terça-feira, 18 de julho de 2017

Realizada na Alemanha a Revisão Preliminar do Projeto (PDR) VS-50

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (17/07) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), destacando que o instituto e o DLR alemão realizaram entre os dias 11 e 14/07 a Revisão Preliminar do Projeto (PDR) do VS-50/VLM-1.

Duda Falcão

Revisão Preliminar do Projeto (PDR) VS-50

Publicado: 17 Julho 2017
Última atualização em 17 Julho 2017


Entre os dias 11 a 14 de julho foi realizada a PDR do VS-50/VLM. A reunião ocorreu nas instalações do DLR-RB (Space Operations and Astronaut Training), em Oberpfaffenhofen, Alemanha, e teve a participação do DLR-BT (Institute of Structures and Design – Stuttgart), do DLR-AS (Institute of Aerodynamics and Flow Technology – Braunschwieg/Göttingen), e do DLR-MORABA (Mobile Rocket Base – Oberpfaffenhofen-Wessling), por parte da comitiva alemã e das Divisões de Sistemas Espaciais (ASE), de Eletrônica (AEL) e de Mecânica (AME) do IAE, assim com da gerencia do VS-50/VLM-1, do Diretor do Instituto e de representante da AEB, por parte da comitiva brasileira.

Foram realizadas apresentações e discussões sobre os subsistemas de responsabilidade do DLR e do IAE. Durante as apresentações e discussões foi possível ter uma visão geral dos sistemas do VS-50; do propulsor S50, assim como do contrato de manufatura com a AVIBRAS; do sistema de atuação na tubeira (TVA), incluindo uma visita ao modelo de engenharia do mesmo; da saia traseira, Hard Point e integração; do sistema de controle; da configuração de voo; da aerodinâmica; do sistrema de terminação de voo; das trajetórias de voo, de Andoya (DLR) e do CLA (IAE); das estruturas das empenas de das saias; do fairing; das demais estruturas e conexões; dos sistemas eletrônicos; e do modulo de serviço. Ao final das discussões foram planejadas as próximas ações e passos para o prosseguimento dos projetos VS-50 e VLM-1.

Para que projetos internacionais dessa magnitude possam ter êxito, faz-se necessário um sistema de governança e de projeto capaz de planejar, executar, monitorar, e agir. Deste modo, no dia 10 de julho foram realizadas discussões acerca dos Comitês de direção (JSC), de gerenciamento (JMC) e técnico (JPT), no qual deverá estar o assunto certificação/qualificação, para que os projetos VS-50 e VLM-1 atinjam seus objetivos com êxito. Ao final serão propostos estes comitês às agencias espaciais e ao DCTA para sua implementação o mais rápido possível.

Em paralelo foram conduzidas reuniões com a MT-Aerospace e o DLR Space Administration, para o fechamento de diversas ações do projeto CaSSIS entre o IAE e as entidades supracitadas. Foi possível acessar o mandril de bobinamento do S50 a ser produzido pela empresa alemã, assim como o ferramental associado, e obter informações fundamentais que irão auxiliar na execução dos trabalhos da comissão técnica do contrato com a AVIBRAS.

O VS-50 será um veículo suborbital que terá capacidade de oferecer carga útil de até 500 kg de massa para ensaios de microgravidade e/ou para experimentos hipersônicos, e está sendo desenvolvido no âmbito do projeto VLM-1, tendo como propulsores o S50 e o S44, e a maioria dos demais sistemas que serão utilizados no VLM-1, o que permitirá ensaiar esses sistemas em um veículo mais simples.

