sábado, 30 de junho de 2012

Academia de Ciências do Peru Empossa Pesquisador do INPE

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (28/06) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que a Academia Nacional de Ciências do Peru, em Lima, empossou como membro da mesma o pesquisador peruano do INPE, Walter D. González.

Duda Falcão

Academia de Ciências do Peru
Empossa Pesquisador

Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Walter D. González, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), toma posse como membro da Academia Nacional de Ciências do Peru, em Lima, nesta quinta-feira (28/6). Durante a cerimônia, que acontece no auditório do Instituto Geofísico do Peru, o pesquisador falará sobre resultados de alguns de seus estudos sobre a interação Sol-Terra.

Bacharel em Física pela Universidade Nacional de Engenharia do Peru, Walter D. González é mestre em Física Espacial pelo INPE e PhD em Física pela Universidade da Califórnia. Foi professor visitante de instituições de pesquisa e universidades da Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e Japão. Atua desde 1969 na Divisão de Geofísica Espacial do INPE e, desde 2000, também é consultor da NASA na área de Heliofísica.

Professor de Física Espacial na Pós-graduação do INPE, Walter D. Gonzalez é responsável por 236 artigos científicos e 12 capítulos de livros sobre física espacial, tendo editado duas obras pela American Geophysical Union, dos Estados Unidos.

Informações sobre a Academia Nacional de Ciências do Peru na página www.ancperu.org.


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Comentário: O blog “BRAZILIAN SPACE” parabeniza o pesquisador do INPE, Walter D. González, pela sua posse na Academia Nacional de Ciências do Peru.

Leonel Fernando Perondi - Entrevista

Olá leitor!

Segue abaixo uma entrevista com o novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Fernando Perondi, publicada na “Revista Espaço Brasileiro” (Jan – Jun de 2012), sobre os seus planos para o INPE e para o Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

INPE

Perondi: Integração Aumenta Eficácia

Leonel Fernando Perondi assumiu a direção do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
em 1º de junho, sucedendo a Gilberto Câmara.
formado em Engenharia Mecânica Aeronáutica
pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA),
com mestrado em Engenharia e Tecnologia Espaciais
pelo INPE e doutorado em Física Teórica pela Universidade
de Oxford, Perondi atua há 30 anos no instituto. Já
coordenou a área de Engenharia e Tecnologia Espacial e o
programa de satélites CBERS, entre outros postos de gestão,
pesquisa e desenvolvimento. Nesta entrevista, Perondi fala
dos novos desafios do Programa Espacial Brasileiro e do INPE.


Qual sua visão sobre a nova política espacial brasileira?

Estão em curso iniciativas que buscam maior integração das atividades espaciais no país. O maior alinhamento entre a AEB e INPE, em particular, é de grande relevância para aumentar a eficácia do Programa Espacial Brasileiro, coordenado pela AEB. Há hoje uma conjunção de fatores que beneficiam muito o bom entendimento, a harmonia, a coesão e a eficácia no desenvolvimento de nossas atividades espaciais. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, já foi presidente da AEB e diretor do INPE, e o atual presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, também trabalhou por muitos anos no INPE. O cenário é altamente positivo para o programa espacial brasileiro. O entendimento e a articulação entre as instituições do setor são importantes para ampliar a capacidade de ação e fortalecer o sistema como um todo.

Quais as prioridades para os próximos quatro anos?

Com o apoio da AEB, devemos ampliar os programas de P&D, revigorar a infraestrutura do programa espacial no que tange ao instituto e apoiar as áreas de clima espacial, mudanças climáticas e previsão de tempo. Também vamos adotar uma política industrial para qualificar fornecedores e difundir novas tecnologias. De grande prioridade é o cumprimento do cronograma do CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, na sigla em inglês), importante ação do Programa Espacial Brasileiro. O CBERS-3, integrado na China, com lançamento originalmente previsto para 2008, tem, hoje, lançamento previsto para novembro próximo. O CBERS-4, que será integrado no Brasil, deve ser lançado em 2014. O INPE também dedicará grande atenção à área de Engenharia Espacial, fomentando e incentivando o desenvolvimento de projetos que permitam capacitação em tecnologias críticas.

“INPE vai
trabalhar
muito mais
com a indústria”

Quais são as perspectivas orçamentárias e de RH?

No INPE, a reposição estratégica de recursos humanos é, hoje, um desafio que exige atenção maior que até mesmo a da questão orçamentária. Precisamos contratar e treinar pessoal qualificado para repor aposentadorias e não perdermos capacitação no curto médio prazos. Levantamento recente indica que cerca de 63% do quadro de servidores poderiam se aposentar até 2020. A formação de um pesquisador ou tecnologista, para atuar com autonomia nas atividades do INPE, requer um tempo da ordem de cinco anos. Estima-se a necessidade de 200 a 300 contratações de jovens servidores nos próximos três anos, para o INPE manter capacitação que detém hoje.

Como o programa espacial mostra à sociedade que é importante para o desenvolvimento econômico e social do Brasil?

