1
Espaçonave: Soyuz TMA-8 (ida)
Data de lançamento: 30 de março de 2006
Horário: 8h29 no horário local e 23h30 do dia 29/03 no horário de Brasília
Local: Centro de Lançamento de Baikonur (Cazaquistão)
Espaçonave: Soyuz TMA-7 (volta)
Data de retorno: 08 de abril de 2006
Horário: 20h48 no horário de Brasília
Local: Na região central do Cazaquistão, a cerca de 60 km a nordeste da cidade de Arkalyk
Tempo de Vôo: 9 dias 21horas e 17 minutos
Objetivo: Levar e pesquisar abordo da Estação Espacial Internacional oito experimentos em ambiente de microgravidade de interesse da comunidade científica brasileira.
Resultado: Sucesso Total

Experimentos Embarcados

- Experimento Efeito da Microgravidade na Cinética das Enzimas - MEK
- Experimento Danos e Reparos do DNA na Microgravidade - DRM
- Experimento Evaporadores Capilares - CEM
- Experimento Minitubos de Calor - MHP
- Experimento Nuvens de Interação Protéica - NIP
- Experimento Germinação de Sementes em Microgravidade - GSM
- Experimento Sementes de Feijão - SED
- Experimento Cromatografia da Clorofila - CCM

Instituições Envolvidas

AEB - Agência Espacial Brasileira
MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia
ROSCOSMOS - Agencia Espacial Russa
CTA - Centro Técnico Aeroespacial
DEPED - Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento
INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro
FEI - Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial
CenPRA / MCT - Centro de Pesquisas Renato Archer
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Agropecuária
SESJC - Secretaria de Educação de São José dos Campos-SP

Em 18 de Outubro de 2005, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos) assinaram um acordo que possibilitou a realização da Missão Centenário, que levou o astronauta brasileiro Ten. Cel. Av. Marcos César Pontes à Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês).



Vídeo Missão Centenário 1 - Fonte: Radiobrás




Vídeo Missão Centenário 2 - Fonte: Radiobrás



Vídeo Missão Centenário 3 - Fonte Radiobrás

A missão recebeu esse nome em homenagem ao centenário do vôo de Santos Dumont no primeiro engenho mais pesado que o ar, o14 Bis. O vôo aconteceu nos céus da cidade de Campo de Bagatteli, em Paris, no dia 23 de outubro de 1906.


O Astronauta Brasileiro Marcos Pontes

O vôo do astronauta, foi realizado no dia 30 de março de 2006, no Centro de Lançamento de Baikonur (Cazaquistão), atarvés da na nave Soyuz TMA-8. Além do brasileiro, viajamram o russo Pavel Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams.


Lançamento da Soyuz TMA-8 - Fonte Band News - Editado por Arthur Doretto Costa

Pontes levou oito experimentos científicos que foram estudados em ambiente de microgravidade. Dos estudos que foram levados ao espaço, seis eram de instituições de pesquisa brasileiras e dois de escolas do ensino médio.


Representação Gráfica do Vôo da Missão - Fonte: Folha Online

A missão teve a duração de 10 dias, dos quais oito aconteceram abordo da Estação Espacial Internacional, onde foram realizados os experimentos. O astronauta pôde levar 15 Kg de carga, incluindo os experimentos científicos, itens pessoais e institucionais.


Tripulação da Soyuz TMA-8
Marcos Pontes - Pavel Vinogradov (Russo) - Jeffrey Williams (EUA)
Fonte: Site Spacefacts

Desenvolver o setor científico e tecnológico de um país é fundamental para gerar conhecimentos e riquezas que alcançam a área econômica e social. Esta premissa foi constatada na diversidade e qualidade dos experimentos científicos que o astronauta Marcos Pontes realizou durante sua missão na Estação Espacial Internacional (ISS). Eles abrangeram desde as engenharias, microeletrônica, saúde, biotecnologia e demonstraram a capacidade das universidades e institutos brasileiros em produzir pesquisas de ponta.



