sexta-feira, 31 de maio de 2013

Estudante Brasileira Fará Estagio no JPL da NASA

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (31/05) no site “www.enfoque.com” dando destaque a jovem curitibana “Noemi Vergopolan Rocha”, aluna do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPA), que estando em temporada na Universidade da Carolina do Norte (EUA), pelo programa "Ciência sem Fronteiras", conseguiu um estágio de três meses e meio no “Jet Propulsion Laboratory (JPL)”, da NASA.

Duda Falcão

Notícias

Estudante Brasileira na NASA

Após conquistar uma vaga na Universidade da Carolina do Norte,
nos Estados Unidos, através do Programa Ciência sem Fronteira,
estudante brasileira se habilita a estágio na NASA.

31/05/2013

A jovem curitibana Noemi Vergopolan Rocha, estudante de Engenharia Ambiental na Universidade Federal do Paraná, e integrante do Programa Bom Aluno desde a sexta série do ensino fundamental, acaba de realizar uma nova proeza: um estágio de três meses e meio no Jet Propulsion Laboratory, da NASA, a agência do governo americano responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e projetos de exploração espacial. Noemi trabalha sob a supervisão do respeitado cientista Dr. Joshua Fisher, com o qual desenvolve uma pesquisa sobre o sensoriamento remoto e que utilizará novos produtos de evapotranspiração desenvolvidos pela agência espacial para estudar os efeitos do desmatamento na Amazônia,  em relação as mudanças climáticas, o ciclo hidrológico e a própria intensificação do desflorestamento na região.

“Esta vaga na NASA eu consegui  enviando  e-mails contando a minha história, apresentando meu currículo para pesquisadores da minha área de interesse, que é Modelagem Ambiental. Através dessa troca de e-mails conheci o Dr. Joshua Fisher, com o qual estou desenvolvendo uma pesquisa com o tema "The Impact of Land Cover and Land Use Change on the Water Cycle: A Case Study in Amazonia", explica a estudante.

Noemi Vergopolan é uma dentre os mais de mil estudantes  já apoiados pelo Programa Bom Aluno, no Brasil. Criado há 20 anos por dois empresários paranaenses, com o objetivo de ajudar jovens oriundos de famílias financeiramente menos favorecidas a alcançar o sonho de cursar uma universidade. A jovem participa do Bom aluno desde os 12 anos, quando ainda estava no ensino fundamental na escola municipal Cel. Durival de Britto e Silva e desde 9º ano (antiga 8ª série), no Colégio Dom Bosco, (Seu desempenho escolar sempre foi elogiável), segundo Maria Isabel Grassi Dittert, gerente do Instituto Bom Aluno do Brasil.  Segundo Noemi, esse estágio na NASA  “abriu a minha cabeça para o vasto leque de oportunidades que todos temos. Precisamos apenas correr atrás das ferramentas certas, nos esforçar para chegarmos aonde queremos e jamais subestimar a nossa capacidade como brasileiros. O mundo esta ai esperando para ser conquistado”, enfatiza a jovem, atualmente com 22 anos. Outras informações em: www.bomaluno.com.br

(Foto - Noemi Vergopolan Rocha no Jet Propulsion Laboratory, da NASA)


Fonte: Site Enfoque.com http://www.enfoque.com/

Comentário: Bom, muito bom mesmo, e mostra uma vez mais a capacidade de nossos jovens. Parabéns a jovem Noemi Vergopolan Rocha e desde já lhe desejamos sucesso em sua temporada na NASA e em toda sua vida profissional. Gostaríamos de agradecer ao leitor Altair Francener pelo envio dessa matéria.

ERG/INPE Comemorou 40 Anos de Existência em Cuiabá

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (31/05) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dando destaque ao evento de comemoração dos 40 anos da “Estação de Recepção e Gravação (ERG)” de imagens de satélites de Cuiabá (MT), ocorrida no dia 23/05.

Duda Falcão

Comemoração dos 40 Anos da Estação de
Recepção e Gravação de Imagens de Satélite

Sexta-feira, 31 de Maio de 2013


No dia 23 de maio de 2013 realizou-se em Cuiabá, na Unidade Regional do Centro-Oeste do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a cerimônia de comemoração dos 40 anos da Estação de Recepção e Gravação – ERG.


As operações na Estação de Recepção e Gravação iniciaram-se no dia 23 de abril de 1973 com o primeiro rastreio do ERTS-1, satélite que originou a série Landsat.  A ERG de Cuiabá foi a terceira estação terrena instalada no mundo - a primeira foi nos Estados Unidos e a segunda, no Canadá. Sua instalação é parte importante não só da história do INPE e do Brasil, mas também dos países vizinhos e do próprio sensoriamento remoto por satélite.

Nessa estação é realizado o rastreio diário de satélites, o recebimento de seus dados e a posterior entrega das informações brutas ao Centro de Dados de Sensoriamento Remoto (CDSR), localizado no INPE de Cachoeira Paulista (SP), onde as imagens são geradas e distribuídas aos usuários. Atualmente, a estação de Cuiabá recebe dados dos satélites Landsat-7, Resourcesat-1, UK-DMC 2, Terra/Aqua e série NOAA.