Os resultados da pesquisa de ciência e tecnologia têm que impactar o dia a dia do cidadão brasileiro. Os projetos do INPE, como parte do Programa Espacial Brasileiro, vão desde atividades de ciência básica, passando por pesquisa aplicada e desenvolvimento, até o produto. Nós não apenas buscamos a capacitação científica e tecnológica, mas também desenvolvemos as aplicações dela decorrentes. Desenvolvemos toda a engenharia de um satélite e seus instrumentos que irão gerar dados para monitorar nosso território e também ferramentas para transformar esses dados em informações relevantes em áreas como agricultura, por exemplo. Temos as atividades do CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), os alertas de queimadas e eventos extremos, o monitoramento da Amazônia, a prestação de serviços a indústria nacional realizada por nossos laboratórios, entre outros. Um dos principais papéis do INPE é o de atuar como um instrumento de política industrial, exercitada através do fomento, estímulo e indução à inovação, com a qualificação de fornecedores e a contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas diretamente junto a empresas nacionais.

É possível ser mais atuante no fomento à inovação na indústria nacional?

A política industrial hoje ainda se limita à contratação de empresas como fornecedoras dos programas institucionais e ações de desenvolvimento de projetos financiados com recursos de agências de fomento e fundos setoriais. No INPE, pretendemos ampliar os programas de qualificação de fornecedores de subsistemas e equipamentos para a área espacial, aumentar o número de projetos desenvolvidos em cooperação com a indústria e buscar, junto com a AEB, formas de aprimorar a difusão de conhecimentos tecnológicos, de e para o programa espacial, através, por exemplo, do estabelecimento de uma rede temática em tecnologia aeroespacial no âmbito do Sistema Brasileiro de Tecnologia (SIBRATEC). Vale destacar que um dos principais papéis do programa espacial é induzir a inovação e a melhoria da produtividade da indústria, por meio do desenvolvimento de programas especificamente voltados à transferência tecnológica das instituições públicas para as empresas.

Como o INPE se coloca frente aos desafios do desenvolvimento sustentável?

O CPTEC e o Centro de Ciência do Sistema Terrestre têm responsabilidades importantes na execução dos objetivos estratégicos da AEB e do MCTI relativos a mudanças climáticas e previsão de tempo e clima, com desafios de grande envergadura. Além das atividades desses centros do INPE, teremos articulação com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), recentemente instalado no em área do INPE em Cachoeira Paulista. Nossa experiência em P&D nas áreas de Ciências do Sistema Terrestre, Meteorologia e Observação da Terra são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, tendo em vista nossa capacidade de extrair e quantificar informações a partir de imagens da superfície do planeta e da atmosfera, para alimentar os modelos, a partir dos quais são geradas aplicações como os mapas de desflorestamento e de queimadas ou as previsões de tempo e clima.

Qual o papel do INPE no projeto primeiro do satélite geoestacionário brasileiro?

Junto a AEB, o INPE está apto e até ansioso para colaborar em várias fases do desenvolvimento do novo satélite. Vamos aplicar nossos conhecimentos e experiências no trabalho conjunto com a empresa Visiona, criada pela Embraer e Telebrás para desenvolver o satélite geoestacionário, que vem abrir nova e rica etapa na história das atividades espaciais no Brasil.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - Num. 13 – Jan – Jun de 2012 - págs. 10 e 11

Comentário: Bom leitor, após postar no blog as entrevistas do novo presidente da AEB e do novo diretor do INPE, não podia nos furtar de postar aqui a nossa opinião sobre o que nos foi passado por esses dois profissionais. É notório o grande entusiasmo que ambos passam em suas entrevistas, demonstrando estarem empenhados na busca por soluções que venham melhorar o desempenho do PEB em suas respectivas instituições. Entretanto temos de ser realistas, ou seja, bons planos e boas intenções sempre existiram em todas as instituições públicas que atuam nas atividades espaciais do país, e acredito que continuarão existindo por um bom tempo. Entretanto, o problema não está nessas instituições e nem em seus planejamentos de ação, e sim no próprio governo que sempre boicotou e atrapalhou (e ainda atrapalha e boicota) todo e qualquer planejamento desenvolvido a curto, médio e longo prazo realizado por essas mesmas instituições, ai incluído o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tanto na área espacial como em outras áreas da ciência e tecnologia. A verdade é que o governo e a classe política desse país sempre constituiu um empecilho intransponível para o desenvolvimento da nação, buscando durante décadas seguidas privilegiar-se das benesses geradas na luta pelo poder. Assim sendo, infelizmente não compartilho do mesmo entusiasmo aqui exibido pelos senhores Leonel Fernando Perondi e José Raimundo Braga Coelho, apesar de acreditar que ambos trabalharão firmes para realizar seus objetivos. Espero sinceramente, mas não acredito, que daqui a quatro anos não estejamos repetindo a mesma ladainha de décadas quanto ao que se fazer para mudar a cara do PEB.

Espaço é Vital para o Desenvolvimento Sustentável

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo escrito por José Monserrat Filho e publicado na Revista Espaço Brasileiro (Jan - Jun de 2012), destacando o espaço é vital para o Desenvolvimento Sustentável.