Tripulação da Soyuz TMA-8
Abordo da Estação Espacial
Fonte Site Spacefacts

Nesse sentido, a Agência Espacial Brasileira (AEB) disponibilizou à comunidade científica brasileira um dos meios mais nobres para a realização de estudos: o ambiente espacial. Desde 1998, quando surgiu o Programa Microgravidade, os foguetes de sondagem desenvolvidos pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) proporcionam tal oportunidade. Com a participação do país na ISS, surgiu, em 2006, a possibilidade de realização dos experimentos diretamente no espaço por meio do laboratório orbital.


Patch da Missão Soyuz TMA-8


Patch Pessoal do Astronauta Marcos Pontes

Lista de Experimentos:


Experimento: Efeito da Microgravidade na Cinética das Enzimas - MEK

Instituição: Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI)

Adoçantes, refrigerantes e alimentos congelados são alguns dos produtos que podem ser beneficiados pela pesquisa conduzida pelo Centro Universitário da FEI sobre enzimas. O estudo que será enviado à Estação Espacial Internacional visa compreender o fenômerno das reações enzimáticas no organismo do ponto de vista da cinética (velocidade e dinâmica na interação com as paredes das células) em ambiente "sem gravidade".

Para tanto, serão observadas a lípase e a lípase imobilizada (enzimas que quebram moléculas de gordura) e a invertase, que gera como produto a frutose, de poder edulcorante superior ao do açúcar, aliado à facilidade de não cristalizar a baixas temperaturas. Além da indústria alimentícia, a indústria farmacêutica se beneficia das pesquisas para adoçar xaropes para crianças. Futuramente, espera-se chegar a biorreatores o mais eficientes possível.


Experimento: Danos e Reparos do DNA na Microgravidade - DRM

Instituição: Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

A permância de homens no espaço impõe a adaptação a uma série de condições diferentes das da Terra. Descobrir a influência da radiação sobre as atividades que ocorrem no interior das células na baixa gravidade é o objetivo do estudo conduzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que utilizará como modelo bactérias sob radiação cósmica e ao UV-A.

A pesquisa se concentrará nos efeitos sobre o DNA e sua capacidade de corrigir lesões no código genético a fim de verificar se ocorrem em proporções mais altas, baixas ou iguais que o ambiente terrestre. Para realizá-la, os microorganismos estarão dentro de um módulo e receberão radiação induzida por LEDs.


Experimento: Evaporadores Capilares - CEM

Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Controlar a temperatura interna em um satélite é fundamental para o funcionamento dos circuitos eletrônicos. Visando desenvolver tecnologia nacional nesse sentido, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) , referência na América Latina na área de Engenharia Mecânica, envia à Estação Espacial Internacional (ISS) um experimento com o objetivo de desenvolver e aperfeiçoar o cnohecimento de controle térmico para satélites.

O projeto contribui para o alcance da autonomia no setor, uma vez os dispositivos utilizados para controlar a temperatura em satélites brasileiros são comprados em outros países, além de representar uma janela de oportunidade para as empresas brasileiras em um ramo de alta tecnologia.


Experimento: Minitubos de Calor - MHP

Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Laboratório de Energia Solar e Núcleo de Controle Térmico para Satélites (Labsolar)

Também voltado à área de controle térmico, este projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foca seu estudo no segmento dos minitubos de calor. A principal função deste instrumento é transportar o calor concentrado em alguma região mais quente para uma outra mais fria - normalmente um radiador - de forma a controlar a temperatura de uma superfície de interesse.

Sua utilização para o controle térmico de componentes eletrônicos em aplicações terrestres tem crescido nos últimos anos, como no caso dos laptops. No entanto, sua eficácia como dispositivo de transferência de calor em ambientes de microgravidade precisa ser comprovada, de forma a ampliar sua utilização para o controle de temperatura de componentes eletrônicos em ambientes espaciais.


Experimento: Nuvens de Interação Protéica – NIP

Instituição: Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA/MCT)

A substância responsável pelo brilho dos vaga-lumes é a matéria-prima do experimento conduzido pelo Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA). Dentro de uma caixa escura, ondas acústicas induzirão o fenômeno da bioluminescência pela colisão de gotas d´agua cheias de enzimas. Todo o processo será filmado e reproduzido dentro de uma sala com visão 3D para uso dos estudiosos e, provavelmente, do público.