A cerimônia teve início com a composição da mesa pelas seguintes autoridades:

- Sr. Elias de Andrade, Secretário do Trabalho e Desenvolvimento Econômico, representando o Prefeito de Cuiabá Mauro Mendes;  Avelino Carlos Miranda de Oliveira – responsável técnico pela Estação de Recepção e Gravação de Cuiabá; Jair Pereira da Silva – chefe da Unidade Regional do Centro-Oeste; Ivan Márcio Barbosa – chefe da Divisão de Geração de Imagens; Dr. Júlio D’Alge – chefe da Coordenação de Observação da Terra; Maurício G. V. Ferreira – representando o Dr. Pawel Rozenfeld do Centro de Rastreio e Controle;  Sr. Jean Robert B. P. Ferreira – coordenador da Diretoria de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, representando o Presidente da Agência Espacial Brasileira e o Dr. Leonel Fernando Perondi – diretor do INPE.

O início da cerimônia foi marcado pela homenagem aos servidores da ERG que se destacaram neste 40 anos: Sr. Avelino Carlos Miranda de Oliveira, Sr. Luiz Carlos Nascimento da Silva, Sr. Homero Esaú dos Santos e Sr. Heronildes Fernandes de Souza, este representado por seus filhos.

Logo após as homenagens a palavra foi transferida ao Sr. Avelino Carlos Miranda de Oliveira, que num discurso emocionado falou sobre todo o histórico da estação nestes 40 anos (veja o discurso Sr. Avelino Carlos Miranda de Oliveira).

Posteriormente o Dr. Júlio D’Alge fez seu discurso e por fim, o diretor do INPE, Dr. Leonel  Fernando Perondi enalteceu o trabalho da ERG, sua história e importância para a comunidade científica (veja o discurso do Dr. Leonel  Fernando Perondi).

Ao final, a placa comemorativa dos 40 anos foi descerrada pelo diretor juntamente com o Sr. Jean Robert e Sr. Avelino Miranda.

Cerimônia de comemoração da ERG

Placa comemorativa dos 40 anos com o Dr. Leonel Perondi,
Sr. Jean Robert e Sr. Avelino Miranda.

Autoridades Presentes

Mesa Central com as autoridades

Dr. Leonel Fernando Perondi - Diretor do INPE


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Comentário: O Blog BRAZILIAN SPACE parabeniza o ERG pelos 40 anos de serviços prestados ao país.

ATK Hoping Tp Clean Up Rocketscience

Hello reader!

It follows a note published on the day (05/31), in the site "www.space-travel.com", stating that ATK has completed the first test of the U.S. High Performance Green Propulsion.

Duda Falcão

ROCKET SCIENCE

ATK Hoping Tp Clean Up Rocketscience

by Staff Writers
Arlington VA (SPX) May 31, 2013

File image.
ATK has completed the first U.S.-based testing of the High Performance Green Propulsion (HPGP) thruster technology for the NASA Goddard Space Flight Center (GSFC). The testing was conducted at ATK Defense Group's test facility in Elkton, Md., in April 2013.

The ATK test facility is capable of assessing high-fidelity performance and operability features of the HPGP thruster technology, which is intended to be used for a wide range of attitude control/space maneuverability propulsion.

HPGP is a green propulsion alternative that has been flight-proven in space to provide increased performance over traditional hydrazine propulsion technology.

By comparison, HPGP is significantly safer and more cost-effective in terms of storage, material handling, transportation and launch-site processing.

"The collaboration of NASA GSFC and ATK to validate HPGP thruster technology enables the development of green propellant options, which hold promise for demonstrating higher performance, cost-effectiveness and the reduction of health and safety impacts to personnel and the environment," said Dr. Christyl Johnson, NASA GSFC Deputy Director for Technology and Research Investments.

"We are pleased to support NASA GSFC in the maturation process of the HPGP thruster technology in the U.S.," said Cary Ralston, vice president and general manager of ATK's Missile Products division. "We are dedicated to making certain our products deliver mission-assured performance, improved safety and reduced life-cycle cost."

ATK is licensed in the U.S. to sell HPGP thrusters and fuel originally developed by ECAPS, a wholly-owned subsidiary of the Swedish Space Corporation (SSC). ECAPS has a long, successful track record in the areas of design, manufacturing, testing and integration of HPGP thrusters and complete liquid propulsion systems.

ATK's test facility in Elkton, Md., provides testing of existing HPGP thrusters, development testing of new HPGP thrusters and on-site propellant blending capability.



Comentário: Quando eu vejo uma notícia como essa leitor, às vezes eu fico me perguntando se além do problema do “ED”, será que também não existe entre os grupos e instituições brasileiras (sejam eles governamentais, privados, universitários ou amadores) uma competição, uma espécie de egoísmo sem sentido, quando deveria sim existir uma cooperação para justamente enfrentar juntos as tantas adversidades criadas pelo governo? Não sei, mas tenho a impressão que sim. Veja por exemplo o caso da empresa “Edge Of Space”, que é uma empresa inovadora que desenvolveu tecnologia de Propulsão Verde que muito bem poderia esta sendo utilizada em projetos como o ITASAT-1, Nanosatc-BR1 e 2, nos SCDs que estão sendo desenvolvidos entre a AEB e ANA, no Sistema CONASAT do INPE/UFRN e também no futuro SARA Orbital. Poxa, é uma tecnologia verde desenvolvida no Brasil em grande parte com recursos da FAPESP, que está disponível e precisando de uma oportunidade para ser testada no espaço. Não é possível que tecnologias continuem sendo desenvolvidas no país com recursos públicos para acabar esquecidas numa prateleira. Espero que esse meu comentário ajude aos profissionais do PEB entenderem que a união faz a força, especialmente num universo de tantas incertezas como é o PEB.