Duda Falcão

RIO+20

Espaço é Vital para o
Desenvolvimento Sustentável

É a segunda vez em 20 anos que a
Cúpula da Terra das Nações Unidas se
reúne no Rio de Janeiro. Para Ignacy
Sachs, o brasileiríssimo cientista social
polaco-francês, isso é “uma homenagem ao
papel de liderança exercido pelo Brasil na
busca de estratégias de desenvolvimento
socialmente includentes e ambientalmente
saudáveis, tanto em âmbito nacional como global”¹

José Monserrat Filho
Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional (AEB)



A Conferência Rio+20 sobre desenvolvimento sustentável é herdeira direta das Conferências de Estocolmo, em 1972, e do Rio, em 1992, e de Johanesburgo, em 2002. Nesta trajetória, evolui-se de uma concepção socioeconômica bidimensional para uma noção tridimensional de eco-sócio-economia, comparável em certo sentido à passagem da geometria plana para a espacial, como bem salienta o mesmo Ignacy Sachs.

Os Desafios do Nosso Tempo

Vale também o modo como Ignacy descreve os desafios que enfrentamos hoje:

“A humanidade encontra-se numa encruzilhada. Se o aquecimento decorrente de causas antropogênicas )provocadas pela ação humana) não for contido a tempo, nossos descendentes poderão enfrentar mudanças climáticas deletérias, ou mesmo catastróficas, que ameaçarão a própria sobrevivência da espécie – sem falar na probabilidade de guerras e terríveis conflitos sociais e políticos. Por sua vez, por mais prementes que sejam, as preocupações ecológicas não devem ser aceitas como justificativa para adiar a resolução de imperativos sociais urgentes. A economia verde só faz sentido se for uma economia voltada para o bem-estar da sociedade em geral. As inevitáveis concessões que terão de ser feitas entre objetivos ambientais e metas sociais não serão ditadas pela velha Mão invisível de Adam Smith, pois o livro jogo das forças de mercado é, por natureza, míope e insensível à dimensão social... não podemos mais contar com a Mão invisível nem confiar no mito dos mercados autoreguladores. Se quisermos adotar estratégias de longo prazo que levem em conta o bem-estar de todos os atuais e futuros companheiros de viagem humanos... na espaçonave Terra, temos que nos voltar para a Mão visível e seus cinco dedos: um contrato social renovado, planejamento democrático de longo prazo, segurança alimentar, segurança energética (os dois pilares do desenvolvimento includente e sustentável) e a cooperação internacional”.

Ou seja, a mão humana, que antes atuava sobre a Terra sem pensar nos efeitos de suas ações, está agora chamada a planejar a sua recuperação e novo destino, ciente da “crescente responsabilidade humana na evolução das condições de vida na espaçonave Terra – não apenas para a humanidade, mas também para as demais espécies vivas”, pois, “somos a única espécie capaz de imaginar e antever futuros alternativos”, ainda nas palavras sensatas e sensíveis de Ignacy. Sem um planejamento nacional e global, amplo, profundo e democrático, que estimule como nunca o conhecimento e a criatividade, dificilmente atingiremos a rica variedade de frutos do desenvolvimento sustentável.

Hoje Não Se Vive Sem Espaço

O objetivo da Rio+20 – diz a Declaração do Comitê das nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS, em sua conhecida sigla em inglês), de 20 de junho de 2011 – é “renovar o compromisso político em prol do desenvolvimento sustentável, avaliar os avanços logrados até agora e as deficiências que subsistem na aplicação dos resultados das principais Conferências de Cúpula sobre desenvolvimento sustentável e buscar soluções para os novos problemas”.

A contribuição do COPUOS à Rio+20 se concentra no uso dos dados de satélite (geoespaciais) em benefício dos planos nacionais e globais de desenvolvimento sustentável. Recomendações são feitas sobre como promover a cooperação internacional para fortalecer as infraestruturas nacionais indispensáveis ao uso dos dados. Foi o Brasil que formulou a proposta aprovada no COPUOS de um programa de cooperação internacional para permitir que todos os países do mundo tenham infraestrutura mínima para receber, processar, analisar e usar dados de satélite (e até agregar valor a eles) em proveito de seu desenvolvimento sustentável.

Segundo a Declaração do COPUOS dirigida à Rio+20, os dados espaciais são fundamentais para:

* Vigiar a Terra e seu ambiente, gerando observações sinóticas, contínuas e a logo prazo necessárias para entender cabalmente a Terra como sistema, bem como tecnologias para elaborar modelos de soluções de problemas ligados:

a) à influencia do Sol sobre o ambiente terrestre;

b) ás mudanças climáticas globais;

c) ao impacto da atividade humana sobre o meio ambiente; e

d) à saúde no nível mundial.

* Alimentar com matéria prima essencial para elaborar mapas sobre a evolução dos riscos de catástrofes, os sistemas de alerta prévio, as operações de mitigação de seus efeitos e, em geral, de gestão dos desastres naturais e industriais.