O resultado dessa análise possibilitará, entre outros benefícios, o aprimoramento de técnicas para a obtenção de medicamentos de ação mais rápida. Outra vantagem será a identificação de microorganismos causadores de doenças em reservatórios de abastecimento de água e até a busca de vida em outros planetas.


Experimento: Germinação de Sementes em Microgravidade - GSM

Instituição: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) - Unidade Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen)

Do Planalto Central para o cosmo. Sementes de Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves), espécie arbórea do Cerrado, foram as escolhidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para serem utilizadas no utilizadas em um experimento para verificação do efeito da microgravidade sobre o processo germinativo.

Este experimento ampliará o conhecimento sobre esta espécie nativa brasileira, o que auxiliará no aprimoramento de técnicas para a preservação ambiental e uso sustentável. Embora estudos em condições de "gravidade zero" já tenham demonstrado modificações na germinação da semente, ainda faltam dados.


Experimentos educacionais: Sementes de Feijão - SED e Cromatografia da Clorofila - CCM

Instituição: Secretaria de Educação de São José dos Campos (SP)

Qual criança nunca colocou um feijão no algodão com água? Esta clássica experiência será reproduzida pelo astronauta Marcos Pontes no espaço ao mesmo tempo em que estudantes de todo o Brasil a farão na Terra. Além das sementes, extrato de folhas de couve compõem o outro experimento escolar que será conduzido na Estação Espacial Internacional (ISS), com o objetivo de estudar clorofila.

Mais que o desejo de confirmar alguma tese científica, tais estudos trazem consigo a capacidade de despertar o interesse dos alunos pela pesquisa e de incentivar os professores a promover atividades de observação, apresentando a todos a magia da ciência, feita de investigação e descobertas.


Fonte: Site da Agencia Espacial Brasileira - AEB

Comentário: Em minha opinião esse foi o grande feito do Programa Espacial Brasileiro até o hoje. É verdade que parte da comunidade científica brasileira não concordou com o custo e a relevância dessa missão e nem com os experimentos que foram levados abordo da Estação Espacial Internacional. Na verdade, a relevância dessa missão não foi somente científica, mas também estratégica para chamar a atenção da sociedade brasileira para a importância do Programa Espacial do país. Todo programa espacial em qualquer parte do mundo necessita de apoio político e consequentemente do apoio de seu povo. E esse objetivo foi alcançado, principalmente entre as crianças e jovens brasileiros (nossa divisão de base) que se mobilizaram no país inteiro para assistirem o lançamento da missão na histórica noite do dia 29 de março de 2006. A luta continua apesar de tudo e

Vida Longa ao Programa Espacial Brasileiro

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Reunião Interministerial - ACS e a Base de Alcântara


Segue abaixo a materia que saiu hoje no jornal "O Estado de São Paulo" sobre a reunião interministerial que se realizará também hoje sobre os interesses da ACS na Base de Alcântara.

Duda Falcão

Ministros Vão a Dilma para ''Tirar Atraso'' de Alcântara

Gabriel Manzano Filho
Jornal O Estado de São Paulo
27/05/2009


Depois de um ano e meio perdido em brigas com os quilombolas de Alcântara, no Maranhão, e de patinar na "letargia ruminante da burocracia", o diretor do consórcio espacial Brasil-Ucrânia, Roberto Amaral, espera que uma reunião hoje, no Planalto, sirva para "virar o jogo" e tirar o atraso do programa espacial brasileiro.

Virar o jogo significa, para os dois países, fazer um teste de lançamento de satélite já em 2010, começar as operações comerciais em 2011, lançar seis satélites por ano já nos primeiros anos e, até 2018, ocupar 10% do mercado mundial do setor, que prevê nesse período o lançamento de 960 satélites. Isso tudo com o Cyclone, um foguete potente, capaz de inúmeras tarefas, pelas quais se poderá cobrar bom dinheiro.

"E lançado da que é considerada, na comunidade científica, a base mais bem situada do planeta", diz Amaral. Como cada lançamento não sai por menos de US$ 50 milhões, fala-se de um mercado em torno de US$ 45 bilhões nesse período. "E a família de lançadores Cyclone, dos ucranianos,já teve 200 lançamentos, todos com sucesso."