Azovmash Ships to Brazil Transp. Systems for Space Complex

Hello reader!

It follows a note published in the day (16/05), in the english version of the ukrainian website http://www.ukrinform.ua, stating that Azovmash ships transport systems for Space Complex Tsyklon 4 (Cyclone-4) in Brazil.

Duda Falcão

Azovmash Ships Transport Systems for
Space Complex Tsyklon 4 in Brazil

16/05/2013 - 11:06

KYIV, May 16 /UKRINFORM/. Joint Stock Company Azovmash has shipped transport systems for the space rocket complex Tsyklon 4 on the Alcantara space center in Brazil as part of a joint Ukrainian-Brazilian project, a correspondent of UKRINFORM reported.

"The units created in Mariupol were sent by sea to Latin America, where Brazil and Ukraine are building the spaceport Alcantara," the company's director general, Ihor Karpeichyk, told the press.

Mariupol produces reinforcement and pumping units, tank containers for temporary storage of oxidants and fuels; Azovmash designers are also finalizing a number of other systems for the space rocket complex Tsyklon 4.

The project Tsyklon 4 is implemented according to the October 21, 2003 agreement between Ukraine and the Federative Republic of Brazil on long-term cooperation in the use of the carrier rocket Tsyklon 4 at the Alcantara launch center. The project is implemented by the Ukrainian-Brazilian JV Alcantara Cyclone Space, created in 2006.

Ukraine provides the development of the carrier rocket Tsyklon 4 and preparation of the production base for its manufacture. Brazil provides the creation of the general infrastructure of the start-up center. On a parity basis, the partners are creating a ground complex for launches of the carrier rocket Tsyklon 4.

The very construction of the ground-based complex for Tsyklon 4 in Brazil was launched in 2010. Its area is about 50 hectares.

The first launch has already been postponed several times. But in April, Deputy Prime Minister Yuriy Boiko stated categorically that the first launch of the carrier rocket Tsyklon 4 at the Alcantara launch center in Brazil will take place at the end of 2014.

"We are going according to schedule both in the construction of the cosmodrome with its infrastructure, and in building the rocket and the satellite. The term of the first launch is the end of 2014, and we are confident that we will be ready by this time," Yuriy Boiko said.



Comentário: Pois é leitor, está ia essa lamentável notícia protagonizada por esses energúmenos. 

Asteroide Que Passa Hoje Pela Terra Tem Lua Própria

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (31/05) no “Portal TERRA” destacando que segundo a NASA o asteroide que passará hoje próximo da Terra tem Lua própria.

Duda Falcão

CIÊNCIA - ESPAÇO

Asteroide que Passará Pela Terra
Nesta Sexta Tem Lua Própria

Portal Terra
31 de Maio de 2013 - 11h15

Foto: NASA / Divulgação


Asteroide de 2,7 quilômetros de diâmetro
se aproximará da Terra nesta sexta-feira 

O asteroide 1998 QE2, que se aproximará da Terra nesta sexta-feira, possui uma lua própria. A descoberta foi feita pela NASA, que divulgou uma sequência de imagens de radar do asteroide obtidas na noite de quarta-feira, quando o asteroide estava a 6 milhões de quilômetros da Terra.

Segundo a agência espacial americana, as imagens de radar indicam que o corpo principal do asteroide tem cerca de 2,7 quilômetros de diâmetro e tem um período de menos de quatro horas de rotação. A lua do asteroide tem cerca de 600 metros de largura.

O asteroide estará mais perto da Terra nesta sexta-feira, às 17h59 de Brasília, disse a NASA. Este será sua seu sobrevoo mais próximo em mais de dois séculos.

Saiba Mais


O asteroide 1998 QE2 foi descoberto em 19 de agosto de 1998 por astrônomos do programa de pesquisas de asteroides próximos à Terra no MIT (Massachusetts Institute of Technology), perto de Socorro, Novo México (sudoeste dos EUA).

A NASA, que considera a busca por asteroides uma alta prioridade, já identificou e indexou mais de 98% dos maiores asteroides, de mais de um quilômetro de diâmetro, que estão nas proximidades da Terra.

Os astrônomos detectaram e catalogaram 9.500 objetos celestes de todos os tamanhos que cruzam perto da Terra, provavelmente um décimo do total.


Fonte: Portal Terra - 31/05/2013 - http://noticias.terra.com.br/

Saiba Mais Sobre a Campanha do Telescópio Arkyd-100

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada dia (30/05) no site do jornal “O Globo” dando destaque a campanha do projeto de um telescópio espacial chamado Arkyd-100 da empresa americana Planetary Resources, apresentado aqui no blog anteriormente por iniciativa da bolsista do ITA, Joana Ribeiro, que é uma das divulgadoras voluntárias do projeto no Brasil. Leia com a atenção leitor e veja se lhe interessa participar dessa campanha.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Empresas Privadas Tomam o Lugar
da NASA na Exploração do Espaço

Companhias convidam o público a participar de projetos de pesquisa

Cesar Baima
Publicado: 30/05/13 - 11h04
Atualizado: 30/05/13 - 11h11

Divulgação/Planetary Resources  
Pequeno e barato. Ilustração do Arkyd-100 na órbita da
Terra: equipamento custa menos de um centésimo do Hubble

RIO - Antes restrito às grandes potências e corporações, o espaço está cada vez mais ao alcance de todos. Em uma iniciativa inédita, a Planetary Resources, empresa criada no ano passado e que pretende minerar asteroides, lançou ontem campanha de financiamento coletivo para um de seus telescópios espaciais, que poderá ser usado pelos apoiadores com fins particulares ou educacionais. Batizado Arkyd-100, o equipamento foi desenvolvido pela companhia justamente para procurar e identificar rochas espaciais candidatas a seus projetos de mineração.