* Produzir previsões meteorológicas e estudos climáticos de excelência, além de estimar os tempos de secas, os regimes de chuvas (precipitações), fundamentais para o acompanhamento da desertificação e o prognóstico de colheitas e inundações.

* Vigiar o estado, a exploração e a evolução dos recursos naturais terrestres e marinhos, de solo, subsolo e submersos, bem como as múltiplas atividades agrícolas e pastoris, em geral de extrema relevância para as economias nacionais.

* Integrar sistemas complexos, junto com infraestruturas de informação e comunicação, favorecendo programas de internet, transmissão de dados, ensino à distância, telemedicina, prestação de serviços médicos e de saúde, fotogrametria, referências geodésicas, navegação e posicionamento por satélite, informações geográficas, cumprimento de tratados e acordos internacionais, prevenção de delitos e respeito à lei.

Essa lista certamente não é exaustiva. Mas já revela o quão vasto é o alcance das benesses propiciadas hoje pela cultura científica e tecnologia espacial, já inserida em definitivo na vida cotidiana de todos os povos.

Resta que ela se integre por inteiro na marcha pelo desenvolvimento sustentável, que deve inaugurar, ainda neste século, novíssima etapa na história humana.

1) Sachs, Ignacy, De volta à mão visível: os desafios da Segunda Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, Revista Estudos Avançados, IEA/USP, noº 74, 2012.

Espaço para o Desenvolvimento Sustentável na Rio+20


Seu objetivo é examinar “a contribuição das tecnologias e informações espaciais em apoio à implementação dos resultados e ações da Rio+20, cujo o tema central é exatamente o desenvolvimento sustentável. O evento, organizado pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (OOSA, na sigla em inglês), dirigido pelo Dr. Mazlan Othman, da Malásia, tem o apoio dos governos do Brasil e da Áustria. Espera-se uma audiência de, pelo menos, 100 pessoas, a maioria ligada a entidades públicas e privadas envolvidas com programas espaciais.

O Brasil abre o encontro, através do Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, ex-presidente da AEB e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Um de seus painéis de maior impacto, sobre Desastres Naturais, será apresentado pelo Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências, Presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, membro do Comitê Científico do “International Geosphere-Biosphere Programme” (IGBP) e coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais. Nobre também dirige o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), criado em 1º de julho de 2011 pelo MCTI, com a missão de emitir alertas em áreas de risco de inundações , enxurradas e deslizamentos, funcionando diuturnamente.

O evento será conduzido pelo atual Presidente do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS), Y. Horikawa,do Japão, tendo como moderador o representante da Nigéria, Ade Abioudun. Seus cinco painéis abordarão os seguintes temas:

1) Dados Geoespaciais, apresentado por membros das organizações internacionais GEO e CEOS (Group on Earth Observatios e Committee on Earth Observation Satellites);

2) Desastres Naturais, confiado ao Brasil;

3) Águas e Oceanos, a cargo de Walther Lichem, Chefe do Departamento de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da Áustria, especialista em recursos hídricos;

4) Saúde, confiado ao Dr. Mario Lanfri, da Argentina; e

5) Alimentos, a cargo de membro do Programa Mundial de Alimentação (World Food Programme).


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 13 – Jan à Jun de 2012 - págs. 08 e 09

INPE Air Quality Model Will Be Part of European Program

Hello reader!

It follows a note published on the day (06/26) in the website of the National Institute for Space Research (INPE) informing that a Model of Air Quality Forecasting of CPTEC/INPE will be part of European Program.

Duda Falcão

Model of Air Quality Forecasting of
CPTEC/INPE to be Part of European Program

Tuesday, June 26, 2012

The model for air quality forecasting of the Brazil’s National Institute for Space Research (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE) has been approved to participate in the European Cooperation in Science and Technology Programme (COST), which gathers research institutions of Europe. Brazil will be the only country of Latin America and Southern Hemisphere to participate. From outside the continent, institutions from Israel and United States are also participating.

Created by the Center for Weather Forecasting and Climate Studies of INPE (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC/INPE), the Brazilian model (http://meioambiente.cptec.inpe.br/) will join the most advanced meteorological and air quality models in the “Action ES1004: European framework for online integrated air quality and meteorology modelling” (http://eumetchem.info/). Among the models participating are WRF (from NCAR, USA), COSMO (developed by European Institutions), HIRLAM (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts) and Meso-NH (French institutions linked to CNRS).

It is thought by the coordinator of the Group of Atmospheric Modeling and Interfaces (GMAI), of CPTEC/INPE, Saulo Freitas, that this is a great opportunity to improve BRAMS, a meteorological model coupled to the atmosphere chemistry model, used by CPTEC to forecast the air quality. "Researchers of GMAI will have the chance to discuss and expand scientific and technological knowledge that are in all the steps of the modeling: from the physico-chemical processes of the atmosphere to the forecasts generation," said Freitas. These stages include the definition of the phenomena considered essential to the prediction and the development of computer codes.

To be tested and evaluated, the model of CPTEC/INPE must be adapted to European conditions. Freitas argues that a setback of the group is the lack of observed data on atmospheric chemistry for the modeling evaluation, differently of Europe, which is equipped with wide data network.