É de olho nesse cenário que os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Edson Santos (Igualdade Racial) - além de Amaral - discutirão as próximas tarefas de cada área. Decidirão, também, se o projeto passará a fazer parte do PAC. "Pois no PAC ele será tratado como toda prioridade", diz Amaral. O trabalho foi muito prejudicado, até agora, diz ele, por ONGs e "gente que queria falar em nome da população do lugar, da qual 80% não são quilombolas". O caso se resolveu com a cessão, pela Agência Espacial Brasileira, de um terreno para a nova base de lançamentos.

O projeto, na verdade, já está andando. O consórcio Brasil-Ucrânia teve seu capital aumentado de US$ 105 milhões para US$ 475 milhões - o que lhe permite "ser levado mais a sério"por outros países. Antropólogos estão trabalhando na futura integração da base com os moradores. E dia 5 de junho Amaral estará em Alcântara para explicar o que a região terá a ganhar com a base. Nos planos do Planalto está uma visita a Alcântara dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Viktor Iuschenko, da Ucrânia, no dia 5 de agosto.

ESTRATÉGIA

Mas o significado maior, diz Amaral, é estratégico. "É o Brasil poder usar a moderna tecnologia espacial para controlar um País de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 10.000 km de fronteira litoral. Somos o único país do planeta, com essas dimensões, que ainda não tem esses recursos".


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo de 27/05/2009

Comentário: É louvável a iniciativa dessa reunião interministerial com a ministra Dilma. Parece-me que o escudeiro da ACS esta criando barulho suficiente e com isso fazendo com que essa gente se mexa e corra atrás dos atrasos e prejuízos já causados a esse acordo com a Ucrânia. No entanto, me parece estranho a não presença do presidente da AEB, o Sr. Carlos Ganem. A representatividade do orgão “gerencial” tem de esta presente numa reunião que pode afetar não só a ACS, mas também toda a extrutura do Programa Espacial Brasileiro.

Programa Espacial Brasileiro - Opinião


Segue abaixo um artigo que eu acho que é muito importante que o leitor leia na íntegra. Esse artigo foi publicado no Jornal da Unicamp Edição de n° 376 de 2007 e aborda de forma muito clara o Programa Espacial Brasileiro segundo a opinião de três cientistas ligados a Unicamp de Campinas-SP.

Duda Falcão

O Espaço da Unicamp na Órbita
do Programa Espacial Brasileiro

ÁLVARO KASSAB

O Programa Espacial Brasileiro, a despeito de acidentes e problemas históricos, está no caminho certo. A avaliação é de três dos docentes da Unicamp que organizaram, no último dia 4 de outubro, o Fórum Especial “50 Anos da Era Espacial”. São eles: Álvaro Crósta, diretor do Instituto de Geociências (IG); Jurandir Zullo Júnior, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri); e Max Henrique Machado Costa, diretor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

A data que deu origem ao evento na Unicamp foi lembrada em todo o mundo. No dia 4 de outubro de 1957, a União Soviética lançou, no Cosmódromo de Baiknour, Cazaquistão, o satélite artificial Sputnik-1. A Guerra Fria sumiu na poeira, embora ainda paire a sombra da militarização do espaço e os temores do uso de informações sigilosas e de tecnologias para fins bélicos. A reserva de mercado é pesada.

Falar em corrida espacial, porém, soa algo anacrônico. “Isso é coisa de Flash Gordon”, compara Max. “É uma cortina de fumaça”, endossa Crósta. “A realidade hoje é outra”, opina Zullo. Os especialistas acumulam milhagem em pesquisas na área.

Crósta introduziu na Unicamp, em 1990, o Laboratório de Processamento de Informações Geo-Referenciadas (Lapig), o primeiro do gênero instalado numa universidade brasileira. Desenvolveu técnicas de exploração mineral usando imagens de satélites e é o descobridor de três das cinco crateras de impacto identificadas no Brasil. Max passou pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pela Nasa e desenvolveu trabalhos importantes na área. Zullo, que dirige um centro que se tornou referência em previsão de safra agrícola a partir da prospecção de dados meteorológicos, trabalha na calibragem dos satélites sino-brasileiros CBERS-2 e CBERS-2B, este último lançado no último dia 18 de setembro.