— Nosso objetivo é democratizar o acesso ao espaço, ambiente que há décadas é militarizado e muito caro de acessar — resumiu Peter Diamandis, cofundador e copresidente da Planetary Resources, numa teleconferência. — As pessoas costumam se importar apenas com aquilo que podem participar, e nos últimos 50 anos a exploração espacial tem sido essencialmente não participativa. Desde que criamos a empresa, milhares de pessoas de todo o mundo nos procuraram querendo saber como poderiam participar deste processo. Com isso, estamos construindo uma comunidade disposta a trabalhar conosco e pretendemos usar o poder das multidões para impulsionar a inovação.

O alvo da campanha, abrigada no site de financiamento coletivo americano Kickstarter, é arrecadar US$ 1 milhão em colaborações. Dependendo da quantia doada, os apoiadores poderão desde receber fotos tiradas no espaço com a Terra ao fundo, mostrando uma imagem escolhida por eles projetada em uma tela instalada no telescópio, a comprar tempo de observação com o equipamento, que poderão usar para capturar imagens dos objetos celestes de sua escolha ou doar para instituições de ensino ou pesquisadores. As quantias para doação variam de mínimo de US$ 1 a US$ 10 mil ou mais e. Até o início da noite de ontem, o projeto já tinha recebido mais de US$ 170 mil de mais de 1,6 mil doadores.

A partir do ano que vem e ao longo dos dois a três anos seguintes, a Planetary Resources planeja colocar em órbita centenas de Arkyd-100 para efetuar sua busca por asteroides exploráveis economicamente, e o telescópio de uso público será apenas um deles. Também cofundador e copresidente da empresa, Eric Anderson fez questão de frisar que a iniciativa apresentada ontem nada tem a ver com os objetivos comerciais da Planetary Resources.

— Não estamos pedindo para o público contribuir para a mineração de asteroides, pois este é o nosso negócio — disse. — Já investimos no desenvolvimento da tecnologia (do Arkyd-100) um valor muito superior a qualquer um que poderíamos levantar com o Kickstarter. Tudo o que queremos é que o público nos diga que estaria interessado em ter acesso a um telescópio espacial, e a melhor forma de provar isso é pedir dinheiro para as pessoas. Para nós, o espaço é um negócio, e mesmo o interesse no espaço pode ser um negócio também.

Embora os Arkyd-100 sejam pequenos, com uma objetiva de apenas 20 centímetros de diâmetro (o espelho principal do Hubble, por exemplo, tem 2,4 metros), estão livres das limitações enfrentadas pelos telescópios em terra, como a limitação de só fazer observações nas noite de clima bom e a distorção provocada pela atmosfera. Além disso, cada um custará menos de um centésimo do investimento para construir o Hubble, há mais de 20 anos.



Fonte: Site do Jornal O GLOBO – 30/05/2013 - http://oglobo.globo.com/ 

Radiação em Viagem a Marte Ameaça Saúde de Astronautas

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (31/05) no site “Inovação Tecnológica” destacando que a radiação em viagem a Marte ameaça saúde de Astronautas.

Duda Falcão

Espaço

Radiação em Viagem a Marte
Ameaça Saúde de Astronautas

Redação do Site Inovação Tecnológica
31/05/2013

[Imagem: NASA/JPL-Caltech/JSC]
Comparativo da nave que levou o robô Curiosity
a Marte e da nave Orion, que a NASA está construindo
para levar astronautas além da órbita da Terra.

Doenças do Espaço

As notícias não são nada boas para quem planeja fazer uma viagem a Marte - ainda que seja uma viagem só de ida.

A NASA anunciou que a radiação à qual os astronautas ficariam expostos durante uma viagem de ida e volta a Marte está no limite dos padrões aceitos atualmente.

Acredita-se que o principal efeito da exposição de longo prazo à radiação espacial seja um maior risco de desenvolvimento de câncer. Contudo, não existem testes de longo prazo capazes de dar pistas sobre outros riscos - estudos indicam danos aos olhos e danos neurofisiológicos como outras possibilidades.

As medições agora divulgadas foram feitas pelo instrumento RAD (Radiation Assessment Detector, ou detector de avaliação de radiação), que viajou a Marte a bordo da missão Laboratório Científico de Marte - mais conhecido como robô Curiosity.

O RAD é o primeiro instrumento a medir a intensidade da radiação durante uma viagem a Marte de dentro de uma nave espacial dotada de um escudo de proteção à radiação que é similar ao que uma nave tripulada teria.

Radiações Perigosas no Espaço

[Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI]
Instrumento RAD (detector de
avaliação de radiação), que está em
Marte a bordo do robô Curiosity.
Duas formas de radiação representam riscos de saúde para os astronautas no espaço profundo.