The coordinator of GMAI and head of the Modeling and Development Department (DMD) of CPTEC/INPE, said that he aims to bring to the European Program the Brazilian concern on the aerosols effects and energy balance (thermal radiation) whose impacts affect the climate and rainfall regimes. In large cities, pollution and warming are related to the increase in heavy rainfall, causing instability in the power grid, floods, and other urban problems.

Freitas points out that the air quality and meteorology model, although developed and maintained by a small group of researchers, has already achieved important milestones and international recognition. The National Center for Atmospheric Research of the United States has incorporated the model of emission and transport of pollutants of BRAMS model, of CPTEC/INPE, into its meteorological model (WRF), which performance is considered one of the best in the world. The initiative was also followed by the British, concerning the climate model of MerOffice, the Hadgen, while the European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF) has recently highlighted the initiative of the Brazilian model to incorporate data from forest fires in the air quality and meteorology models.

Air quality forecast for June 26


Source: WebSite of the National Institute for Space Research (INPE)

IAE Recebe a Visita de Professores do MIT

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (29/06) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), destacando a visita de uma comitiva formada por professores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) dos EUA ao IAE.

Duda Falcão

IAE Recebe a Visita de Professores do MIT

Campo Montenegro, 29/06/2012

Na última sexta-feira, 29 de junho, o Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE recebeu a visita de uma comitiva de professores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que foi recepcionada pelo Cel. Eng. Antonio Carlos Ponce Alonso, subdiretor de aeronáutica do IAE.

A comitiva visitou à Divisão de Sistemas Aeronáuticos – ASA, o Prédio de Integração de Lançadores (PIL), o Laboratório de Ensaios Dinâmicos (LED) e conheceu as diversas linhas de pesquisa de interesse do Instituto.

Os professores visitantes demonstraram grande entusiasmo com os projetos em desenvolvimento no Instituto, abrindo-se desta forma perspectivas de futuras cooperações com esta legendária universidade americana, fundada em 1861 em Cambridge, Massachusetts e que serviu de modelo para criação do ITA.



Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Essa é uma boa notícia. A perspectiva de que o IAE venha no futuro desenvolver projetos conjuntos com o MIT é algo muito bem vindo e esperamos realmente que aconteça. Chamo atenção do leitor para as fotos que acompanham essa nota, onde uma vez mais podemos observar as maquetes do VS-40, do VSB-30, do VLS-1, do VLS Alfa, do motor S-50 e do VANT Acauã.

Programa de Satélites CBERS Será Discutido na China

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (29/06) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que como já havíamos anunciado, o Fernando Perondi, diretor do INPE, irá a China na companhia do Ministro Marco Antônio Raupp e do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, para discutir com os chineses a continuidade do Programa CBERS e a cooperação espacial conjunta como um todo.

Duda Falcão

Programa de Satélites CBERS
é Discutido na China

Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Entre os dias 2 e 6 de julho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, estará na China com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, e o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho.  Em Pequim, será discutida a continuidade do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Os dirigentes brasileiros se encontrarão com o ministro de Ciência e Tecnologia, Wan Gang, e com o ministro e vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação, Miao Wei e Chen Qiufa, entre outras reuniões com especialistas de ambos os países.

Estão programadas visitas à Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), à Administração Nacional de Espaço da China (CNSA) e ao Centro Espacial Chinês, onde se encontra o satélite CBERS-3, que tem lançamento previsto para o final deste ano.

A parceria espacial entre Brasil e China, iniciada em 1988, garantiu a ambos os países o domínio da tecnologia do sensoriamento remoto para observação da Terra.

Política Industrial

Conduzido no Brasil pelo INPE, o CBERS é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. O desenvolvimento do CBERS-3 e do CBERS-4 (este previsto para 2014) propiciou cerca de R$ 400 milhões em investimentos na indústria nacional.

A política industrial adotada pelo INPE permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBERS se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico.

O CBERS também tornou o Brasil o primeiro país do mundo a distribuir, pela internet, imagens de satélites sem custo ao usuário. Desde 2004, os dados distribuídos pelo INPE são usados no monitoramento de florestas, mapeamentos de áreas agrícolas e do crescimento urbano, entre outros. A disponibilidade dos dados resulta na criação de novas aplicações, com reflexos no desenvolvimento socioeconômico do país.

Mais informações sobre o CBERS: www.cbers.inpe.br


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Comentário: Aproveitamos para agradecer ao leitor paulista José Ildefonso pelo envio dessa notícia. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

José Raimundo Braga Coelho - Entrevista

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante entrevista com o novo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) José Raimundo Braga Coelho, publicada na Revista Espaço Brasileiro (Jan – Jun de 2012), sobre os seus planos para o Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

ENTREVISTA

José Raimundo Braga Coelho
Mais Integração, Êxito e Luz
para o Programa Espacial

O matemático José Raimundo Braga Coelho assumiu o
comando da Agência Espacial Brasileira (AEB) em 23 de
maio. Ele trabalhou no INPE por quase 20 anos e enfrentou
muitos e variados desafios ao lado de Marco Antônio Raupp, hoje
Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a quem sucede
na presidência da AEB. Foi membro da diretoria da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e, desde 2011, vinha
dirigindo o Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São
Paulo. Confira nesta entrevista algumas ideias fundamentais do
novo líder do Programa Espacial Brasileiro.