O acordo entre o Brasil e a China é visto pelos três docentes como um divisor de águas no programa espacial. O desenvolvimento dos satélites CBERS está a cargo no Brasil do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), sob coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB). Nestas duas páginas, os especialistas analisam os avanços do país e detalham as pesquisas desenvolvidas em suas respectivas unidades. Na opinião dos professores, a Unicamp já dispõe de uma significativa massa crítica na área.

Na opinião do geólogo e professor Álvaro Crósta, diretor do Instituto de Geociências (IG), o ingresso do Brasil no seleto clube de países que operam satélites de sensoriamento remoto e de observação da Terra está fazendo com que o país se destaque no cenário internacional.

Uma característica que distingue o Brasil de outras nações, observa o docente, é o fato de o país adotar o livre acesso a imagens geradas por satélites. “A tendência é que outros países sigam essa mesma política”.

Segundo Crósta, até dez anos atrás predominava a opinião de que era mais importante ter os dados para depois vendê-los a custos muitas vezes exorbitantes. “Descobriu-se que a informação a ser gerada é muito mais valiosa do que a imagem em si”.

Na opinião de Crósta, com o lançamento do satélite sino-brasileiro CBERS-2B, ocorrido no último dia 18 de setembro, o país consolida sua posição no grupo que detém a tecnologia de observação da Terra a partir do espaço. O diretor do IG lembra que, historicamente, essas tecnologias nasceram por necessidade militar e de inteligência, enquanto no Brasil ocorreu o contrário. “O uso, no nosso caso, é eminentemente para fins pacíficos”.

“O Brasil apostou – e isso também nos distingue – que os benefícios que essa tecnologia civil trará são muito maiores. Nós não temos aspirações hegemônicas”, afirmou, lembrando que por uma questão de soberania e de defesa territorial, tornou-se estratégico hoje, para qualquer nação, o acesso aos seus próprios dados a partir do espaço. “Conflitos recentes, como as guerras no Oriente Médio, revelam o peso dessas imagens no teatro de guerra”.

Crósta acredita que a vocação do país na área espacial está claramente delineada. A direção é o monitoramento ambiental e a exploração de recursos naturais. “Sem satélites, por exemplo, seria impossível acompanhar, monitorar e eventualmente coibir o desmatamento ilegal”, afirma o especialista.

Segundo o docente, é opinião corrente entre os estudiosos que os Estados Unidos estão embarcando pesadamente na corrida espacial, inclusive com o projeto de levar o homem a Marte. “Na nossa avaliação, trata-se de uma cortina de fumaça”.

Na opinião do professor, os meios tecnológicos disponíveis dispensam, por enquanto, a necessidade de missões tripuladas. “Os robôs, por exemplo, coletam uma enormidade de dados, como temos visto em Marte”, observa. “O custo de enviar seres humanos para Marte é altíssimo”.

Na unidade - O Instituto de Geociências dispõe atualmente de laboratórios que atuam em atividades de monitoramento e de análise dos recursos naturais nas áreas da Geologia e da Geografia. Essas atividades, pioneiras em universidades do país, iniciaram-se em 1990, com a implantação por Crósta do Laboratório de Processamento de Informações Geo-Referenciadas (Lapig).

O docente ingressou em 1984 na Unicamp, mas na época havia pouca coisa da área no Brasil. Crósta, já mestre pelo Inpe, decidiu fazer doutorado em sensoriamento remoto geológico no Imperial College, Inglaterra.

Quando retornou, em 1990, implantou o Lapig no âmbito de um grande projeto na área da informática da Unicamp. “Nosso laboratório era, à época, o mais avançado do Brasil na área de processamento de imagens de satélite”, lembra o docente. “Fomos pioneiros na utilização de soluções de hardware e de software internacionais”.

A partir daí, observa Crósta, as pesquisas ganharam impulso e destacaram o Instituto de Geociências da Unicamp na área de sensoriamento remoto. Primeiramente, na área de exploração mineral, por meio de análises de imagens de satélites e de aviões na identificação de feições relacionadas a depósitos minerais. Posteriormente, com a implantação das atividades de pesquisa em Geografia no IG, foram expandidas para outras áreas de aplicação, como meio ambiente e climatologia.