Uma delas são os raios cósmicos galácticos, partículas produzidas por explosões de supernovas e outros eventos de alta energia fora do Sistema Solar.

A outra são as partículas energéticas solares, produzidas por erupções e ejeções de massa coronal do Sol.

A exposição à radiação é medida em unidades de Sievert (Sv) ou milissievert (mSv - um milésimo Sv).

A exposição a uma dose de 1 Sv, acumulada ao longo do tempo, está associada com um aumento de 5% no risco de desenvolver câncer fatal.

Radiação Rumo a Marte

O instrumento RAD mostrou que o robô Curiosity ficou exposto a uma média de 1,84 milissieverts por dia - uma dose total de 0,662 Sv.

Atualmente, a NASA estabeleceu como aceitável um aumento de 3% no risco de câncer para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional - isso equivale 0,8 a 1,2 Sv para homens e 0,6 a 1 Sv para mulheres.

Para uma missão a Marte, contudo, a agência espacial tem como limite uma dose total de 0,66 Sv (ou 660 mSv).

"Em termos de dose acumulada, é como se submeter a uma tomografia computadorizada a cada cinco ou seis dias," compara Cary Zeitlin, do Instituto SWRI, coordenador do estudo.

Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI]
Comparação da dose de radiação equivalente para vários
tipos de situações, incluindo o cálculo da viagem a Marte
- o eixo vertical é logarítmico, ou seja, cada valor é 10 vezes
maior do que o anterior. 

Escudos e Novos Tipos de Propulsão

Outro dado importante revelado pelo experimento é que apenas 5% da radiação detectada teve origem no Sol, o que é devido ao período de baixa atividade observada no atual ciclo solar - ou seja, dependendo do período da viagem, essa dose poderá ser maior.

As estimativas da exposição dos astronautas à radiação não incluem a permanência em Marte, porque essas medições ainda estão sendo realizadas e não foram computadas neste estudo.

De imediato, há duas alternativas para reduzir a dose de radiação à qual os astronautas ficarão submetidos em uma viagem a Marte: descobrir novos tipos de escudos, que ofereçam maior proteção, ou melhorar a tecnologia de propulsão, que possa substituir os foguetes químicos, reduzindo o tempo de viagem.

Bibliografia:

Measurements of Energetic Particle Radiation in Transit to Mars on the Mars Science Laboratory
C. Zeitlin, D. M. Hassler, F. A. Cucinotta, B. Ehresmann, R. F. Wimmer-Schweingruber, D. E. Brinza, S. Kang, G. Weigle, S. Böttcher, E. Böhm, S. Burmeister, J. Guo, J. Köhler, C. Martin, A. Posner, S. Rafkin, G. Reitz
Small
Vol.: 340 no. 6136 pp. 1080-1084
DOI: 10.1126/science.1235989


Fonte: Site Inovação Tecnológica

Comentário: Pois é leitor, é como eu vinha defendendo, não existe ainda tecnologia confiável que possa levar o homem com segurança a Marte e trazê-lo de volta. Note que o problema não está só na questão da propulsão do veículo, mas também na questão dos escudos. A estória de que essa nave Orion irá a Marte pode ter servido para NASA como motivo para angariar mais fundos para o projeto, mas ela mesma sabia que essa nave não tem condições de segurança satisfatória em uma viagem além da orbita lunar. Sem uma propulsão mais eficiente que permita diminuir o voo Terra-Marte dos atuais seis meses para algo em torno de 30 dias no máximo, e sem escudos que sejam mais eficientes do que os atuais, quem se aventurar nessa loucura estará condenando a si mesmo a morte, seja durante a viagem ou quando estiver de volta a Terra, isto é, caso consiga retornar. É verdade que a inventividade humana é extraordinária e soluções aparecerão nos próximos anos, mas achar que o homem pode chegar a Marte em 2018 (como visa o projeto do milionário americano Dennis Tito da Fundação Marte de enviar para esse planeta um casal em janeiro de 2018 abordo de uma modificada espaçonave Dragon da SpaceX) ou o projeto da instituição holandesa Mash One de enviar uma colônia de humanos a Marte em 2022 (note na matéria sobre esse projeto que postamos aqui ontem que o próprio dono da ideia já tirou seu corpo fora), não passam de completos desatinos se levarmos em conta o atual estagio de nossa tecnologia e o prazos estipulados pelos mesmos. Sou um defensor da exploração humana tripulada no espaço, desde que seja feita com um risco aceitável, pois acredito que como espécie não temos outra alternativa. Entretanto, essas duas iniciativas se realmente forem à frente, não me parecem que tenham qualquer possibilidade de êxito e talvez tenham outros objetivos por traz delas, que em minha opinião são objetivos distintos. Tenho impressão que a melhor aposta para uma viagem a Marte seria uma espaçonave movida à propulsão nuclear e que fosse giratória, gerando assim uma gravidade artificial dentro do habitáculo onde os astronautas estivessem alojados. Na teoria, até onde eu sei, essa gravidade artificial não só resolveria os problemas gerados pela microgravidade no corpo humano, como também serviria com uma espécie de escudo contra as radiações, protegendo assim os Astronautas. Parece bom, né? Mas infelizmente essa tecnologia encontra-se ainda no campo da ficção científica, pelo menos por mais 20 anos e olhe lá. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

INCT Desenvolve Chip de Silício P/Leitura de Fotodetectores

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (29/05) no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destacando que o “Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanodispositivos Semicondutores (INCT-Disse)” desenvolve chip de silício para leitura de fotodetectores.