O VS-50 e o VLM-1 são veículos de acesso ao espaço desenvolvidos no âmbito da parceria Brasil-Alemanha, estabelecidos pelo protocolo de intenções assinado entre as agências espaciais brasileira e alemã e pelo DCTA em 2011, e em 2014, quando o projeto passou da fase da pesquisa para a fase de desenvolvimento propriamente dita, foram alocadas as tarefas de desenvolvimento e qualificação dos subsistemas para cada participante, ficando o Brasil responsável pelos sistemas propulsivos S50 e S44, pelo sistema de navegação reserva, pela infraestrutura para o lançamento e segurança de voo, e pela gestão da documentação dos projetos. O desenvolvimento e qualificação dos demais sistemas dos veículos VS-50 e VLM-1 é de responsabilidade do DLR.


OBS: Caro leitor, os dois parágrafos acima destacados em rubro foram acrescentados na nota publicada no site oficial do IAE posteriormente a sua publicação pelo instituto, e sendo assim só agora notamos esta mudança.

Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Olha leitor, eu queria aqui está comemorando essa notícia, mas temo que ela não é tão positiva assim. Pelo que entendi e pelas informações que me foram passadas, todas as minhas duvidas para um bom entendedor podem ser resumidas em uma única pergunta, ou seja, quanto desse foguete de sondagem VS-50 e do VLM-1 ainda são brasileiros??? Pois é, sendo mais claro, será que não estamos falando aqui de foguetes alemães com participação brasileira??? Será que foi para isso que tiraram o Dr. Luís Loures da Chefia do projeto??? Outra coisa que me chamou atenção é esse tal Projeto CaSSIS, o que seria isso? Enfim...

Comentário 2: Olha leitor, diante dessas novas informações publicadas na nota do IAE, tudo levar a crer que realmente perdemos o controle de ambos os projetos, e assim a participação brasileira ficou restrita as partes menos importantes do foguete, isto tecnologicamente falando. Em outra palavras, estamos nas mãos do alemães, já que o desenvolvimento e qualificação dos sistemas sensíveis de ambos veículos (VS-50 / VLM-1) estão agora unicamente sob a responsabilidade dos gringos. Para mim está claro o que está realmente por de trás de tudo isso, e também explica o porque da saída do Dr. Luis Loures da Chefia desses projetos.

19 comentários:

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    1. Olá Pastor Alemão!

      Quanto a capacidade de carga desse foguete eu não tenho informação e não me recordo de ter lido nada sobre isso. Porém, acredito que seja algo muito próximo disso.

      Quanto aos motores, fica claro no diagrama acima que o foguete terá dois estágios compostos por esses motores citados por você + a carga útil da missão.

      Quanto se o mesmo sera usado para ensaios com experimentos científicos em ambiente de microgravidade e experimento hipersônicos, eu diria que, todo foguete de sondagem ele pode ser usado em experimentos científicas e tecnológicos de qualquer especie, desde que não fuja de sua capacidade de carga e desde que o seu desempenho seja compatível com as necessidades da carga útil que levará ao espaço. Tá ok?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Acredito que com um terceiro estágio com propulsão líquida o VS-50 pode ser um lançador de Cubesats.
    Pensem nisso pessoal do IAE.

    Eng. Miraglia

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    1. Ola Eng. Miraglia!

      Valeu pela contribuição, e aproveito e lhe faço uma pergunta. Será que com o aproveitamento do já desenvolvido Motor-Foguete Líquido L5 seria possível atingir este objetivo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Pois é ,estava a pensar se haveria a possibilidade de utilizar o L75 como 3º estágio do V.L.M..

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    1. Olá Justin!

      Primeiro precisa se ter certeza que existirá mesmo um motor L75 para ser usado, e depois se realmente o VLM-1 sairá do papel. Caso ambos os casos ocorram, só mesmo em um VLM potencializado este motor poderia ser usado. Afinal não haveria outra opção, só no campo das fantasias.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Tenho esses videos,Pastor Alemão ,foi um trabalho dos melhores que já vi no youtube e o L75 faz parte do VLS Alfa , mas o projeto cruzeiro do sul ,INFELIZMENTE ,devido a realidade atual,mais parece uma obra de ficção .