Crósta é reconhecido como um dos maiores especialistas em estudos de cratera no Brasil. O cientista foi o descobridor de três das cinco crateras de impacto identificadas no país – a de Araguainha (Mato Grosso), Vargeão (Santa Catarina) e Vista Alegre (Paraná). As outras duas – Cangalha (Tocantins) e Riachão (Maranhão) – foram reconhecidas por um geólogo norte-americano, John McHone.

“A única maneira de identificar essas crateras é recorrendo, num primeiro momento, às imagens de satélites”, afirma, lembrando que o IG é uma das poucas instituições brasileiras a atuar também no campo das Ciências Planetárias.

Nessa área, lembra Crósta, destaca-se a participação do professor Carlos Roberto Souza Filho, do IG, em projeto financiado pela Nasa cujo objetivo é identificar, na constituição geológica marciana, características semelhantes às formações rochosas da Terra que abrigaram estruturas biológicas muito primitivas. Souza é, atualmente, o coordenador do Lapig.

“No IG desenvolvemos atividades de ensino e pesquisa em todos os tipos de aplicações geológicas de sensoriamento remoto e de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), que hoje é uma ferramenta essencial para fazer análise de dados espaciais e gerar mapas e modelos”. Na área de sensoriamento remoto geológico, o Instituto é pioneiro, no âmbito das universidades brasileiras, na formação de mestres e doutores.

O pesquisador Jurandir Zullo Júnior, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), acredita que o programa espacial brasileiro já trouxe inúmeros benefícios para a sociedade, em que pesem os problemas recorrentes – acidentes, limitações orçamentárias, dificuldades materiais etc.

Na opinião do pesquisador, o contexto histórico e o fato de o Brasil ter desenvolvido um programa de satélites com a China, por meio de uma parceria cujos objetivos dos países chegam a ser até antagônicos, têm de ser levados em conta pelos analistas. “Não podíamos ficar na dependência de outras nações. Precisávamos ter autonomia, contar com nossos próprios equipamentos”.

“Apesar dos custos serem elevados, o retorno é significativo. É importante que a sociedade reconheça esse esforço, a começar da liberação gratuita das imagens do programa CBERS”, prega Zullo. O especialista lembra que a área privada – 51% da demanda – é a que mais usa as imagens de satélites, segundo levantamento recente. “Trata-se de uma constatação importante, já que as empresas acabam gerando empregos e uma série de serviços na cadeia produtiva”.

Para o cientista, seria “interessante” que pesquisadores se debruçassem sobre a relação custo-benefício do Programa Espacial Brasileiro. “Trata-se de um difícil exercício, mas ele precisa ser feito. O próprio Inpe vem tentando dimensionar o impacto das imagens distribuídas ao público em geral. De qualquer forma, suponho, os ganhos são muitos”.

Zullo acredita que há uma tendência, num horizonte próximo, de a venda de dados ser substituída pela oferta de serviços. Nesse sentido, acredita, o Brasil está preparado para a nova onda. “Temos todo um contingente de pessoal na comunidade científica capaz de dar conta dessa demanda”, diagnostica.

As universidades, segundo o pesquisador, têm formado especialistas altamente qualificados em processamento de imagens e sensoriamento remoto. “O próprio Instituto de Computação da Unicamp (IC) desenvolve um trabalho de ponta em banco de dados”, exemplifica Zullo, que atua como docente de pós-graduação na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), outra unidade da Unicamp que se dedica a trabalhos na área.

O professor menciona ainda projetos desenvolvidos na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, na Faculdade de Engenharia Mecânica e nos institutos de Geociências, Matemática, Física e Química.

Zullo lembra que os dados podem ser usados num amplo espectro, ressaltando que o sensoriamento remoto é o maior responsável pela melhoria dos padrões da previsão de tempo no mundo e, sobretudo, no Brasil. “A constelação de satélites meteorológicos possibilita maior precisão e, conseqüentemente, prognósticos mais confiáveis”.