Duda Falcão

INCT Desenvolve Chip de Silício
Para Leitura de Fotodetectores

Ascom do CNPq
29/05/2013 - 16:23

O projeto de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanodispositivos Semicondutores (INCT-Disse) que prevê o desenvolvimento de um chip de silício para a leitura de sinais de fotodetectores começa a dar resultados. A ideia é que o novo produto consiga verificar o desempenho de diversas topologias de circuitos integrados digitais e analógicos para condicionamento e leitura de sinais provenientes de fotodetectores quânticos iluminados por luz infravermelha.

Os fotodetectores podem medir a radiação infravermelha para a detecção de gases em ambientes industriais e refinarias, assim como o calor do corpo humano ou de animais por meio da tecnologia conhecida como visão noturna, e podem contribuir para o monitoramento agrícola e pecuário, entre outras aplicações.

O Chip IR1 foi fabricado com a tecnologia CMOS 0,35 micrometros e concebido por seis projetistas ao longo de cinco meses. Estiveram envolvidos no projeto professores, alunos de graduação e de pós-graduação dos departamentos de Engenharia Elétrica e Engenharia Eletrônica, além do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, todos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), parceiros no INCT.

Segundo o professor da UFMG Davies William de Lima Monteiro, pesquisador do INCT e coordenador do projeto, o chip está sendo testado para futura aplicação em sistemas para detecção de radiação infravermelha. “CMOS é a tecnologia dominante para circuitos integrados no mundo. Hoje, os sinais dos detectores quânticos desenvolvidos no país são medidos por meio de equipamentos geralmente grandes e de alto custo”, explica.

Produto Brasileiro

“Pretendemos criar um produto 100% nacional que seja mais acessível a esse mercado em expansão no país e que poderá ser compatibilizado com a tecnologia microeletrônica nacional. Hoje, a Ceitec S.A é uma das empresas que trabalham para implantação dessa tecnologia”, diz.

Monteiro ressalta que a faixa do infravermelho em questão, com comprimentos de onda entre 2 e 10 micrometros, apresenta potencial para aplicações militares, o que dificulta a importação de qualquer tipo de dispositivo ou sistema.



Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

Comentário: Creio que essa notícia seja também do interesse dos profissionais que atuam no Programa Espacial Brasileiro.

Atualização Semanal das Campanhas do Blog

Olá leitor!

Hoje é quinta-feira (30/05), dia de atualizarmos você sobre o andamento de nossas campanhas de apoio ao PEB e de manutenção do blog.

Bom, quanto a “Petição Online da ACS”, o avanço dessa semana foi um pouco maior, mas continuou pequeno, pulando de 368 para apenas 374 assinaturas, sendo frustrante e decepcionante observar que desde que lançamos essa campanha (em 30/10/2012veja aqui), sequer conseguimos ainda atingir 400 assinaturas, demonstrando claramente com isso que nem mesmo com o apoio de nossos leitores estamos contando nessa importante e crucial campanha contra esse acordo absurdo e desastroso, coisa que como já citei anteriormente é facilmente observado pelo fluxo de visitas diárias ao blog. Enfim...

Já a “Petição Online da Missão VLM-1/ITASAT-1”, teve nessa semana um avanço um pouco maior do que a Petição da ACS, pulando de 463 para 470 assinaturas, o que também é extremamente frustrante, mas expressa como eu já disse a realidade de um fato, ou seja, a total falta de compromisso e de interesse do Povo Brasileiro para com o nosso Programa Espacial.

Quanto a “Campanha para Regulamentação das Atividades de Grupos Amadores” que visa à luta por uma regulamentação dessas atividades no país, e a criação de uma entidade nacional que lute pelos interesses desses grupos, a coisa continuou como antes no Quartel de Abrantes, ou seja, não houve nenhum avanço nessa semana e continuamos com os mesmos sete inscritos da semana passada, ou seja, os grupos Auriflama Foguetes, Carl Sagan, CEFAB, CEFEC, NTA, Rocket Design do ITA e o UFABC Rocket Design. Volto a insistir que é entranho a falta de interesse dos grupos espalhados pelo Nordeste e por outras regiões do país, como também de outros grupos universitários que também deveriam estar interessados em nossa campanha. Mas enfim...

E finalmente a “Campanha de Manutenção do Blog”, que nessa semana teve o apoio de uma importante empresa do setor espacial que divulgarei em breve. Com esse apoio, e com o apoio dos 26 colaboradores que já se comprometeram, estamos apenas faltando o apoio de mais cinco colaboradores para completar o total de R$ 500,00 que permitirá então a permanência do blog online após a data de 30/06/2013. No dia 01/06 estarei me inscrevendo no site vakinha.com.br,  quando então os nossos colaboradores poderão nos ajudar. Mas não se preocupe leitor, pois publicaremos uma nota avisando. Entretanto, a campanha continuará, pois vamos precisar de mais colaboradores para que possamos dessa forma não só manter o blog online, como melhorá-lo e quem sabe no futuro, se outras empresas ajudarem, possamos transformá-lo num portal, o que seria o ideal.