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  4. Se o Brasil hipoteticamente acrescentasse um 3° estágio como o L5(sugerido pelo Eng°Miraglia)e efetuasse um lançamento bem sucedido de um cubesat.Isso valeria o mesmo (em termos de prestígio científico e tecnológico) que o lançamento de um satélite "normal"?

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    1. Olá Argeu Alves!

      Penso como você e não vejo dificuldade tecnológica para isso (apesar de não ser um especialista do assunto), só vejo falta de visão e de vontade política. Entretanto, o Eng. Miraglia sugeriu o uso de um terceiro estágio liquido, mas não necessariamente o uso do Motor L5, e quanto a isso, continuo no aguardo que ele responda ao meu questionamento.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  5. Projeto CaSSIS é a parte de cooperação fechada com o DLR para a parte de propulsão espacial, aí se enquadram o S50 e o L75. O teste da câmara do L75, recentemente na Alemanha, é parte desse.

    Sobre "perder o controle" dos dois projetos, é exagero. Os alemães vão fazer a tubeira que vetora os motores e o algoritmo de controle do foguete, logicamente aí incluídos computador de bordo e sistema inercial principal. É bom lembrarmos que o computador de bordo do VLS-1 era inglês e o sistema de guiagem inercial era russo. No VLM, o sistema inercial principal será auxiliado pelo SISNAV inicialmente. Nada impede que adiante a parte brasileira tenha maior participação na medida que avance e se tornem confiáveis os sistemas desenvolvidos aqui.

    Sds.

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    1. Sr. Observador há algumas incorreções em suas palavras. O sistema de guiamento do VLS não era russo - apenas a plataforma inercial. O algoritmo de navegação e o algoritmo de guiamento foram feitos no IAE. O computador de bordo (hardware) era inglês mas todo o software nacional. Até então o sistema de controle dos nossos foguetes eram projetados no IAE, se nesse projeto for responsabilidade dos alemãs significa um enorme passo sim - PARA TRÁS

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    2. Olá Sr. Heisenberg!

      Eu tinha certeza de que um comentário como esse do Observador chamaria a atenção de alguém como o senhor, por isto não esclareci aos leitores, fiquei no aguardo que o senhor, ou alguém com conhecimento vasto sobre a verdade dos fatos o fizesse por mim. Uma vez mais obrigado pela sua interferência.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    3. Não disse nada diferente, porém, sem a plataforma inercial russa não teríamos guiamento só com algoritmos, mesmo que feitos aqui; sem o computador de bordo inglês não teríamos nem onde rodar os algoritmos. Ser responsabilidade dos alemães os sistemas não significa que o IAE não participará em nada no desenvolvimento. Não será possível cada instituição trabalhar sem integrar seu pessoal e seus conhecimentos, sairia um projeto absolutamente desconexo e isso não daria o resultado esperado.

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    1. Obrigado pela consideração Pastor Alemão. Mas já tenho postado diversas vezes sobre os verdadeiros problemas do PEB (que tbm o são em outras áreas): legislação burocrática e paralisante aliada ao corporativismo estatal conduziram as ICTs à insignificância. Estão em sua maioria acomodados e só reclamam da boca pra fora dizendo que o problema é falta de verba e de pessoal. Estão discutindo uma nova governança para o PEB e do pouco que sei só irá piorar a situação. Sem um mudança radical de legislação só vejo saída pra o PEB na iniciativa privada.

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  8. Olá Duda, parabéns pelas informações e comentários que você nos proporciona. O que vejo nesse desenvolvimento é que a com a crise política e econômica de nossa república, diga-se cleptocracia, os alemães atentos e comprometidos com sua meta de chegar a frente nesse nicho (lançamento de nano e micro satélites) que tende ao crescimento assumiram esse projeto que tem sido negligenciado por esse bando de (tucanalhas, petralhas). Parabéns aos alemães pelo comprometimento. Precisamos fazer uma limpa é nesses políticos brasileiros.

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