O Cepagri possui um banco de dados que armazena imagens recebidas desde 1994. Segundo Zullo, as informações são de muita utilidade no acompanhamento da vegetação agrícola. O Centro, por exemplo, desenvolve nesse campo um trabalho de estimativa da temperatura de superfície da terra para a previsão e monitoramento de geada no Paraná.

O trabalho do Cepagri, explica Zullo, está centrado no desenvolvimento de metodologias tanto para a agrometeorologia como para o monitoramento de safra. “As imagens dos satélites são fundamentais nesse contexto”. O Centro recebe-as desde 1985, quando sequer existia internet. As informações, afirma o pesquisador, ajudaram a formar centenas de alunos na graduação e na pós-graduação.

Na área de previsão de safras, o Cepagri, em conjunto com a Feagri e a Embrapa, trabalha no desenvolvimento de métodos destinados à melhoria das estimativas da área plantada e da produtividade (relação entre produção e área) das principais culturas agrícolas do país como café, soja, cana-de-açúcar e laranja. A estimativa da produtividade é feita, normalmente, através de modelos agrometeorológicos. A área plantada pode ser estimada com satélites de diferentes resoluções espaciais.

Esse know-how fez com Zullo integrasse a equipe de pesquisadores responsáveis pela calibração do CBERS-2 e do CBERS-2B. Trata-se de um procedimento necessário para tornar os dados mais reais. Segundo o pesquisador, por mais testes que sejam feitos, os satélites se instalam num ambiente diferente do terrestre. “Quando o satélite chega ao espaço, a realidade é outra. Fatores como lançamento, trepidação e posicionamento devem ser observados”.

Cabe à equipe incumbida da calibração, entre outras tarefas, fazer medidas na superfície em condições análogas às realizadas na altitude de vôo em que se encontra o equipamento. Os cálculos são intrincados. “É preciso simular a atmosfera no exato momento em que o satélite passa no local”. O procedimento, que é feito em trabalho conjunto Cepagri/ Inpe, é realizado nos municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.

A calibração é fundamental no resultado final da imagem oferecida, ensina Zullo. Países com maior tradição na área exigem uma imagem com qualidade radiométrica. “O usuário quer que o dado seja o mais real possível. O grande desafio hoje é extrair uma informação da imagem como se ela fosse um sensor”.

O engenheiro eletricista Max Henrique Machado Costa, diretor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), trabalhou seis anos no Inpe [1983-89]. Participou do desenvolvimento dos primeiros satélites brasileiros – SCD 1 e SCD 2 – da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que envolvia satélite e foguete satelizador. Quando saiu do Inpe, estava começando o programa de cooperação China-Brasil do CBERS.

Por isso, se diz “à vontade” para fazer uma avaliação do Programa Espacial Brasileiro. Max acredita que o Brasil, por meio do programa do Inpe e da Agência Espacial Brasileira (AEB), está “bem-posicionado” no campo da atividade espacial por buscar projetos que sejam compatíveis com as necessidades do país.

“Não tem muito sentido um país como o Brasil não desempenhar um papel importante na área espacial”, opina Max. “Se ficássemos comprando imagens de satélites, permaneceríamos a reboque de outros países nessa tecnologia”, reforça o docente, para quem é importante “fincar o pé e marcar presença”, para garantir o domínio na área de sensoriamento remoto de recursos terrestres.

Na opinião do especialista, os dados retransmitidos no âmbito dos projetos MECB e CBERS são importantes nos campos de meteorologia, da hidrologia, da previsão de safra e de controle de barragens em usinas hidrelétricas, entre outras aplicações. Essas áreas, continua Max, têm uma importância prática. “Não é devaneio, uma aventura romântica na área espacial. São aplicações importantes para um país de dimensões continentais. Acho que o Brasil está bem-encaminhado”.

Essa massa de informação, segundo Max, é de grande importância na alimentação de programas de computador para a otimização de processos e aplicações. Ademais, acredita o especialista, num país como o Brasil, é fundamental ter levantamentos precisos dos recursos naturais. “O Inpe, por exemplo, está muito envolvido no controle de queimadas e de desmatamento. Sem os satélites, não há como fazer um diagnóstico e o monitoramento”.