Bom é isso ai, e vamos esperar que a partir de dessa semana haja um maior compromisso de nossos leitores com as nossas campanhas, para que assim possamos efetivamente contribuir com o Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

Bas Lansdorp: "Eu Não Vou"

Olá leitor!

Segue abaixo uma entrevista publicada no site revista “Época” dia (29/05) com o idealizador do projeto que quer levar o homem a Marte.

Duda Falcão

Entrevista

Bas Lansdorp: "Eu não vou"

O idealizador do projeto que quer levar o homem a Marte
apresenta sua ideia: fazer da expedição um reality show,
com astronautas escolhidos pelo público e cotas de patrocínio

MARCELO MOURA
29/05/2013 - 07h00
Atualizado em 29/05/2013 - 08h13

(Foto: Ilvy Njiokiktjien/
International Herald Tribune/Ny Times)
OLHAR DISTANTE
Bas Lansdorp, da Mars One. Ele montou um
plano para levar homens a Marte em 2022
Em 1961, John Kennedy, presidente dos Estados Unidos, prometeu levar o homem à Lua em uma década. Oito anos depois, cumpriu. Em 2012, o engenheiro mecânico holandês Bas Lansdorp, presidente da Mars One, prometeu levar o homem a Marte em 2022. Conseguirá cumprir? Lansdorp não tem dinheiro nem tecnologia, mas um plano: vender cotas de patrocínio e transmissão para um reality show, com astronautas escolhidos pelo público. Com o dinheiro, quer comprar espaçonaves e serviços da SpaceX, uma empresa espacial privada. Não é um reality qualquer. Os eleitos deverão fazer uma viagem só de ida para um planeta sem vida, com temperatura entre -5 °C. e -87 °C.

ÉPOCA – O senhor poderia descrever o que está programado para os primeiros humanos que chegarem a Marte?

Bas Lansdorp – Quando os tripulantes da Mars One pousarem em Marte, em 2023, encontrarão um carregamento, enviado previamente, esperando por eles. Primeiro, terão de construir uma base e montar os painéis solares. Deverão começar a plantar seus vegetais, para a subsistência. Deverão preparar a recepção do segundo grupo, que chegará umas poucas semanas depois. Quando terminar isso, cumprirão sua atividade principal: explorar um planeta inteiramente novo.

ÉPOCA – Explorar o planeta por quanto tempo?

Lansdorp - Como é uma missão apenas de ida, os viajantes explorarão Marte até o fim de suas vidas.

Vídeo: Uma viagem só de ida a Marte


ÉPOCA – Eles conseguirão viver lá por quanto tempo?

Lansdorp – Mandaremos pessoas com saúde privilegiada e comida de ótima qualidade. Eles não estarão sujeitos a riscos comuns de nossa sociedade, como acidentes de carro. Se nada errado ocorrer lá, viverão mais que uma pessoa comum na Terra.

ÉPOCA – O que faria alguém se lançar a uma viagem sem volta a um planeta inóspito?

Lansdorp – Ainda não assisti a todos os vídeos publicados no site da Mars One, nos quais os candidatos explicam seus motivos. Muitos dizem que querem fazer a coisa mais incrível da vida.

ÉPOCA – No mês passado, o senhor abriu as inscrições para viver em Marte. Quantos se candidataram?

Lansdorp – É incrível. Nas primeiras 72 horas, foram 25 mil.


ÉPOCA – O senhor vai?

Lansdorp – Você diz... para Marte?

ÉPOCA – Isso. Marte. O senhor vai?

Lansdorp – Comecei o projeto Mars One porque queria ir para Marte. Sempre soube que seria uma viagem só de ida, porque simplesmente não temos tecnologia para voltar de lá. Mas agora não vou mais. Conheci uma namorada, ela não quer ir comigo... De toda forma, é uma missão para o mundo inteiro. Meu papel é mandar as pessoas para lá. Minha equipe escolherá apenas os mais capacitados para viajar, porque precisamos de gente com certas habilidades. Os selecionados serão submetidos à aprovação do público, que escolherá pelo site os viajantes espaciais. É uma missão importante, para o mundo inteiro abraçar junto. Num projeto de tal magnitude, não seria adequado eu ocupar um dos assentos na nave.

"Levantar US$ 6 bilhões para ir a Marte não
é muito. A Olimpíada arrecada US$ 1 bilhão"

ÉPOCA – Como evitar que candidatos também se apaixonem, nos próximos dez anos, e desistam de viajar para Marte?

Lansdorp – Isso pode acontecer. Montaremos seis grupos de quatro tripulantes, em 2015, depois mais três grupos. Se alguém desistir, seu grupo inteiro estará eliminado, portanto é importante haver entrosamento entre os participantes. Sempre haverá um grupo de prontidão, caso haja desistências até o embarque rumo a Marte, em 2022.

ÉPOCA – O que esses grupos farão até 2022?

Lansdorp – Nossa seleção levará cerca de dois anos. A partir de 2015, os escolhidos serão funcionários em tempo integral da Mars One. Até 2022, treinarão para a missão. Terão aulas de engenharia, para saber consertar a espaçonave. Terão aulas de medicina, para tratar problemas de saúde. Aprenderão a cultivar seus próprios alimentos nas condições de Marte. Durante três meses a cada ano, serão submetidos a condições típicas dessa missão espacial. Ficarão enclausurados num pequeno compartimento, com oferta limitada de água e alimentos. Sua comunicação por rádio com o meio externo será feita com longos intervalos entre falar e ouvir. Assim, eles poderão realmente sentir se serão capazes de viver nas condições da expedição.


