quarta-feira, 22 de julho de 2015

Exclusivo – Brasil Rompe Com a Ucrânia na ACS

Olá leitor!

Segue abaixo mais uma artigo postado ontem (21/07) no site do “defesanet,com”  destacando que o Brasil rompeu oficialmente o acordo com a Ucrânia.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - ESPECIAL ESPAÇO – TECNOLOGIA

Exclusivo – Brasil Rompe Com a Ucrânia na ACS

Em carta de 16 de Julho, o Chanceler Brasileiro Mauro Vieira em poucas linhas
comunica o fim da binacional Brasil-Ucrânia Alcântara Cyclone Space.

Exclusivo DefesaNet
21 de Julho, 2015 - 22:00 ( Brasília )

Brasil formalizou no dia 16 de Julho em carta endereçada ao Embaixador
da Ucrânia no Brasil, publicada com exclusividade por DefesNet,
o rompimento na Alcântara Cyclone Space.

DefesaNet publica com exclusividade a carta enviada pelo Chanceler Mauro Vieira ao embaixador da Ucrânia em Brasilia DF, Sr Rostyslav Tronenko, em 16 de Julho de 2015.

DefesaNet obteve os seguintes comentários de fontes próximas à Alcântara Cyclone Space (ACS).

A nota do Itamaraty entregue ao embaixador da Ucrânia trata da Denúncia do Tratado Cyclone-4 que criou a empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). Nela, o Chanceler brasileiro Mauro Vieira afirma que “ocorreu significativa alteração da equação tecnológico-comercial que justificou o início da parceria”, devido ao que o governo brasileiro tomou uma “decisão irrevogável ... de denunciá-lo”. (ver carta abaixo).

A justificativa usada pelo ministro para o rompimento da parceria nos parece mal formulada, que dará munição aos ucranianos para exigir um ressarcimento vultoso. Desde 2013, quando o Brasil praticamente parou de contribuir para o capital da ACS, os ucranianos enviaram vários ofícios em todos os níveis, do Presidente da Agência Espacial Brasieira (AEB) até o Presidente da República, reafirmando seu compromisso técnico e financeiro com o projeto e solicitando uma posição formal do Brasil sobre continuação do mesmo. Pelo que saibamos, nenhum desses ofícios foi respondido.

Do seu lado, os ucranianos finalizaram o desenvolvimento do lançador Cyclone-4, que era a responsabilidade deles, e garantem sua entrega em Alcântara até o final do ano. O Brasil, por sua vez, pouco ou quase nada fez em termos da infraestrutura geral, sob sua responsabilidade. Quando o ministro fala em alteração da equação tecnológico-comercial, será que ele quer dizer que não há mais equação nenhuma, já que a Ucrânia fez a sua parte e o Brasil não?

E falando em parte comercial, o Cyclone-4 seria um lançador ideal para várias constelações de satélites de órbita baixa que estão surgindo neste momento, caso haja um acordo de salvaguardas tecnológicas vigente entre o Brasil e os Estados Unidos. Sem esse acordo, praticamente nenhum satélite comercial poderá ser lançado do Brasil, por conter componentes da origem norte-americana. Até agora, o Brasil não fez nada para negociá-lo com os americanos - mais uma falha do estado brasileiro?

O Brasil, ao ser o primeiro o a denunciar o Tratado, colocou-se em uma posição extremamente desvantajosa. O ressarcimento que o Brasil terá de pagar à Ucrânia pode muito bem superar o valor de 2 bilhões de reais ou até mais. Não seria mais interessante ao Brasil concluir esse projeto, ganhar acesso independente ao espaço e a tecnologia de ponta e ainda gastar menos dinheiro?

Transcrição da Mensagem do Chanceler Brasileiro

SG/1 /UCRA ETEC

Em 16 de julho dc 2015

Senhor Embaixador,

Faço referência ao Tratado sobre Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamentos Cyclone-4 no Centro dc Lançamento de Alcântara, assinado cm Brasília, em 21 de outubro de 2003.

2. A esse respeito, informo Vossa Excelência de que, após minucioso exame realizado em nível técnico, cujos elementos de informação e resultados foram objeto de análise e decisão no mais alto nível, o Governo brasileiro chegou à conclusão de que ocorreu significativa alteração da equação tecnológico-comercial que justificou o inicio da parceria decorrente do Tratado em questão.

3. Nessas condições, invocando o artigo 17, item 3, do referido Tratado, transmito a Vossa Excelência a decisão irrevogável do Governo brasileiro de denunciá-lo.

Aproveito a oportunidade para renovar a Vossa Excelência os protestos de minha mais alta estima e consideração.

Mauro Vieira
Ministro de Estado das Relações Exteriores

A Sua Excelência o Senhor Rostyslay Tronenko
Embaixador da Ucrânia




Comentário: Bom leitor, apesar de reconhecer a grande credibilidade do site Defesanet, prefiro neste momento aguardar os acontecimentos, pois não é possível que este rompimento seja feito sem um pronunciamento oficial por parte da “Ogra” debiloide. Seria de uma descortesia tremenda e certamente notada por parte da diplomacia internacional. Vamos aguardar e torcer que seja realmente verdade o fim deste desatino.

2 comentários:

  1. Eu também prefiro esperar. Já tão falando isso faz tempo e até agora nada oficial, somente matérias em sites. Eu achei interessante a parte do texto que fala:

    "A decisão foi tomada três anos depois que a presidente Dilma Rousseff recebeu diagnóstico, elaborado pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, apontando que o projeto não geraria os lucros projetados com o lançamento comercial de satélites a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, por um preço de US$ 35 a 50 milhões, a cada satélite lançado. Os investimentos adicionais para viabilizar o programa seriam altos demais, e o mercado de lançamentos comerciais de satélites não tinha espaço para a entrada do foguete ucraniano. O orçamento inicial do programa era de R$ 1 bilhão. Sua primeira data de lançamento seria 2010. Todas estimativas estavam erradas."

    Mas, não foi no site do defesanet, mas no do oglobo.

    http://oglobo.globo.com/brasil/brasil-formaliza-rompimento-de-acordo-para-lancar-foguete-ucraniano-16880497

    ResponderExcluir
  2. Acho que vai ficar bem cara a brincadeira. Quase com certeza que a Ucrânia vai contestar num tribunal de arbitragem internacional essa decisão unilateral do governo petista. Agora só tem uma coisa que me deixa preocupado... até que ponto tem sido realmente uma decisão 100% soberana? Ou será verdade o que se diz das fortes pressões da Rússia no assunto?? abraço

    ResponderExcluir