Max classifica de “muito bom” o trabalho do cientista Gilberto Câmara à frente do Inpe. Destaca, a exemplo de Álvaro Crósta, o fato de o Brasil ser um dos maiores distribuidores de imagens de satélites, de forma gratuita, a partir dos recursos do CBERS. “Com o lançamento recente do CBERS-2B, vai aumentar a disponibilidade de fotos com mais resolução e com novas características”, prevê o especialista, que fez mestrado (Engenharia Elétrica) na Unicamp, além de mestrado (Estatística) e doutorado (Engenharia Elétrica) em Stanford, trabalhou cinco anos no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da GE, nos EUA, e um ano no JPL da Nasa.

Na FEEC - Entre as contribuições da FEEC na área, o diretor menciona os cursos de especialização no campo das comunicações espaciais que foram ministrados pelo professor Renato Baldini.

No contexto das pesquisas, o próprio Max orientou a engenheira Leila Fonseca em tese de doutorado cujo foco era o registro de imagens de sensoriamento remoto utilizando wavelets e processamento digital de sinais.

O engenheiro eletricista explica que a idéia era pegar uma imagem obtida numa determinada data, de uma certa região da Terra, a partir de um satélite, e uma outra imagem, que poderia ser ou não do mesmo sensor, mas obtida em outra época, e tentar registrá-las, ou alinhá-las, automaticamente. A justaposição de fotos pode ser feita a olho nu, manualmente, ou por meio de procedimento automático, realizado por um computador, o que foi o objetivo do estudo. Esse trabalho de pesquisa, prossegue Max, rendeu a publicação de vários artigos em veículos nacionais e internacionais.

O docente destaca também o giroscópio a fibra óptica desenvolvido pelos professores José Antonio Siqueira Dias e Elnatan Chagas Ferreira, do Departamento de Eletrônica e Microeletrônica (Demic) da FEEC, e por pesquisadores do IEAv, do IAE e do ITA.

O equipamento, explica Max, é formado por duas fibras ópticas em espiral, cada uma num sentido – a luz vai nos sentidos horário e anti-horário. Dependendo do movimento angular desse conjunto, prossegue o docente, há uma diferença de fase no sinal que chega no final das espirais de cada uma das fibras.

A partir dessa diferença de fase, é possível fazer uma avaliação das características de movimento desse conjunto. “Em linhas gerais, trata-se de um giroscópio que tem a vantagem de não envolver partes móveis”. Segundo o docente, quando existe algum movimento da nave espacial, o objetivo é integrar esse movimento para saber quanto ela se deslocou, nos três eixos, para que possa ser conhecido seu posicionamento, entre outras finalidades.

A grande vantagem da avaliação a partir de um giroscópio sem partes móveis, segundo Max, é o fato de ser mais precisa por estar menos sujeita a problemas relacionados ao movimento mecânico do equipamento. “Trata-se de um desenvolvimento muito atual”, atesta o docente. O equipamento deve ser usado em foguetes que estão sendo testados na Base de Alcântara (MA), nas unidades que integram algumas das etapas do projeto do lançador de satélites da Agência Espacial Brasileira.

Segundo Max, trata-se de uma tecnologia de ponta que seria muito difícil de ser importada em razão do controle de atitude de foguetes ter aplicações potencialmente bélicas. “Não adianta ter um foguete se não houver meios de controlá-lo. É importante, portanto, que se desenvolva a tecnologia no Brasil”.


Fonte: Jornal da Unicamp de 15 a 21 de outubro de 2007 - ANO XXII - Nº 376 - Págs: 6 e 7

Comentário: Como o leitor pôde notar através desse artigo, a importância de um programa espacial para um país como o Brasil, não é só essencial, como também é estratégica e necessária. Infelizmente nesses anos todos, desde que o programa foi implantado, o mesmo vem sofrendo da falta de recursos, de boas administrações e da falta de consciência e visão política estratégica. Apesar de tudo, os cientistas envolvidos no programa têm alcançados alguns gols (como mostrado no artigo), mas esses gols são ainda insuficientes para um país que necessita extremamente de informações em todas as áreas do conhecimento para o desenvolvimento e o bem estar de sua sociedade.