ÉPOCA – O senhor afirma que a viagem até Marte custará US$ 6 bilhões. O senhor tem quanto desse dinheiro? Quanto viria de patrocinadores?

Lansdorp – Ainda não sei a divisão exata de valores. Dependerá muito da aceitação do programa. Não se esqueça de que, na Olimpíada de Londres, em 2012, o comitê organizador arrecadou mais de US$ 1 bilhão com contratos de patrocínio e venda de direitos de transmissão. Rendeu mais de US$ 1 bilhão por duas semanas, porque o mundo estava vendo. Na arrecadação da Olimpíada, um quarto vem de patrocinadores e três quartos vêm dos direitos de transmissão. É possível, em nosso caso, essa distribuição se repetir, mas é difícil afirmar com antecedência.

ÉPOCA – Os Jogos Olímpicos não são tão fantásticos e inéditos quanto uma expedição a Marte. Mas não sofrem atrasos e têm um risco muito pequeno de acabar em tragédia. A corrida espacial para a Lua foi afetada por atrasos, desastres e estouros de orçamento. Que segurança os patrocinadores terão para associar sua marca a tais incertezas?

Lansdorp – Os patrocinadores conhecem os riscos e são capazes de lidar com eles. É bastante possível que algumas empresas mantenham distância desse projeto. Também é bastante possível que outras empresas façam questão de participar de tamanha aventura. Não existe aventura sem riscos. Fabricantes de carros com tração 4x4 teriam muito a ganhar, associando sua imagem a essa missão. A fabricante de bebidas Red Bull não teme ligar sua marca a atividades arriscadas. Vive patrocinando saltos de paraquedas, corridas de aviões e esportes radicais. As características de nosso empreendimento realmente limitam a variedade de potenciais patrocinadores, mas também representam uma oportunidade muito valiosa e sem igual no mercado publicitário.

ÉPOCA – Como uma organização privada como a sua poderá levar humanos a Marte? O máximo que a Nasa conseguiu até hoje, com cinco décadas de experiência e orçamento do governo dos Estados Unidos, foi levar o robô Curiosity.

Lansdorp – A NASA jamais poderia organizar uma viagem sem volta. Voltar de Marte é muito mais difícil que ir. Essa é a principal razão. Há outras. Para a NASA, seria mais caro, porque eles precisam manter diariamente uma estrutura muito maior. E eles não têm nosso modelo comercial. Queremos vender a expedição a Marte enquanto ela é desenvolvida, e isso facilita o dimensionamento do negócio.


ÉPOCA – Os Estados Unidos mandaram homens à Lua seis vezes, entre 1969 e 1972. Depois, cancelaram a missão espacial Apollo. A União Soviética cancelou sua tentativa de ir à Lua. Por que países ricos desistiram de desbravar o espaço?

Lansdorp – Não acho que os países tenham desistido. Existe um programa espacial americano muito vigoroso. Os russos continuam ativos. Indianos investem em missões espaciais, chineses estão evoluindo, o Brasil também está. Os países apenas mudaram seu foco, na corrida espacial, para pesquisas. Pesquisas não são tão atraentes para o grande público. Aí pode entrar a iniciativa privada. Organizações como a minha podem guiar sua atuação pelo interesse do público. Há empresas planejando viagens de turismo espacial. Há empresas realizando voos suborbitais com sucesso. É algo que países não seriam tão capazes de fazer. Países trabalham desenvolvendo tecnologias de ponta. Empresas privadas podem entrar licenciando a tecnologia já desenvolvida, para fazer dinheiro. Não esqueça que a Mars One, e todas as outras empresas espaciais comerciais, jamais conseguiriam desenvolver sozinhas suas tecnologias. Queremos aproveitar as soluções existentes.

ÉPOCA – Parafraseando o astronauta Neil Armstrong, em seu discurso ao pisar na Lua: o senhor está menos interessado no gigantesco salto para humanidade e mais interessado no pequeno passo para o homem? Interessado em vender a vários homens a oportunidade de dar o tal pequeno passo?

Lansdorp – Isso mesmo. Queremos ir não pelo avanço da ciência, mas pela experiência pessoal. A experiência mais fantástica da vida de cada um. Por isso, não preciso de novas tecnologias. Meu foco não está nelas, mas nos humanos. É o que muitos dizem sobre a missão Apollo, dos Estados Unidos. Depois de alguns pousos na Lua, ninguém mais prestava atenção a eles. A missão Apollo foi nessa linha: “Vejam, podemos ir à Lua. Podemos andar em volta dela. Podemos...”. Isso foi o fim da história. A história que queremos contar é sobre um grupo de pessoas escolhidas pelo público. Elas estarão a caminho de Marte e começarão uma nova civilização lá. Ver uma nova civilização surgir será interessante por muito, muito mais tempo que missões de astronautas alcançando suas metas.


Fonte: Site da Revista Época - 29/05/2013 - http://revistaepoca.globo.com

Comentário: Pois é leitor, quem se habilita? E olha só, o próprio dono do negócio tirou o corpo fora, rsrsrsrs. Gostaria de agradecer ao leitor paulista José Ildefonso pelo envio dessa entrevista.