Presidente da AEB

Quais são as novas grandes linhas do Programa Espacial Brasileiro (PEB)?

Primeiro, estamos construindo um sistema integrado de gestão para dinamizar o PEB. É obra indispensável. Nenhum grande problema é resolvido setorialmente. Todos os elementos de um sistema – instituições, pesquisadores, técnicos e administradores envolvidos numa tarefa comum – têm que trabalhar em conjunto, aliados, conversar continuamente entre si, trocar informações, colaborar ativamente uns com os outros. Esta é a melhor forma de combater os problemas nacionais. É desta maneira que se fazem satélites e foguetes, assim se faz qualquer coisa, sobretudo em áreas de grande complexidade científica e tecnológica. É isto o que estamos empenhados em montar: um sistema integrado de gestão para dar ao PEB um novo ritmo e um nível mais alto de eficiência e eficácia.

Como montar esse sistema integrado?

O primeiro passo foi dado. Apresentamos às autoridades e à área jurídica o plano de integração do INPE à AEB. Há muitas razões para isso, inclusive históricas. O INPE é unidade executiva de um segmento importantíssimo das atividades espaciais brasileiras. Onde está o INPE hoje? Subordinado à Subsecretaria de Unidades de Pesquisa (SCUP) do MCTI, que tem zero de orçamento e coordena cerca de 20 unidades de pesquisa. Esse é o melhor lugar para o INPE? Claro que não. O melhor lugar para o INPE é junto à AEB. Ambos são órgãos dedicados por inteiro às atividades espaciais. Não por acaso, a maior parte do orçamento do INPE vem da AEB. Essa integração, lógica e natural, vem consolidar e otimizar um novo sistema gestão do PEB. Ela fortalece tanto a AEB, como coordenadora do sistema, quanto o INPE, centro de pesquisa científica e tecnológica fundamental para o sistema. É boa para todos.

Como situar o DCTA neste sistema?

O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e outros, é vinculado ao Comando da Aeronáutica e, portanto, ao Ministério da Defesa. Já começamos a falar sobre procedimentos para uma maior integração com o DCTA. A primeira tarefa a ser trabalhada é por uma integração prática entre todas as unidades executoras do PEB. A primeira coisa que fiz como presidente da AEB foi ir ao DCTA e conversar com suas lideranças. Perguntei se tal prática os incomodava. Eles disseram que não, de modo algum, e que era justamente isso o que gostariam que ocorresse. Então, após alcançar êxito na integração do INPE, unidade ligada ao MCTI, isso poderá, em condições ainda melhores, despertar o interesse do DCTA e seus institutos por integrar a AEB. São processos dinâmicos, já ocorreram em muitos países.

Como se dará na prática a integração AEB-INPE?

A vinculação é formal, mas nós queremos mais. O ministro Raupp e eu somos aposentados pelo INPE. Trabalhamos lá muito tempo. Eu passei 20 anos no INPE. Então, vou me aproveitar da proximidade que tenho com quase todos os profissionais de lá, desde o funcionário mais simples até os mais graduados, para cultivar uma prática no cotidiano. A integração se dará sem nenhum demérito para o INPE. Pelo contrário, o INPE crescerá muito mais com isso. Teremos agora a obrigação de mostrar o que o INPE significa para o Brasil e trabalhar para que ele melhore ainda mais. Tenho dito aos amigos do INPE que estamos lá para “pick up the winners”, buscar e prestigiar os vencedores. Vamos consolidar o trabalho deles e dar-lhes mais força.

“É isto que estamos
empenhados em montar:
um sistema integrado de
gestão para dar ao PEB um
novo ritmo e um nível alto
de eficiência e eficácia”

Como a integração funcionará estruturalmente?

O INPE continuará onde esta, em São José dos Campos, mas agora, creio, com mais participação e entusiasmo de seus pesquisadores, técnicos e funcionários, graças à dinâmica do trabalho conjunto. A AEB fará tudo para estar mais perto até fisicamente. Desde a gestão do ministro Raupp à frente da AEB, estuda-se uma alternativa para que a AEB, com sede oficial em Brasília, possa funcionar também em São José dos Campos, onde sua presença é sumamente necessária e requisitada a todo o instante. Afinal, é lá que as coisas acontecem na área espacial. E devem acontecer cada vez mais. A presença da AEB é desejo de todos, INPE, DCTA e AEB. Mais que desejo, é necessidade.

Como ficam nessa integração os setores industrial e acadêmico?

Para alcançar novas e grandes conquistas, a academia precisa estar ao lado do setor privado. Não tem sentido ela e o setor público em geral passarem a vida investindo na mesma coisa. Há muito o que fazer com as tecnologias já desenvolvidas que não oferecem riscos por estarem inteiramente dominadas. Assim que o risco diminuir bastante, é hora de passar o conhecimento obtido a uma empresa privada. A indústria nacional, quase toda formada por empresas privadas, é vital na luta pela inovação. No ambiente público, é muito difícil haver desenvolvimento sistemático e crescente, e, sobretudo grandes inovações. Mesmo que haja, não há o ganho principal que vem da atividade privada, que possibilita a manutenção e a garantia de regularidade. Sem envolver a indústria, tanto na área espacial como nas outras, não há regularidade. Quem está comprometido com a regularidade e a constância e o setor privado. A indústria espacial brasileira tem que comandar o processo quando não há riscos tecnológicos. O local padrão no Brasil para se correr risco no desenvolvimento tecnológico é o setor público. Mas já há casos em que a empresa privada desenvolve peças importantes com risco, sendo financiada por agências do governo. Isso também ocorre na área espacial. Nossa indústria espacial já se considera preparada para assumir a construção de sistemas completos, agora de satélites e depois de vetores.

O que diria aos empresários, nesta nova etapa do PEB?

Eu citaria alguns exemplos para esclarecer bem o cenário que vislumbramos. Vamos, em julho, discutir com os chineses o futuro do programa CBERS, prevendo o trabalho conjunto  entre as indústrias espaciais dos dois países. Vale reafirmar também a situação que envolve hoje a construção do primeiro satélite geoestacionário brasileiro de telecomunicações. Ele está sendo desenvolvido dentro de um ambiente empresarial. Abdica-se do apoio do INPE? De modo algum. Acordos serão concluídos com o INPE para que participe ativamente do trabalho. E mais: sempre que o Brasil estiver a fim de criar ou aperfeiçoar tecnologias espaciais, o mais apropriado e conveniente será contar com o conhecimento e a experiência dos institutos públicos para isso e a seguir repassar o know how obtido às empresas privadas. No caso do CBERS, pelo o qual o Brasil já responde por 50%, nossa intenção é envolver cada vez mais a industria nacional. Nossas empresas já têm condições para assumir a maior parte de um grande projeto. Neste sentido, vamos promover arranjos empresariais que nos permitam exportar o que fazemos aqui. Há notícias de que o Paraguai quer que o Brasil construa um satélite para seu uso. Se pudermos montar joint ventures com outros países, aproveitaremos essa e outras chances. Entrar e crescer no mercado mundial é plano viável para nós.

E as Universidades?

Já temos alguns bons cursos de engenharia aeroespacial. Outros virão com certeza. A meta é pôr as universidades num marco global, ao lado da indústria. Que os reitores pensem nisso seriamente: a área espacial terá muita demanda, sobretudo quando completarmos o ciclo inicial com o modelo de empresas integradoras, e pudermos lançar satélites a partir de Alcântara.  A demanda deverá crescer muito, tanto por satélites quanto por lançadores. Então, que as universidades preparem novas competentes gerações de recursos humanos. Vem aí um novo pré-sal, agora no oceano espacial.

Universidades e centros tecnológicos podem tomar iniciativa na área espacial?

Claro. Na realidade, já estão tomando. A AEB apoia a iniciativa universitária de construir um microssatélite. Queremos usar esse satélite para atender às necessidades da Agência Nacional de Águas (ANA), com qual já firmamos um memorando de entendimento. O satélite prestará serviços ao Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), não será um satélite apenas, mas um conjunto deles, que poderão se tornar uma constelação. Aí entrará também a nossa indústria, para produzir a série. Esse caso mostra concretamente como as universidades e os centros tecnológicos podem e devem ser criativos e gerar soluções espaciais para os nossos problemas terrenos.

Os 12 governadores da Amazônia reivindicam um programa espacial para a região. Como vê essa proposta?

É absolutamente pertinente pensar na Amazônia como se ela fosse um país dentro do Brasil. Então, é absolutamente pertinente que se encaminhem soluções especiais, inclusive na área espacial. A Amazônia tem posição e feições específicas. Por exemplo, os satélites com sensores óticos, que servem muito bem em outras áreas do país, não servem totalmente aos propósitos da Amazônia, que precisa bem mais do que sensores óticos, precisa de sensores de micro ondas, sensores de radar e outros recursos sui generis. Um programa espacial ajustado às especificidades e complexidade das questões que pressionam esse gigante chamado Amazônia deve, sim, ser estudado, discutido e construído com toda a competência disponível no país.

“Para alcançar novas e
grandes conquistas, a
academia precisa estar ao
lado do setor privado”

Qual o papel da cooperação internacional em nosso Programa Espacial?

A cooperação internacional própria do nosso tempo, em qualquer área, inclusive e sobretudo nas áreas de desenvolvimento científico e tecnológico como a espacial, é aquela que garante o respeito aos direitos e legítimos interesses dos países participantes. Um modelo histórico disso é o acordo de cooperação espacial com a China, firmado em 1988 – há 24 anos, portanto. Foi o primeiro acordo sobre tecnologia de ponta entre dois países em desenvolvimento. Vigora até hoje e descortina promissoras perspectivas para os próximos anos. Brasileiros e chineses foram capazes de pôr em prática um algoritmo de desenvolvimento conjunto, em que cada país faz a sua parte e depois os dois se juntam para discutir o trabalho como um todo. É curioso, o acordo não fala de transferência de tecnologia. Seria muito difícil regular isso naquela época, como ainda é hoje. Mas o acordo funciona muito bem. O chineses aprenderam muita coisa conosco e nós aprendemos muitas coisas com eles, não só no início como até agora. Aprendemos, sobretudo, uma coisa vital, a tolerância, porque as nossas diferenças culturais eram e são muitos grandes, como também é muito grande a distância física que nos separa. Agora, no início de julho, o Ministro Raupp chefiará importante missão que vai a China, integrada por dirigentes da AEB e do INPE. Vamos estudar com os chineses o futuro da nossa colaboração e definir áreas e projetos de interesse mútuo daqui para frente. Será, sem dúvida, mais um exemplo de parceria estratégica, madura e responsável. Podemos dizer que somos um país rico em cooperação espacial. Nossa carteira de atividades internacionais é cada vez mais valiosa. Desenvolvemos cooperação com países tanto desenvolvidos como em desenvolvimento. Nos fóruns mundiais, temos atuação ativa, altiva e comprometida com o acesso de todos os países aos benefícios e conhecimentos espaciais. Queremos que a indústria brasileira seja, cada vez mais, beneficiária dos frutos desse nosso esforço internacional. Nossa preocupação central no setor é que as interações com outros países obedeçam sempre às regras de ouro do interesse mútuo e do desenvolvimento tecnológico conjunto. Porque só assim ninguém explora ninguém e todo mundo sai ganhando.

Como vê o potencial de Alcântara?

É gigantesco. Precisamos aproveitar esse potencial com sabedoria, competência e criatividade. O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), capaz de promover todo o tipo de lançamento com invejável nível de segurança, eficiência e economia, tem tudo para ser fonte inesgotável de riquezas e de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico para a região, para o país, para nossas instituições e empresas. Estamos hoje empenhados em realizar obras e projetos de alta relevância em Alcântara. Temos de transformá-la em um local de investimentos de grande interesse público e privado. Em Alcântara, há tarefas a cumprir de curto, médio e longo prazo. Urge que sejamos proativos em todas elas.

Como dar ao programa espacial os recursos humanos de que carece?

Vamos nos valer do programa “Ciência sem Fronteiras”, coordenado pelo CNPq, para fomentar em escala crescente a formação de recursos humanos especializados nas áreas espaciais mais necessárias aos nossos projetos, sejam eles de instituições ou de empresas. Pensamos também em criar bolsas específicas para certas atividades espaciais críticas. Queremos ver nossos universitários estudando em instituições de ensino e pesquisa da França, Alemanha, China, Ucrânia, Rússia, Estados Unidos, Índia, entre outros. Ao mesmo tempo, precisamos trazer de volta os nossos engenheiros, que, neste momento, trabalham nesses países e têm muita vontade de regressar ao Brasil.

Como dar mais luz, isto é, mais orçamento ao programa espacial, conforme o seu discurso de posse?

O Brasil é movido por uma chama ardente chamada sucesso. Ainda que comece pequena, se ele crescer, vai logo chamar a atenção e atrair muita gente interessada. O Ministro Raupp e eu, nessa comunhão de espírito que nos une e já tem cerca de 40 anos, sempre observamos esse processo em muitos projetos. E constatamos: o orçamento, em grande parte, é fruto disso. Daí que faremos todo o esforço para ir alcançando êxitos constantes até chegar à luz almejada. Temos de conquistar a simpatia e o apoio da população brasileira, que ainda não entende bem a importância, a utilidade e a necessidade do programa espacial. Vamos fazer um grande esforço neste sentido. Vamos mostrar à população os benefícios e vantagens das atividades espaciais, especialmente para um país gigantesco e rico como o nosso. Co o apoio da sociedade, com a opinião pública convencida de que o programa espacial deve ser uma prioridade da nação, haverá maiores possibilidades de conseguir todos os recursos necessários para desenvolvê-lo ao máximo. Então, precisamos obter sucesso e conquistar a população. Esse é o interruptor com o qual acenderemos a luz, que é o orçamento.

Qual é o impacto das parcerias público-privadas no orçamento espacial?

O modelo que criamos para fazer o primeiro satélite geoestacionário brasileiro de telecomunicações é uma ideia iluminada. A parceria público-privada pode realizar uma obra essencial com mais velocidade e eficiência. A aliança Embraer-Telebrás pode atrair mais investimentos privados, estimular mais projetos espaciais importantes. Há que fazer o mesmo com os avanços de nossos projetos de longo prazo, como o CBERS. Em novembro próximo, lançaremos o CBERS-3. Todo o país precisa saber disso com detalhes, passo a passo. Temos que mostrar isso à população, à opinião pública, ao Congresso Nacional. É por ai que chegaremos a uma luz cada vez mais luminosa. O PEB não precisa ser perfeito, basta ser melhor, cada vez melhor!


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 13 - Jan a Jun de 2012 - págs. 05, 06 e 07